#26 – Tesla vai cair a pique

Calhou em conversa há umas semanas, um amigo próximo ter-me perguntado o que eu achava do destino da Tesla e do seu fundador. A empresa tem feito sucessivas manchetes nos jornais e as suas ações têm vindo a subir vertiginosamente.

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Por 14 de julho de 2017

Caro leitor,

Elon Musk é um homem peculiar.

Calhou em conversa há umas semanas, um amigo próximo ter-me perguntado o que eu achava do destino da Tesla e do seu fundador.

A empresa tem feito sucessivas manchetes nos jornais e as suas ações têm vindo a subir vertiginosamente.

O argumento passa sempre pelo facto de que o petróleo está para acabar e que as energias renováveis e os veículos elétricos são a alternativa para um futuro melhor e mais limpo.

Este amigo afirmava, também, que a Tesla veio para revolucionar o setor automóvel.

Sem dúvida que a descrição da empresa na comunicação social faz parecer que veio do futuro.

Mas muito do mediatismo que existe à volta da construtora deve-se essencialmente ao seu CEO, Elon Musk.

Um homem de ideias extravagantes, muitas delas sem qualquer sentido económico, fez os seus primeiros milhões quando a Zip2 – empresa que desenvolveu um guia online citadino – foi vendida à Compaq e Musk recebeu 22 milhões de dólares pela sua quota-parte.

A sua visão passa por tentar mudar o mundo e a humanidade – através das suas empresas.

Se precisa de provas de que Elon tem desvirtuado as pessoas para alimentar o seu complexo de salvador, basta olhar para a Tesla – uma empresa baseada no princípio de que as alterações climáticas representam uma intolerável ameaça para a humanidade.

Se não atuarmos já, o mundo ficará 4 graus mais quente nos próximos 100 anos e um desastre acontecerá.

Obviamente que a única solução é abraçar o modelo de negócio sem lucros de Musk.

Mas primeiro, tem que ignorar que os veículos com “zero emissões”, quando estão a carregar ou a ser produzidos, também consomem combustíveis fósseis indiretamente através do mix na produção de eletricidade.

Em segundo lugar, ignore também o tempo que demora a carregar os veículos elétricos e a falta de infraestruturas nas áreas urbanas.

Por último, ignore ainda que a EPA concluiu que as baterias de lithium exacerbam os efeitos do aquecimento global, promovem o esgotamento de recursos e produzem resíduos tóxicos.

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Ora, eu até compreendo o argumento da necessidade de nos libertamos dos combustíveis fósseis, contudo fazer isto sem uma razão económica sustentável é atirar dinheiro para a rua.

Tesla chega a ultrapassar a BMW

Desde o IPO em 2010 que a Tesla nunca teve lucros e tem vindo a necessitar de sucessivos aumentos de capital, tendo sido o último em 2016 no valor de 2,3 mil milhões de dólares.

Mas vai necessitar de mais, pois não se esperam resultados positivos nem este ano, nem no próximo.

Ou seja, os investidores têm colocado dinheiro sucessivamente na empresa apenas na esperança de que num futuro – lá para 2025 – esta consiga gerar lucro e esteja na liderança do veículo elétrico.

Em abril deste ano a valorização em bolsa da Tesla passou a da GM e da Ford, e está agora no quinto lugar do ranking mundial, atrás da Toyota, Daimler, Volkswagen e BMW.

Em junho deste ano chegou mesmo a estar acima da BMW.

Fonte: Bloomberg

No entanto, a Tesla vendeu 76.285 veículos no ano passado.

Compare isto com os mais de 10 milhões vendidos mundialmente pela GM, os 6,65 milhões da Ford e os 2,36 milhões da BMW.

Isto apenas prova que o mercado não está a prestar muita atenção às ineficiências de produção da Tesla e sem colocar grandes questões, parece estar disposto a patrocinar a construção de novas linhas de montagem.

Para mim esta situação não faz sentido nenhum, principalmente quando consideramos as capacidades produtivas da GM (já para não falar das europeias e japonesas).

Neste momento a Tesla vale 800.000 dólares por cada veículo vendido em 2016, um claro exagero quando comparado com outros construtores.

Fonte: Zerohedge

Lembre-se, estamos a falar de uma empresa que tem 8,3 mil milhões em dívida, opera com uma margem líquida negativa de 12,5%, mas tem uma valorização de mercado superior à do seu concorrente mais próximo (a General Motors), apesar de apenas representar 5% da faturação.

A alternativa à lebre

Quem ainda não caiu no bizarro feitiço de Elon Musk sabe que isto é uma loucura.

Para os especuladores isto tem sido uma excelente jogada, mas agora que a Tesla é adulta e não uma startup, os números têm que falar por si mesmo.

Não digo que empresa irá à bancarrota, mas não existem dúvidas de que irá falhar as expectativas.

E quando isso acontecer, o preço das ações vão cair a pique.

A atual valorização da Tesla baseia-se simplesmente em sonhos e promessas do mediático CEO.

No entanto, os restantes construtores não vão ficar para trás e no longo prazo vão acompanhar os desenvolvimentos nestas novas tecnologias.

Quem é assinante d’As Melhores Ações da Bolsa já conhece a construtora que eu recomendo e que está melhor posicionada para abraçar este desafio (já para não falar que se encontra com preço muito atrativo).

Será a Tesla a lebre que puxa os restantes atletas nesta corrida, para depois ser ultrapassada na fase final?

Até para semana,

Diogo Baltazar

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Diogo Baltazar, CFA, Analista Financeiro Independente, CMVM

Diogo Baltazar tem mestrado em Engenharia e Gestão Industrial pelo Instituto Superior Técnico. Trabalhou como a analista e trader na área de investimentos da Fidelidade Companhia de Seguros. CFA Charterholder pelo CFA Institute. É analista financeiro independente registado na CMVM.