#33 – Está o euro imparável?

Draghi comprometeu-se a “fazer o que fosse necessário” para recuperar a zona euro e ainda acrescentou que “acreditem em mim, pois será o suficiente”. Isto levou a uma reviravolta no EUR/USD.

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Por 1 de setembro de 2017

Caro leitor,

Nesta semana, o euro quebrou a barreira psicológica dos 1.2 contra o dólar pela primeira vez desde janeiro de 2015.

Em julho de 2013 este era o ponto mais baixo, numa altura em que havia o risco da zona euro se desfazer.

Nessa altura, Mario Draghi, presidente do BCE, fez o seu famoso discurso.

Ele comprometeu-se a “fazer o que fosse necessário” para recuperar a zona euro e ainda acrescentou que “acreditem em mim, pois será o suficiente”.

Isto levou a uma reviravolta no EUR/USD.

O par continuou a subir até atingir o máximo em maio de 2014 – ligeiramente abaixo dos 1.4.

Mas, nos dias que correm a exacerbada subida parece ter contornos diferentes.

A subida de duas figuras num espaço tão curto de tempo revela que algo mais se está a passar.

A moeda europeia parece estar a funcionar como ativo de refúgio para os investidores, visto que tem vindo a gozar de ganhos com a escalada de tensões com a Coreia do Norte.

Mesmo quando a Grécia voltou a ter problemas no final de 2015, o euro subia.

Assim que ficaram resolvidos, começou a descer.

Já este ano, as eleições francesas, de acordo com os dados da CFTC, foram o ponto de virada para os especuladores, passando a partir desse momento a ter mais posições compradoras do que vendedoras.

Fonte: CFTC; Bloomberg

O euro passou de besta a bestial.

Se por um lado, é verdade que a economia da zona euro tem vindo a demonstrar melhorias ao longo do ano e o sentimento económico encontra-se no nível mais alto dos últimos anos, por outro, o dólar tem ajudado pela negativa, tanto da atitude de Trump, como do vago discurso da Yellen em Jackson Hole, no fim de semana passado.

Como reverso da medalha, temos um efeito contrário no mercado de ações.

Numa primeira fase, porque as ações geram ganhos cambiais e muitos investidores aproveitam para liquidar a suas posições (para quem tem como referência outras moedas).

Posteriormente, nos resultados, visto que quase todas as grandes empresas europeias (e até muitas das pequenas) vendem produtos e serviços para fora da zona euro.

Historicamente o mês de agosto não é dos melhores para as ações e o setembro ainda se avizinha pior.

Mas como disse Warren Buffett a Charlie Munger: “Investir é simples, mas não é fácil”.

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Poupança, capitalização e paciência

Acima de tudo o património faz-se através da poupança.

Se nunca conseguirmos poupar numa primeira instância, nunca conseguiremos criar património para investir e aproveitar o efeito multiplicador dos mercados.

Se começar cedo, beneficia de duas vantagens: a capitalização e a possibilidade de poder arriscar mais e consequentemente conseguir uma taxa de rentabilidade potencial mais elevada.

As estatísticas demonstram que, apesar de as ações perderem mais de 20% em, pelo menos, um ano em cada década, a verdade é que o desempenho obtido nos restantes nove anos compensa amplamente os efeitos dos períodos de crise.

A história diz que são necessários pelo menos 15 anos para investir em ações com algum grau de segurança.

No entanto, para quem tem horizontes mais curtos não deve ignorar de todo as ações, simplesmente deve usar uma parcela mais pequena do seu património.

Este nível deve respeitar o perfil de risco e conforto do investidor.

Uma carteira de ações até pode ter uma rentabilidade potencial elevada, mas se não o deixar dormir descansado durante a noite, então está condenada ao fracasso.

À mínima correção nos mercados, o investidor ficará assustado e acabará por desfazer-se dela com prejuízos.

Mas vejamos um exemplo extremo de perseverança no mercado de ações.

No final de abril de 2007 uma pessoa (vamos chamar-lhe Martim) decidia começar a poupar todos os meses €200.

Mas o Martim não se ficou por aqui e foi mais longe.

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Decidiu investir esse dinheiro no mercado de ações, no índice Stoxx Europe 600.

Sempre que recebia dividendos juntava aos €200 euros do mês seguinte e investia.

Como o leitor deve estar a par – e olhando para trás – começar a investir no mercado de ações em meados de 2007 era só e apenas a pior altura.

Seguiu-se o subprime, a queda da Lehman Brothers, a grande recessão, a crise soberana na Europa, a posterior crise bancária na Europa, o fim da guerra no Iraque, o início do conflito na Síria com o ISIS, o Brexit e muitas mais situações que na altura achávamos que poderiam acabar com o mundo.

No entanto, alguém como o Martim chega ao final do mês de agosto deste ano com pouco mais de 35.000 euros, ou seja, cerca de 45% a mais do que se tivesse deixado tudo numa conta bancária sem investimento (24.000 euros).

Visto assim, não parece ser muito, mas tendo em conta do início do projeto do Martim e os eventos posteriores, já parece algo fora do comum.

Do mesmo modo que é bastante difícil acertar no mínimo também é bastante difícil acertar no máximo.

Contudo, o Martim teve a lucidez de manter a sua estratégia mesmo quando em 2008 e 2009 os seus investimentos estavam a perder dinheiro (muito mesmo!).

Com as tensões políticas que se avizinham é necessário ter paciência para manter a sua estratégia de ações, caso contrário pode estar a sair na pior altura.

Até para semana,

Diogo Baltazar

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Diogo Baltazar, CFA, Analista Financeiro Independente, CMVM

Diogo Baltazar tem mestrado em Engenharia e Gestão Industrial pelo Instituto Superior Técnico. Trabalhou como a analista e trader na área de investimentos da Fidelidade Companhia de Seguros. CFA Charterholder pelo CFA Institute. É analista financeiro independente registado na CMVM.