#56 – 4 regras para sobreviver a um crash

Com uma expectativa de um 2018 mais excitante que 2017, achamos que esta é a melhor altura para falarmos sobre algumas regras essenciais para se proteger como investidor durante um período de queda nos mercados.

Maior Menor
20 de Fevereiro de 2018

Caro leitor,

Nas últimas semanas começaram a circular inúmeras notícias e opiniões de que poderíamos estar a entrar num bear market.

Na passada quinta-feira, o S&P 500 bateu no fundo a perder cerca de 10% desde os máximos de final de janeiro.

O CBOE Volatility Index, que serve de medida para o nível de “medo” no mercado, disparou para além dos 100% chegando ao nível de 37 – algo que não se via desde 2015.

Nem mesmo no Brexit tal aconteceu.

Como já é normal, os jornais económicos fazem estas situações parecerem sempre pior do que na realidade são.

Contudo – e estranhamente – começaram a desvalorizar-se as quedas abruptas e a afirmarem que apenas é apenas uma correção.

Desde dessa altura que o mercado tem vindo a subir, revertendo assim a tendência de queda.

Porém, os níveis de incerteza e de volatilidade mantêm-se.

Por definição ainda não estamos perante um crash, mas não temos dúvidas de que nestas ultimas duas semanas temos visto uma redução do nível de confiança dos investidores.

Assim, com uma expectativa de um 2018 mais excitante que 2017, achamos que esta é a melhor altura para falarmos sobre algumas regras essenciais para se proteger como investidor durante um período de queda nos mercados.

Regra #1: Não leve as mãos à cabeça em desespero

Quando a bolsa começa a entrar em liquidação total, os investidores mais inexperientes muitas vezes assustam-se e viram as costas ao mercado por completo.

Por norma, isto é um dos maiores erros que se cometem porque é nestas alturas que as grandes oportunidades surgem.

Para já, no início nunca se sabe se estamos perante uma correção ou crash.

Se está com medo de um colapso, mas no final de contas é apenas uma correção, vai perder a recuperação que se segue.

O dinheiro que poderia ter feito e que não fez, por vezes é o equivalente a tê-lo perdido.

Na verdade, as melhores oportunidades surgem com as grandes quedas, pois a maioria das empresas entra em saldos.

Regra #2: Aumenta o nível de dinheiro disponível

Num mercado em queda, ou mesmo num colapso, o dinheiro é preponderante.

Até pode ser contraditório com a primeira regra, mas existe uma diferença entre evitar os mercados e manter capital de lado para investir quando boas empresas aparecem a um bom preço.

Naqueles momentos em que o mercado começa a cair o dinheiro é importante, pois os investidores começam a vender indiscriminadamente, incluindo empresas com fundamentais sólidos.

O mantra “comprar baixo e vender alto” aplica-se em particular neste tipo de empresas.

Ou seja, um bear market é, na verdade, uma grande oportunidade para comprar uma posição a longo prazo numa empresa sólida e por esta razão é que vai querer ter dinheiro disponível para quando estas ações caírem.

Regra #3 Realoque para reduzir o risco

Ter dinheiro disponível é apenas o primeiro passo na sua alocação.

Quando os mercados estão incertos, é possível reduzir o risco ao alocar em vários setores e diferentes veículos.

De um modo geral vai querer ativos que tenham pouca correlação com as ações, como dinheiro – que apresenta muito pouco risco, a não ser o da inflação –, o ouro ou o imobiliário.

Regra #4: Mantenha as emoções controladas

Controlar as suas emoções quando as manchetes dos jornais não falam de outra coisa a não ser nas quedas abruptas da bolsa, não é coisa fácil.

Todavia, deixar-se levar pelas emoções nestas alturas é uma das piores coisas que um investidor pode fazer.

Tente sempre estar consciente das suas emoções e garanta que não elas não influenciam as suas as decisões.

Ajuda também ter a consciência que, regra geral, é bastante difícil acertar na altura certa para entrar e para sair de uma posição.

Existe sempre um intervalo entre a melhor altura para entrar e a altura em descobrimos que o crash já esta no ponto mais baixo.

Uma análise nos últimos 30 anos demonstra que as saídas de capital na bolsa atingem máximos quando o mercado bate nos mínimos e as entradas de capital na bolsa atingem máximos quando o mercado bate máximos.

Assim, para se fazer dinheiro na bolsa não nos chega apenas seguir a tendência, por vezes temos de ir na vanguarda da tendência.

Até para a semana,

Diogo Baltazar