#48 – O que é que o poker e os investimentos têm em comum?
Não é coincidência que muitos investidores adorem o poker, porque, por definição, é um jogo de gestão de risco com um ritmo acelerado, com variáveis desconhecidas e com um potencial para grandes ganhos.
Caro leitor,
A popularidade do poker nas últimas décadas tem explodido e independentemente de o leitor estar a par da tendência, existem algumas lições que se podem aprender com aqueles que conseguiram fazer dinheiro durante vários anos.
Não é coincidência que muitos investidores adorem o poker, porque, por definição, é um jogo de gestão de risco com um ritmo acelerado, com variáveis desconhecidas e com um potencial para grandes ganhos e que pode ser comparado com o dia-a-dia dos mercados financeiros.
Muitos investidores conhecidos, como David Einhorn do Greenlight Capital, Ken Griffin do Citadel ou Jim Simons do Renaissance Technologies, jogam poker frequentemente e até entram em torneios profissionais.
Todavia, o poker é muitas vezes confundido com os restantes jogos de fortuna ou azar.
Mas, na verdade, não o é, pois depende mais das decisões dos jogadores do que das probabilidades relacionadas com as cartas.
Isto não quer dizer que não se perdem mãos… até os melhores jogadores perdem, mas a longo prazo os bons jogadores conseguem obter uma taxa de sucesso bastante alta.
Parece-lhe algo familiar?
Não tenha esperança
Um dos erros de principiante é manter-se na esperança de que uma carta com baixa probabilidade de sair transforme a sua fraca mão numa extraordinária.
“Se sair aquele às de espadas…”
A esperança destrói qualquer investidor, tal e qual como no poker.
Pode sempre esperar por essa carta improvável.
É verdade que pode ter sorte, mas o mais provável é que isso não venha a acontecer.
O mesmo é verdade no investimento em ações.
Invista apenas em empresas que tem um caminho claro para o crescimento.
Muitos investidores investem em empresas que prometem a “cura para o cancro” ou a “ida à lua”.
A maioria perde tudo neste tipo de negócios, simplesmente porque o negócio não tem pernas para andar.
O que nos leva a um segundo paralelismo com o poker.
Mais uma vez as emoções pregam-nos partidas
O poker tem muito a ver com a psicologia individual dos jogadores, contudo na bolsa tem mais a ver com a psicologia do coletivo.
Em todos os tipos de poker a parte matemática é bastante simples.
Depois disso o sucesso depende apenas da aplicação da experiência adquirida.
Olhar para o outro jogador, lembrar-se do seu método de jogo e perceber se ele tem vantagem ou não.
Já nos investimentos, é inútil especular o estado emocional de cada indivíduo no mercado, simplesmente porque são demasiados e alguns nem são humanos.
Compreender e estudar o comportamento de manada é algo muito mais útil nos mercados financeiros – tal como no poker, temos de entender o funcionamento dos intervenientes para além do fundamentais matemáticos.
O mercado existe para nos servir
No poker ninguém nos obriga a apostar em todas as mãos.
Podemos escolher que mãos jogar e não jogar.
Assim, as cartas que nos são dadas estão ali para nos servir e não para nos informar daquilo que temos.
Warren Buffett usava a mesma expressão para os mercados: “O mercado existe para o servir, não para o informar”.
Não temos que aceitar sempre a cotação que o mercado nos dá – seja na compra, seja na venda.
Ben Graham usava uma parábola que Buffett usa frequentemente.
Imagine que o mercado é uma pessoa, o Sr. Mercado, que está disposto e disponível a comprar-lhe ou a vender-lhe qualquer ação.
O Sr. Mercado é, na maioria das vezes, racional e os preços que oferece são justos, mas, ocasionalmente, torna-se emocional ou irracional e os preços movem-se rapidamente numa direção ou noutra.
Quando está racional não oferece grandes negócios e é livre de o ignorar (daí a importância da paciência).
Todavia, quando está ganancioso pode vender-lhe com um prémio e quando está receoso pode comprar-lhe com um desconto.
Não subestime a sua inteligência porque normalmente o Sr. Mercado está correto e por isso é que é necessária uma análise detalhada e aprofundada de um investimento.
Mas também não fique na esperança de obter orientação da parte dele sobre o valor dos ativos.
Em vez disso, procure oportunidades quando os preços divergem do valor real.
Até para a semana,
Diogo Baltazar