#52 – O Atual Efeito de Riqueza do Mercado

Para se perceber em que fase estamos no mercado temos de olhar para o que está a impulsionar as subidas das ações. Nos dias de hoje, estamos no meio daquilo a que se chama de “efeito de riqueza”.

Maior Menor
19 de Janeiro de 2018

Caro leitor,

Para se perceber em que fase estamos no mercado temos de olhar para o que está a impulsionar as subidas das ações.

Nos dias de hoje, estamos no meio daquilo a que se chama de “efeito de riqueza”.

Este efeito é uma força poderosa que impulsiona tanto o mercado de ações como a economia.

E em 2017, os investidores, consumidores e cidadãos no geral sentiram cada vez mais o “efeito de riqueza”.

Este sentimento vê-se nos indicadores do nível de confiança, assim como na maneira como os investidores estão a alocar o seu capital.

Uma corretora americana – Charles Schwab – divulgou que os seus clientes tinham a mais pequena proporção dos seus patrimónios alocado em dinheiro de sempre.

Isto significa que os investidores estão cada vez mais a colocarem o dinheiro nos mercados devido às recentes subidas no mercado de ações.

Este cenário tem uma tendência que se autossustenta, pois quanto mais pessoas acreditarem no mercado, mais investem.

E quanto mais investirem, mais o mercado sobe.

Além de um mercado de ações com uma tendência forte, temos também um mercado imobiliário mais robusto do que tínhamos há uns anos – e que se aplica tanto lá fora como cá dentro.

Existe uma grande quantidade de compradores e poucas casas novas disponíveis para venda e claro que o preço tem vindo a subir devido a este desequilíbrio entre a procura e a oferta.

Com estas subidas, os atuais proprietários sentem que as suas casas valem mais e tendem a consumir mais agressivamente.

E depois temos um mercado de trabalho a apertar.

O desemprego continua a cair e nalguns setores já se sente a falta de mão de obra qualificada.

Claro que isto é muito bom para quem anda à procura de emprego ou para quem anda à procura de um salário mais alto.

Tudo tem vindo a subir e o “efeito de riqueza” está a atingir o pleno vigor.

Com os preços das casas a impulsionarem a despesa, as empresas têm mais lucros.

Consequentemente, pagam melhores salários e contratam mais colaboradores, que gastam mais e investem no mercado.

Este “efeito de riqueza” não é infinito, mas ainda tem munições para avançar mais.

Tenha Sempre Uma Alocação Adequada

Contudo, é nestas alturas que se criam os desequilíbrios na sua carteira e por isso é que é importante ter uma alocação adequada.

Por outras palavras, não coloque todos os ovos no mesmo cesto.

Todos sabemos que o mercado tem altos e baixos, mas precisar com exatidão quando vão acontecer é extremamente difícil

Na verdade, é uma mera sorte adivinhar o ponto mais alto ou mais baixo e por isso – volto a dizer – é que a alocação é tão importante.

A sua carteira precisa de incluir investimentos que sobem com um bull market e que sobem num bear market – falamos de ambos na série Carta Empiricus.

Seja Paciente

Como Warren Buffett diz “o mercado de ações é um instrumento para transferir dinheiro do impaciente para o paciente”.

Como afirmei anteriormente, é impossível adivinhar o ponto mais baixo ou mais alto do mercado, o que se aplica igualmente para o preço das ações de uma empresa.

Se decidir comprar uma ação após uma correção, não se admire se não conseguir acertar no ponto mais baixo e que a correção continue por mais algum tempo.

As probabilidades não estão do seu lado.

Mas o que pode fazer é manter a sua convicção e não venda imediatamente com uma perda.

Lembre-se que se deve investir a longo prazo.

Invista no Que Conhece

Todavia, se for novo nestas andanças – e mesmo se não for – umas das maneiras mais fáceis de aprender sobre os meandros da bolsa é investir numa empresa que já conhece.

Assim, vai ver que vai conseguir perceber com mais facilidade as notícias e como os resultados afetam o preço das ações.

A melhor parte desta estratégia é que assim que se familiarizar com uma empresa e como as ações reagem a certos eventos, vai também perceber como a concorrência funciona.

Isto é válido porque, no mesmo setor, as empresas tendem a comportarem-se da mesma forma.

Estas são apenas algumas das estratégias que cada value investor deveria incorporar na sua estratégia de investimento e que muitas vezes debatemos aqui no Caçador de Valor.

Desta forma poderá aproveitar o “efeito de riqueza” sem incorrer em riscos excessivos.

Até para semana,

Diogo Baltazar