#61 – O homem mais rico do seu tempo

A história da vida de Paul Getty é inspiradora, mas o que torna este livro imprescindível são os seus conselhos claros e honestos.

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Por 22 de Março de 2018

Caro leitor,

“Todo o Dinheiro do Mundo” é um daqueles filmes que apenas se tornou famoso devido à polémica envolta de Kevin Spacey.

Apesar da história verdadeira, para quem apenas viu o filme fica a saber muito pouco sobre a extraordinária vida de J. Paul Getty.

O seu livro – “Como Ser Rico” – é um daqueles que deveríamos ler pelo menos uma vez na vida.

A história da vida de Paul Getty é inspiradora, mas o que torna este livro imprescindível são os seus conselhos claros e honestos.

Teve a sorte de ter o senso comum e o petróleo a correrem-lhe nas veias em proporções equivalentes.

O seu pai era um advogado de sucesso que se mudou para o Oklahoma durante o boom do petróleo no início do século XX e J. Paul Getty cresceu das entranhas do negócio começando com o trabalho árduo e colocando a mãos na terra antes de se aventurar por si mesmo.

Sem dinheiro na altura, no primeiro negócio com um prospetor de petróleo recebia 15% dos lucros para operar um poço de petróleo.

Desses 15%, 70% foram para o pai que lhe forneceu o equipamento, enquanto J. Paul Getty trabalhava diretamente na operação com os restantes funcionários.

Com a sua rápida ascensão, aos 24 anos já era milionário e a sua próxima jogada foi mudar-se para a Califórnia para explorar petróleo.

O dinheiro que obtinha no negócio, investia em imobiliário e ações.

O que torna a história de Getty tão especial não é apenas a forma como ficou rico, mas sim, a vida preenchida e realizada que teve.

Do ponto de vista de J. Paul Getty a chave é ser inconformado, independente e disposto a desafiar a opinião generalizada.

Aqui ficam algumas das lições retiradas de um dos homens mais bem-sucedido do mundo e que pode ser aplicada a cada pessoa, investidor e empreendedor.

Seja sorrateiro

Não precisa de contar o seu plano a toda a gente.

Getty conseguiu o seu primeiro poço de petróleo numa licitação por apenas $500 usando o banco com procurador, assustando muitos dos concorrentes.

Separe os factos das opiniões

Paul Getty sempre tentou ir ao cerne da questão na procura por factos e sempre desafiou a opinião dos “especialistas”.

No início quando começou era um dos poucos prospetores que usava estudos geológicos para lhe ajudarem a tomar decisões de investimento.

Independente e contra o consenso

Getty desprezava o senso comum.

Para ele o importante era ser independente, trabalhar junto dos funcionários nos poços e ser mais esperto que as grandes empresas.

Na verdade, é difícil imaginá-lo num escritório sentado no seu cubículo – ele assinava os contractos no capo da sua velha pickup.

Oportunidades no exterior e aprenda com os seus erros

Paul Getty era um homem à frente do seu tempo, pois percebia que existiam enormes potencialidades nos mercados internacionais.

No seu livro encoraja o leitor a olhar para oportunidades noutros mercados.

Para além disto, uma das características de que eu mais gosto em Getty é que ele não sacode a água do capote e admite os seus erros.

Getty admitiu que deixou passar uma excelente oportunidade de conseguir se posicionar no Médio Oriente nos anos 30.

Apenas conseguiu entrar no mercado mais tarde em 1946, com um preço bem mais elevado, mas mesmo assim um bom negócio.

Ser paciente e ter visão

Getty era um mestre em descobrir e tirar partido de ações que tinham o preço deprimido em mercados pessimistas.

Muita da sua fortuna foi feita durante a grande depressão dos anos 30, numa altura em que ele conseguiu adquirir ações e imobiliário a preços muito baixos.

Para ele uma crise não era um alerta para se ser cauteloso, mas sim a oportunidade de fazer uma fortuna.

Ele escolhia as empresas criteriosamente e tinha a coragem e convicção para comprar quando os outros estavam a vender:

“Os grandes lucros vão para o investidor inteligente, cuidadoso e paciente, não para o impaciente e ansioso especulador. O investidor experiente compra quando estão em baixo, depois mantêm durante a grande subida e vende entre os altos e baixos do seu progresso”.

Investir como o J. Paul Getty pode fazer diferença no seu desempenho.

Até para a semana,

Diogo Baltazar

Diogo Baltazar, CFA, Analista Financeiro Independente, CMVM

Diogo Baltazar tem mestrado em Engenharia e Gestão Industrial pelo Instituto Superior Técnico. Trabalhou como a analista e trader na área de investimentos da Fidelidade Companhia de Seguros. CFA Charterholder pelo CFA Institute. É analista financeiro independente registado na CMVM.