#13 – Será este o ano da Europa?

Esta pode bem ser a altura da União Europeia se revelar. No entanto, a construção de uma Europa unida nunca será fácil. Como disse Robert Schuman – um dos fundadores da União Europeia – “A Europa não será criada de uma só vez ou apenas com um único plano”.

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18 de Abril de 2017

Caro leitor,

Esta pode bem ser a altura da União Europeia se revelar.

No entanto, a construção de uma Europa unida nunca será fácil.

Como disse Robert Schuman – um dos fundadores da União Europeia – “A Europa não será criada de uma só vez ou apenas com um único plano”.

São demasiados países e com um passado longo a disputar fronteiras.

A história dos estados que agora estão unidos passou por uma rivalidade que originou sucessivas guerras e alianças, mas que por fim parecia estar no caminho da união.

No entanto, com o Brexit em Inglaterra, Geert Wilders na Holanda, Marine Le Pen em França e Beppe Grillo em Itália, 2017 parecia estar destinado a ser o ano do populismo na Europa.

Apesar de uma primeira derrota nas eleições holandesas, ele lá segue ferozmente em França com a liderança nas sondagens para a senhora Le Pen.

No entanto, tudo parece apontar para uma derrota na segunda volta das presidenciais, independentemente do opositor.

Mas será que isto diminuiu a incerteza?

Nem por isso. Ninguém quer pagar para ver as cartas pois os eleitores franceses podem estar a fazer bluff.

E não seria a primeira vez que as sondagens se enganavam.

Em Itália o movimento continua, onde uma vitória de uma suposta coligação à direita entre os partidos com um sentimento antieuropeu parece ser o mais provável.

Além das eleições que se aproximam, teremos as negociações do Brexit que vão virar capa dos jornais sucessivamente durante os próximos dois anos até o mercado se cansar e partir para outra.

Toda esta conjuntura pode contagiar facilmente as eleições do final do ano na Alemanha onde, apesar de improvável, uma vitória eurocética faria esperar o pior.

 

Um futuro melhor

 

Devido às incertezas políticas que se aproximam na União Europeia a maioria dos participantes no mercado considera um lugar a evitar.

Como consequência boas empresas estão injustamente deprimidas, quer isto dizer que poderão ser jogadas inteligentes se souber escolher as corretas.

Para comprar uma pechincha, temos de olhar para onde o público está mais assustado e pessimista, disse o Sir John Templeton.

Apesar de toda a tempestade que se avizinha existem sinais de clareza.

Segundo o relatório do BCE, a recuperação económica de 2009 a 2011 foi realizada às custas do aumento das exportações líquidas, onde o consumo contribuiu apenas 11% para o crescimento do PIB.

No entanto, a atual retoma está a ser feita pelo crescimento de um consumo gradual e persistente que vem essencialmente da criação de emprego e aumentos salariais.

Isto já é visível na Alemanha onde em fevereiro a inflação subiu 2,2% e em termos salariais e de consumo este é o momento mais brilhante para o país desde o início dos anos 90.

A taxa de desemprego situa-se nos 4% e com um apertar do mercado de trabalho é esperado um aumento mais generoso dos salários.

A nossa vizinha Espanha cresceu 3% no ano passado, apesar de uma falta de maioria parlamentar por parte do governo, e mesmo fora da zona Euro países como a Suécia e a Polónia tiveram um crescimento superior a 2%.

Para que a política expansionista do BCE acrescente um ritmo ainda maior à economia é necessário um aumento do investimento público.

Numa Alemanha sem défice fiscal nos últimos três anos terá dificuldades em cumprir esta tendência em ano de eleições.

Já há algum tempo que existe uma pressão para que o país aumentasse a despesa com o propósito de motivar o crescimento.

Mas agora esta pressão não veio só de dentro da União Europeia.

Trump veio ultimar que os países da NATO deveriam aumentar a despesa de modo a cumprir com os acordos.

Havendo uma predisposição para o investimento por parte da Alemanha facilmente o Plano Juncker – plano de investimento da Comissão Europeia – poderá ser aumentado para um valor mais relevante.

Todo este investimento poderá dar aquele impulso à economia europeia que tanto necessita.

Acrescentado a isto, as empresas europeias estão a apresentar melhores resultados e com expetativa que esta trajetória continue em 2017, batendo mesmo os Estados Unidos no último trimestre de 2016.

No entanto, precisa saber que as ações na Europa não cresceram com a mesma velocidade que nos Estado Unidos nos últimos anos.

A crise soberana e bancária assim o asseguraram.

Do mal o menos, isso pode significar que ainda tem espaço para subir.

E eu já escolhi as três empresas nacionais que considero capazes de beneficiar com uma recuperação na economia europeia devido à sua resiliência e potencial de valorização.

Um aumento do crescimento económico na Europa, não só revitalizava os mercados, como apaziguaria os sentimentos populistas e eurocéticos.

Este pode bem ser o momento da União Europeia.

Até para semana.