Por onde deve começar a investir

Perguntas como: “Começo por onde?” ou “Compro o quê?” enchem diariamente a minha caixa de e-mail. Se já passou por esta fase, salte diretamente para os textos recomendados. Se não, continue comigo.

Maior Menor
Por 9 de Abril de 2018

“Já entrou a ordem!?” – perguntou o Paulo. Tinha acabado de inserir a minha primeira ordem no sistema e tremia por todos os lados.

Carreguei no Enter, mas não fazia ideia se tinha entrado ou não. O Paulo continuou a encarar-me, e eu meio perdido, naquele desconforto dos iniciantes que não sabem para onde devem olhar.

Mexi no rato, olhei para o monitor, e lá dei com a janela das ordens em mercado: 100 mil a comprar a €2. Ufa!

O alívio na minha cara foi o sinal que o sales precisava. Voltou à conversa com o cliente…

Faz anos que inseri a minha primeira ordem na bolsa, mas ainda hoje recordo esse dia com algum saudosismo.

O texto de hoje é para o leitor, que, ao ouvir falar em fundos de investimento, ações e ETFs se sente como eu naquele primeiro dia. Perdida ou perdido.

Começar no mundo dos investimentos é sempre uma tarefa complicada.

Perguntas como: “Começo por onde?” ou “Compro o quê?” enchem diariamente a minha caixa de e-mail. Se já passou por esta fase, salte diretamente para os textos recomendados. Se não, continue comigo.

 

O primeiríssimo passo

 

Antes de começarmos a sonhar em marcar golos, temos de começar a construir a equipa lá de trás.

Para isso, vai precisar de ferramentas iguais às dos profissionais e de uma mentalidade de investidor.

O primeiro passo para construir a defesa para as suas poupanças é protegê-las do seu ímpeto consumidor. Nesse sentido, deve abrir conta numa corretora ou banco de investimento independente.

Desta forma, separa o dinheiro que precisa para o seu dia a dia, daquele que vai usar para investir.

Além disso, as corretoras de investimento independentes funcionam como uma plataforma aberta de produtos, comercializam aquilo que há de melhor no mercado, criam uma concorrência justa para os investidores e oferecem custos mais baixos de manutenção e transação, mesmo para quem dispõe de pequenos montantes.

Bancos de retalho são só para cartão de crédito, seguro do carro, débitos automáticos e financiamento de imóveis, ok?

O quadro do juro europeu

 

Como é sabido as taxas de juros nos depósitos a prazo estão muito próximas de zero.

Esta realidade é tão esdrúxula que para ganhar da inflação em depósitos a prazo só compensa se for novo cliente a cada três meses.

Os bancos mais pequenos que não conseguem captar novos clientes através de crédito, tentam aliciar clientes oferecendo depósitos especiais para novas contas.

Mas podem exigir capitais mais elevados ou até limitá-los.

Como as taxas de juros são muito baixas, nem vale a pena olhar para fundos de investimento em obrigações de curto prazo.

O restante nem vale a pena comentar, por isso, não vá em cantigas de produtos como seguros, PPRs e estruturados…

 

Que tesouro foi esse

 

A caça por melhores remunerações tem feito os portugueses direcionarem boa parte das suas poupanças para os produtos de poupança do Estado.

Durante vários anos, os CTPM foram a melhor opção dentro deste segmento.

Claro que a mama tinha de terminar…

O tesouro português passou a financiar-se a taxas mais atrativas no mercado internacional. Portanto, foi sem surpresa que no dia 30 de outubro do ano passado, tivesse suspendido a subscrição desses títulos de dívida pública.

A alternativa criada é, infelizmente, bem pior: em cinco anos, os Certificados do Tesouro Poupança Crescimento rendem metade dos seus antecessores.

Não valem a pena.

 

Bottom line

 

É bem possível que, neste momento, esteja a pensar: então Pedro, mas se tudo é tão mau, onde é que vou investir o meu dinheiro?

Existem opções mais arriscadas que deve ponderar…

Ao acompanhar as nossas séries e entender como os profissionais investem, aos poucos pode começar a investir os seus próprios ativos diretamente.

O Diogo pode ajudá-lo com o mercado acionista. O Artur pode ajudá-lo com o setor imobiliário. Ou pode experimentar o nosso novo projeto que visa muni-lo com as ferramentas para duplicar o seu património.

Não digo que este é o caminho necessariamente melhor.

Funcionou para mim. E é um começo.

Bom fim-de-semana,

Pedro Gonçalves

Pedro Gonçalves, Editor-chefe

Pedro Gonçalves foi Portfolio Manager no Millennium Investment Banking. É licenciado em Finanças pelo ISCTE – Business School e mestre em Gestão pela Universidade Católica Portuguesa. Atualmente, é editor-chefe da Empiricus Portugal.