#47 – Este País Não É Para Velhos?

Devido à nossa situação demográfica e à condição económica do nosso país, a segurança social terá, mais cedo ou mais tarde, dificuldades em manter o atual sistema.

Maior Menor
14 de Dezembro de 2017

Caro leitor,

Agora que 2017 está a acabar, olhamos para este primeiro ano que passou com um sentimento de nostalgia.

Abordámos diversos temas com o objetivo de irmos instruíndo os nossos leitores, mas também de dar-lhes uma introspeção e perceção das bolsas e da situação económica deste nosso mundo, que tem cada vez menos barreiras para quem quer investir.

Recordo-me que um dos temas que mais despertou a curiosidade dos nossos leitores foi a reforma.

Em “Uma Necessidade Que Ninguém Vê”, referimo-nos à segurança que os portugueses têm no atual sistema da segurança social.

No entanto, devido à nossa situação demográfica e à condição económica do nosso país (mesmo com o crescimento os próximos anos estaremos a pagar uma longa dívida), a segurança social terá, mais cedo ou mais tarde, dificuldades em manter o atual sistema.

Basicamente, deveria funcionar como um fundo de investimento, onde os investidores colocam o seu dinheiro num bolo, este é investido e à chegada da reforma, recebem progressivamente em forma de renda vitalícia.

Ora, com a situação demográfica a agravar-se (a população cada vez mais envelhecida e uma baixa natalidade) e sem a possibilidade de o Estado contribuir para a segurança social (nem o devia fazer, pois deveria ser autossustentável), mais cedo ou mais tarde a atual estrutura vai ter de mudar.

E nessa altura, das duas uma:

Ou o contribuinte paga mais – equivalente a um aumento de impostos – ou os pensionistas passam a receber menos.

Provavelmente o compromisso dever-se-á ficar por algo no meio, o que significa que os pensionistas do futuro receberão menos (seja nominalmente ou mascarado pela inflação).

O leitor não nos leve a mal, o nosso objetivo não é assustá-lo, mas sim que consiga fazer dinheiro com o seu dinheiro e não que fique dependente de imprevistos futuros – todos temos a experiência da mais recente crise.

Nesse sentido, apresentamos de seguida aqui no Caçador de Valor algumas das soluções que usamos na filosofia de investimentos d’As Melhores Ações da Bolsa.

 

Sit On Your Ass

 

Em “Sentado e a Fazer Dinheiro” sugerimos uma estratégia que está muito associada a Charlie Munger e a Warren Buffett.

O conceito de “sit on your ass”, cunhado por Munger e que segue a filosofia de comprar ações extraordinárias e nunca as vender.

São empresas que ao longo do tempo têm um modelo de negócio resiliente, capaz de crescer e adaptar-se a novas situações.

É o clássico “buy and hold”, mas que aqui caracterizado pela compra de ótimas empresas quando estas não estão nas graças do mercado – que também referimos em “Baratas e Feias”.

Esta estratégia tem ainda a vantagem de pagar menos aos bancos, ouvir menos absurdos e beneficiar do sistema fiscal.

Quando recomendamos ações n’As Melhores Ações da Bolsa, são aquelas que andamos à procura.

Nem sempre as vamos encontrar e vão existir ações que vamos acabar por recomendar vender, mas sempre com o objetivo final de encontrar empresas “sit on your ass”.

 

Dividendos Aristocratas

 

Em “Dividendos Aristocratas Para Multiplica o Seu Património” sugerimos outra estratégia.

As empresas aristocratas são aquelas que têm apresentado subidas sucessivas dos dividendos nos últimos 25 anos.

A diferença fundamental destas empresas em relação às restantes é o risco.

As boas empresas com resultados sustentáveis acabam por distribuir dividendos e não vão à falência só porque a economia afunda.

Em tempos de crise são as que perdem menos e, apesar de geralmente verem os seus resultados revistos em baixa, aguentam-se e continuam a pagar o dividendo.

O dividendo é o factor principal na seleção de uma empresa, mas é o reflexo de uma empresa bastante sólida.

Se só analisarmos o dividendo poderemos cair numa armadilha, como referimos em “Armadilha do Dividendo – CTT”, onde mostrámos como seria difícil os CTT conseguirem manter o elevado dividendo e ao mesmo tempo financiar as suas próprias operações.

 

 

Sem solução nos produtos tradicionais

 

A maioria das pessoas não gosta de pensar a longo prazo e muito menos planeia poupar para a reforma.

No entanto, as pessoas estão a reformar-se com mais saúde e com um estilo de vida mais ativo.

Com as atuais taxas de juro nos depósitos a prazo, dificilmente conseguirá fazer multiplicar as suas poupanças de modo a conseguir obter um rendimento extra para manter o seu atual estilo de vida.

E gastar as poupanças até estas acabarem não é, claramente, a opção mais viável.

Pois não conseguirá repor o dinheiro à mesma velocidade que o retira durante mais de 30 anos.

Considerando as atuais baixas taxas de juro – que o ex-CEO da PIMCO, Mohamed El-Erian, chamou de “o novo normal” – temos de passar a pensar num plano para reforma mais arrojado uma vez que já não chega ser conservador como antigamente.

Até para semana,

Diogo Baltazar