#55 – Uma Viagem Alucinante

Quando e como o mercado sobe e desce deve ajudar-nos a perceber como devemos agir ao regresso de um mercado mais excitante. Aperte bem o cinto, pois vai ser uma viagem alucinante…

Maior Menor
9 de Fevereiro de 2018

Caro leitor,

Há duas semanas, aqui no Caçador de Valor – “Em Contagem Decrescente Para Uma Correção Nos Mercados” – escrevi que as correções são inevitáveis, mas que existe uma diferença entre uma correção e um crash.

E logo esta semana, não se fala de outra coisa se não da agressiva correção de terça-feira nos Estados Unidos e que continua hoje.

No início desta semana os investidores enfrentaram a maior queda dos últimos tempos, onde alguns dos maiores índices tiveram a sua pior queda dos últimos seis anos.

Os mercados americanos fecharam na terça-feira a perder 4,1%, o japonês tinha na madrugada perdido 4,73% e na Europa o Dax fechou a perder 2,32% e o Eurostoxx 50 a cair 2,41%.

Numa dramática mudança e num espaço de poucos dias, os índices arrefeceram drasticamente a sua sobrevalorização.

A carnificina foi (e ainda continua a ser) a grande história para a maioria dos órgãos de comunicação social.

Toda a gente quer saber o que é que desencadeou a venda desenfreada – foram os resultados? Algo que os bancos centrais tenham dito? Ou foi mais um tweet de Trump?

Nada disso.

Investidores esquecem que as ações sobem e descem

A verdade é que os mercados tinham vindo a subir sistematicamente sem grandes correções.

As ações estavam na baila e a volatilidade nem vê-la.

Alguma coisa tinha que ceder.


Fonte: Bloomberg; S&P 500 Index

Veja bem, o S&P 500 vinha a subir de um modo constante nos últimos 15 meses.

Consegue-se ver facilmente o padrão de subida durante o ano de 2017.

Foi uma subida histórica, sem grandes sustos ou eventos negativos – apenas uma constante e aborrecida subida.

Mas veja como a tendência acelerou em janeiro.

As ações subiam parabolicamente, atingindo novos máximos todos os dias.

No final do mês as ações tinham subido cerca de 7%.

Isto é, claramente, insustentável.

Mas os investidores não se importaram.

Estavam a fazer dinheiro e dormiam nas nuvens porque estávamos num mercado sem quedas.

Por isso, é sem surpresa que a queda de 4% tenha gerado um sentimento de pânico.

As pessoas estavam esquecidas da sensação de uma queda com esta magnitude.

Mas nem tudo está perdido, claro.

Estas quedas foram apenas um alívio para as elevadas avaliações.

Os fundamentais que motivavam a rápida ascensão de janeiro não desapareceram de um dia para ou outro e ainda vamos no começo do ano.

Isto deve ajudar a pôr esta semana em perspetiva.

E a culpa é da volatilidade

Mas acredita que os grandes perdedores de terça-feira não foram aqueles que estavam investidos em ações?

Ao que parece, os traders de volatilidade foram os mais afetados, o que causou o pânico em áreas do mercado que se calhar nem conhece.

A calma subida incentivou grandes apostas contra a volatilidade usando um fundo chamado Velocity Velocity Shares Daily Inverse VIX Short Term ETN (XIV).

Este veículo sobe quando a volatilidade desce.

Naturalmente alguns traders viram esta jogada como um investimento “sem risco” e colocavam novas apostas sempre que o mercado descia.

E sempre que o mercado subia eles conseguiam arrecadar bons lucros.

Não foi o que aconteceu na terça-feira.

Desta vez o mercado desabou fortemente, as ações caíram e a volatilidade disparou.


Fonte: Bloomberg; VIX

Isto levou a que o XIV tivesse uma queda de 14%.

Mas o pânico instalou-se e o desabamento veio depois de o mercado fechar.

Caiu a pique e perdia mais de 90%, até as ações do ETF acabaram por ser suspensas.


Fonte: Bloomberg; Velocity Velocity Shares Daily Inverse VIX Short Term ETN (XIV)

Um trader num fórum de volatilidade colocou o seu desespero:

“Perdi $4 milhões, 3 anos de trabalho e o dinheiro de outras pessoas”.

Temos, assim, de ficar atentos a estes sinais de contágio e agir apropriadamente.

Mas sem contar com este evento assustador, devemos olhar para a frente e perceber que depois da tempestade vem a bonança e uma nova tendência de subida poderá seguir-se.

Quando e como o mercado sobe e desce deve ajudar-nos a perceber como devemos agir ao regresso de um mercado mais excitante.

Aperte bem o cinto, pois vai ser uma viagem alucinante…

Até para a semana,

Diogo Baltazar