#53 – Em Contagem Decrescente Para Uma Correção Nos Mercados

As correções são inevitáveis. Quando o mercado está a subir, os investidores querem entrar para apanhar a tendência, o que leva por vezes a exageros, ficando os preços bem acima do seu valor justo. Assim, uma correção é quando os preços voltam para níveis mais racionais.

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Por 29 de Janeiro de 2018

Caro leitor,

O mercado norte-americano está numa fase de extrema tranquilidade.

Já vamos com 413 dias sem uma correção superior a 5% – um novo record, ultrapassando os 394 dias seguidos do final dos anos 90.

Temos de ir até junho de 2016 – semanas antes de Trump conseguir a nomeação republicana – para encontrarmos uma altura em que o S&P 500 sofreu um recuo de 5%.

É verdade que aqui na Europa estamos num mercado diferente, mas é impossível ficar indiferente ao maior mercado de capitais do planeta, cujos movimentos, por norma, têm repercussões um pouco por todo o mundo.

Mas será que estes bons tempos em Wall Street alguma vez irão acabar?

Normalmente, o mercado de ações tende a durar mais tempo do que as pessoas esperam.

Contudo, é provável que no curto prazo venhamos a ter um recuo ou uma pausa.

Visto que nos últimos meses tivemos uma longa subida, observarmos alguma inquietação durante a época de resultados não será surpreendente.

O que não significa que deva vender as suas ações para depois tentar comprá-las a um preço mais barato (uma estratégia que, por muito atrativa que pareça, raramente corre bem).

Mas é um sinal de que temos de ter alguma cautela na altura de comprar.

Dito isto, continuamos otimistas e a invulgar solidez do ano passado é um sinal de que este bull market ainda tem pernas para andar ao continuar a verificar-se uma volatilidade baixa e uma economia robusta.

 

O que causa uma correção?

Tipicamente é um evento que cria pânico e vendas sucessivas.

Podem ser momentos angustiantes.

Muitos dos investidores menos experientes sentiram a sensação de se juntarem à correria para vender.

Mas esta é precisamente a decisão errada a tomar.

E porquê?

Porque, normalmente, o mercado de ações recupera nos meses seguintes.

As correções são inevitáveis.

Quando o mercado está a subir, os investidores querem entrar para apanhar a tendência, o que leva por vezes a exageros, ficando os preços bem acima do seu valor justo.

Assim, uma correção é quando os preços voltam para níveis mais racionais.

 

Correção versus Crash

Um crash na bolsa acontece quando os preços caem mais de 10% num só dia.

Os crashes são muitas vezes caracterizados por um bear market onde, após uma queda de 10%, o mercado continua a cair mais 10% nas semanas seguintes, fazendo com que a queda total do mercado seja de 20% ou mais.

Um crash está muitas vezes associado a uma recessão económica.

Os lucros das empresas começam a ser afetados, o que dá origem a reestruturações, despedimentos e contenção na despesa.

Isto leva a menos receitas seguidas de mais despedimentos e menos investimento.

Com a continuação do declínio no mercado de ações e na economia entra-se numa recessão.

Contudo, esta não é a situação dos dias de hoje.

A calmaria na bolsa deixa perplexos mesmo os mais experientes. No entanto, não vai continuar para sempre.

Devemos esperar uma turbulência de curto prazo, que nalgum momento se deve traduzir numa correção de 5% na bolsa.

Quando chegar a altura não comece logo a vender as suas ações – simplesmente porque a história diz-nos que uma correção está iminente.

Se o fizer, provavelmente vai perder os ganhos dos meses seguintes.

É verdade que estamos em contagem decrescente, mas é no sentido figurativo.

Tal e qual como no críquete ou no basebol, na bolsa não existe um tempo de jogo.

É sempre possível jogar mais uma ronda (inning) antes do jogo acabar.

E é possível que ainda haja mais algumas rondas para se jogar.

Até para a semana,

Diogo Baltazar

Diogo Baltazar, CFA, Analista Financeiro Independente, CMVM

Diogo Baltazar tem mestrado em Engenharia e Gestão Industrial pelo Instituto Superior Técnico. Trabalhou como a analista e trader na área de investimentos da Fidelidade Companhia de Seguros. CFA Charterholder pelo CFA Institute. É analista financeiro independente registado na CMVM.