#09 – Dividendos aristocratas para multiplicar o seu património

Tinha-lhe dito que gostava de dividendos, não foi? Pois agora estou em condições de explicar-lhe o porquê. Os dividendos demonstram a qualidade dos resultados e sinalizam a expetativa positiva da gestão em relação ao futuro.

Maior Menor
15 de Março de 2017

Caro leitor,

Hoje vou falar-lhe sobre dividendos.

Os dividendos são considerados uma atração secundária no que diz respeito ao investimento em ações.

É coisa de reformados ou investidores da velha guarda que apenas se interessam por receber um cheque em casa de uma forma passiva e consistente.

Tenho de confessar que sou um destes investidores, não por ser reformado, mas porque gosto de obter rendimentos estáveis ao longo do tempo.

A maioria dos investidores compram ações pelas mais-valias e não pelos dividendos.

Mas quando se é dono de uma ação, também se é dono de um negócio e o pagamento do dividendo é uma maneira de a empresa devolver o dinheiro aos acionistas que investiram nesse negócio.

Sendo certo que algumas empresas geram caixa para fazer crescer o negócio, outras há que simplesmente o têm parado numa conta bancária.

O pior cenário é, contudo, quando a empresa decide gastar o dinheiro ineficientemente!

Nestes últimos dois casos o melhor é mesmo o acionista receber o dinheiro e reinvesti-lo.

Ações aristocratas

Tinha-lhe dito que gostava de dividendos, não foi? Pois agora estou em condições de explicar-lhe o porquê.

Os dividendos demonstram a qualidade dos resultados e sinalizam a expetativa positiva da gestão em relação ao futuro.

Como bem sabe, os lucros de uma empresa são usados para reinvestir nessa mesma empresa com o objetivo de gerar mais negócio e é apenas quando se verifica que estes são superiores ao necessário para essa desejada expansão é que são distribuídos.

Por outras palavras, não comprometem o crescimento do negócio.

Não compre ações, compre negócios, disse Warren Buffett, o Oráculo de Omaha, que acumulou uma das maiores fortunas do mundo através de investimentos astutos.

Para que todo este processo corra bem, a gestão tem de estar confiante de que não vai precisar dos fundos no futuro.

E se uma empresa não necessita deles é porque a qualidade dos resultados é robusta e consistente ao ponto de poderem ser distribuídos dividendos.

Vejamos um exemplo: o S&P 500 Aristocrats é o índice constituído pelas empresas do S&P 500 que têm apresentado subidas sucessivas dos dividendos nos últimos 25 anos.

Neste momento fazem parte desse índice 53 empresas.

Sim, leu bem!

Empresas há que nos últimos 25 anos aumentaram os dividendos sucessivamente.

Na maioria dos anos a diferença entre o Aristocrats e o S&P 500 não é muito significativa.

Fonte: Simply Safe Dividends

Mas em 2008 a diferença é particularmente relevante na perspetiva do risco.

Enquanto o S&P 500 caiu 37%, o Aristocrats apenas caiu 22%!

Moral da história? Mesmo numa queda acentuada como a de 2008, os investidores continuaram confiantes nas empresas que tinham vindo a aumentar os seus dividendos nos últimos 25 anos não as penalizando tão severamente.

Daí que eu considere que os dividendos são a prova da qualidade dos resultados da empresa.

Reinvestir os dividendos

Como é que devo encarar os dividendos? – deve estar a questionar-se por esta altura.

Os dividendos fazem parte do retorno total do investimento e para o investidor gera um fluxo de rendimento estável, que pode ser anual ou trimestral.

Tenho a certeza que o leitor gostaria que os seus investimentos trabalhassem para si. Pois fique a saber que eu não sou diferente.

E como a melhor parte ainda está por vir, proponho que vejamos o efeito dos dividendos no retorno do seu investimento.

Se é um investidor afortunado que tem um milhão de euros para alocar a um investimento com uma dividend yield de 4% receberá uma “renda” anual de €40.000.

Este é o clássico exemplo dos investimentos que trabalham para si, no entanto confesso que não é muito representativo para a maioria de nós.

Mas repare, não é só para estes afortunados que os dividendos fazem a diferença.

Para os outros, onde eu me incluo e provavelmente o leitor que também não tem um milhão de euros, a situação é igualmente vantajosa.

Se começar por investir apenas €5.000, e considerando a mesma dividend yield de 4%, consegue um rendimento anual de €200.

Acha pouco? O seu depósito a prazo dá-lhe isto?

Mas há mais. Se reinvestir estes €200 sucessivamente todos os anos vai ver que a diferença será enorme.

Quer um exemplo prático?

Caso o leitor tivesse investido os €5.000 no S&P 500 nos últimos 15 anos tinha obtido um retorno de 106%. Isto sem considerar os dividendos.

Fonte: Bloomberg

No entanto, se tivesse reinvestido os dividendos no índice teria obtido um retorno de 180%.

Feitas as contas e por outras palavras, os seus €5.000 passavam para €14.000.

Reduzir o risco

Mesmo em Portugal, a caminhada da bolsa nos últimos 15 anos foi mais feliz quando se consideram os dividendos.

Se o leitor apenas tivesse investido no PSI-20, sem reinvestir os dividendos, estaria neste momento a perder -40%.

Mas se tivesse reinvestido os dividendos o seu retorno seriam uns modestos 6%.

Fonte: Bloomberg

É verdade que neste momento não seria milionário, mas por outro lado não teria perdido o capital inicial.

Mas percebo-o perfeitamente. Com a situação económica dos últimos 10 anos parece impossível conseguir-se conservar o capital num investimento no PSI-20.

Então qual a conclusão que tiramos?

A principal é que os dividendos também atuam como uma forma de atenuar o risco do investimento.

Quando há um crash nas bolsas e os preços vêm por aí abaixo, o acionista vai continuar a receber o dividendo na conta, diminuindo a perda potencial do investimento, ou seja, reduzindo a volatilidade da carteira.

É importante para os investidores considerarem este benefício dos dividendos e incluírem na sua carteira empresas que pagam dividendos.

Usando uma analogia, é dinheiro proveniente de um porto seguro no mercado de ações: sólidas empresas que remuneram bem os seus investidores.

Bem sei que muita gente conhece o conceito de dividendos, mas nem todos sabem tirar o melhor proveito dele.

O nosso trabalho de research pauta-se por preparar os leitores para os próximos movimentos de mercado e descobrir como lucrar com as melhores estratégias.

De tal forma que recomendei uma ação do PSI-20 para a Carta Empiricus que tem vindo a ter um dividendo consistente e apresenta um dividend yield fora do normal.

Se quer entrar no fabuloso mundo do mercado bolsista, continue connosco, abra uma conta numa corretora e invista por si.

Vamos acompanhá-lo nesta jornada explicando todos os passos no Carta Empiricus.

Não deixe as rédeas do seu dinheiro na mão do seu gestor de conta.

Ninguém melhor do que o leitor para investir o seu próprio dinheiro.

E quanto aos receios de iniciante, lembre-se de uma coisa: as boas empresas com bons resultados acabam por distribuir dividendos e não vão à falência só porque a economia afunda.

Geralmente têm os seus resultados revistos em baixa, mas aguentam-se continuando muitas vezes a pagar o dividendo.

Não é disto que anda à procura?