#50 – Qual o seu Cisne Negro para 2018?

Quem já conhece o conceito do cisne negro, provavelmente também já ouviu falar do seu autor Nassim Taleb – “espere o inesperado”.

Maior Menor
4 de Janeiro de 2018

Caro leitor,

Quem já conhece o conceito do cisne negro, provavelmente também já ouviu falar do seu autor Nassim Taleb – “espere o inesperado”.

Infelizmente, a maioria das pessoas não aderem a este conselho.

Para muitos, algo que tem pouca probabilidade de acontecer, é ignorado ou classificado como sem importância.

Contudo, nós aqui na Empiricus já vimos exatamente o oposto.

Deixe-me nomear uns quantos: a bolha das tecnológicas em 2000/01 e consequente queda, os ataques terroristas do 11 de setembro, a crise financeira de 2008 e, mais recentemente, o Brexit.

Em cada uma dessas situações, as pessoas assumem que algo assim nunca mais voltará a acontecer.

Estes eventos imprevisíveis acontecem de uma forma inesperada.

Nassim Taleb, no seu livro “O Cisno Negro”, argumenta precisamente este ponto e de uma forma muito mais convincente do que eu consigo aqui, com tão poucas palavras.

Ele descreve um Cisne Negro como um evento que é muito improvável ou imprevisível e com um elevado impacto.

Em “Uma subida de 30 por cento para a bolsa”, referimo-nos exatamente a este tema e que a possibilidade de o PSI-20 chegar aos 6.000 em 2017 seria um Cisne Negro.

No início de 2017, o sentimento económico não era o mesmo que atualmente temos em Portugal.

Ainda não tinham saído os dados do primeiro trimestre do ano, as taxas de juro da dívida pública a 10 anos estavam nos 4% e ainda éramos considerados lixo pelas três maiores agências de rating.

Mesmo o PSI-20, que tinha vindo de mais um ano negativo em 2016, nos primeiros meses de 2017 mal se mexia.

Contudo, fechou o ano, não com uns inesperados 6.000 pontos, mas com uns 5.350 e um ganho de 15% (mais coisa, menos coisa).

E isto sem contarmos com os dividendos – que elevam a um retorno total de 19%.

Assim, como no ano passado, este ano vamos começar com o que nós consideramos ser os cinco Cisnes Negros para 2018.

 

PSI-20 nos 7.000

 

Sem a entrada de investidores estrangeiros, o PSI-20 tem pouca possibilidade de subir a um patamar mais elevado.

Assim, e apesar do progresso económico português, o mercado ainda se encontra muito desconfiado com a nossa situação económica.

O recente resgate ainda está muito presente nas cabeças dos investidores, continuamos com uma dívida elevada e temos ainda uma grande necessidade de implementar reformas.

Portanto, não é de espantar que ninguém queira pôr dinheiro na bolsa portuguesa.

Daí certamente que um PSI-20 nos 7.000 pontos (um retorno de 30%) seria algo inesperado.

 

CTT – Vai subir 70% em 2018?

 

Este ano a pior ação do PSI foi a dos CTT.

Foi a única a fechar em terreno negativo (-40%) e que continua em grandes dificuldades, entre um negócio em declínio, um novo negócio num mercado extramente competitivo e um dividendo elevado – como tínhamos referido em “Armadilha do dividendo – CTT?”.

Um corte no dividendo chegou no final de 2017, mas parece que ainda não chega.

Ora, assim se os CTT chegarem aos €6 (+70%) no final de 2018 ficaríamos todos muitos espantados.

 

 

Itália – Saída do Euro?

 

Do lado negativo, na Europa temos as eleições italianas.

Tal e qual como no referendo no Reino Unido, não se esperam grandes impactos extremos na União Europeia.

Não que não existam partidos com vontade de sair da UE – existem vários até e bem posicionados nas sondagens – mas o sistema eleitoral italiano é tão burocrático que faz com que seja quase obrigatória uma coligação após as eleições, sem nenhum partido ter maioria.

No entanto, o cenário inesperado seria uma situação em que os dois partidos anti-europa – o Movimento 5 Stelle e a Lega Nord – conseguissem obter ambos mais de 50% dos votos, coligarem-se e depois darem início ao processo de saída de Itália da União Europeia.

As consequências da saída do terceiro maior país e membro fundador levariam, certamente, a uma possível queda do bloco europeu.

 

EUR/USD – Paridade em 2018

 

Desde que Draghi largou a “bazuca” no início de 2015 que o programa de compras do BCE já adquiriu quase €2.000 mil milhões em ativos, as taxas de juro atingiram mínimos históricos e o euro caiu dos altos 1.30 contra o dólar.

Desde então, o euro já esteve, por várias vezes, para chegar à paridade com o dólar.

Para o final de 2015 os analistas anunciaram a paridade, e estiveram perto, chegando a bater nos 1,086.

Para o final de 2016 alguns analistas fizeram a mesma previsão, chegando o valor do euro contra o dólar ainda mais perto – nos 1,049.

Contudo, em 2017 a maioria dos analistas tinha deixado essa possibilidade de fora.

Para 2018, com o fim do programa de compras do BCE – apesar de gradual – o cenário de paridade é tido com muito improvável.

Ora, assim o nosso quarto Cisne Negro é a paridade do euro-dólar.

O dólar esteve todo o ano de 2017 a desvalorizar-se, mas desde a aprovação da nova reforma fiscal que os EUA são vistos como um novo destino para o investimento.

Um acentuar das divergências nas políticas monetárias dos diferentes blocos poderá levar a uma forte queda do euro, chegando mesmo à paridade.

 

Bitcoin – 100.000?

 

Como último Cisne Negro não poderíamos de deixar as criptomoedas de fora.

Parece-lhe improvável que a Bitcoin chegue aos $100.000?

Com as recentes oscilações, certamente.

Em 2017 subiu 1000% e se fizer um feito semelhante em 2018 certamente chegará à marca dos $100.000.

Ainda existem muitos céticos a serem convertidos e quando passar os $20.000 e os $50.000 o famoso FOMA – fear of missing out – vai-se apoderar das pessoas e daí até aos $100.000 é apenas um pequeno passo.

Começámos o ano com os nossos Cisnes Negros para 2018.

E para o leitor, qual é o seu Cisne Negro para 2018?

Até para a semana,

Diogo Baltazar