A bolsa já nos ouve

Às 17h27, chegava à minha caixa de correio a newsletter trimestral da Euronext, a Bolsa de Lisboa. Nós pedíamos um mercado de acesso para pequenas e boas empresas e a bolsa mostrou todo o seu compromisso.

Maior Menor
Por 20 de Janeiro de 2017

.: Mais rápido do que a Anabela
.: Jheremias, não bate corner
.: Pensando com as próprias mãos
.: Ajudinha
.: Ouro com Trump ou sem Trump

00:01 - Mais rápido do que a Anabela

Próximo ao meio dia de ontem, chegava à sua caixa de correio o M5M:Uma nova bolsa em Portugal.

Às 17h27, chegava à minha caixa de correio a newsletter trimestral da Euronext, a Bolsa de Lisboa.

Ainda nem havia dado a margem de ajuda e a Anabela já estava a disparar… Madrugou!

Brincadeiras à parte e sem qualquer relação com a porta–voz (pelo amor de Deus), Maria João Carioca, CEO do grupo e que está a caminho da CGD, disse:

“Numa altura em que Portugal cada vez mais se posiciona como ‘hub’ de empresas inovadoras, faz todo o sentido a aposta do Grupo no ‘Techshare’”.

(…) “empresas de pequena dimensão, com um perfil disruptivo, com grande potencial e necessidade de internacionalização, mas dificuldade em obter financiamento pelos canais tradicionais”.

Nós pedíamos um mercado de acesso para pequenas e boas empresas e a bolsa mostrou todo o seu compromisso.

Transmissão de pensamento? Previsão do futuro? Tenho sorte de o Mr. Cético Pedro Gonçalves ainda não ter regressado de férias, se não já estava aqui ao meu lado a esbracejar…

01:00 - Jheremias, não bate corner

O minuto acima pode soar como “valorização do passe”, mas na verdade é uma confissão íntima: temos pavor em tornarmo-nos mainstream.

O analista medíocre é aquele que fala exatamente o que o consenso diz.

Todos os dias os media oferecem uma compilação de dados, informações e opinião. Isso é consenso. Não faço uma crítica à profissão, pelo contrário: os veículos de notícias em Portugal são espetaculares, dos melhores que já vi ao redor do mundo.

Mas se é uma compilação do que todos vêm, leem, pensam e acham, é consenso, e isso já está incorporado nos preços dos ativos.

O bom analista é contrarian por essência e desafia as teses de consenso. Para ganhar dinheiro no mercado é preciso procurar sempre algo que a maioria não está a ver. Esse é o nosso dever fiduciário para com os leitores.

Oferecer conteúdo, análise e recomendações de investimento que possam gerar retornos acima da média.

Eventualmente vamos dizer coisas que ninguém diz. Isso não nos torna mais inteligentes do que ninguém.

Mas uma coisa é certa: se estivermos a repetir a opinião da média, teremos retornos da média. Às vezes, a colisão é inevitável. Não podemos fugir só para sermos diferentes… é apenas frustrante.

02:00 - Pensando com as próprias mãos

Originalmente, esta newsletter deveria falar do que se passa nos mercados em 5 minutos.

Entretanto, cada vez que vemos que simplesmente não há nada de diferente ou de relevante que altere as nossas visões e convicções falaremos de outras coisas…

Traremos, por exemplo, os conceitos que norteiam os nossos processos de análise.

Uma das nossas pretensões é transmitir aos leitores pelo menos parte desse conhecimento e ensiná-los a “pensar com as próprias mãos”.

O mercado financeiro guarda certa semelhança às antigas corporações de ofício: aprende-se fazendo, bebendo da experiência de quem ali está há mais tempo.

Eventualmente traremos temas de difícil aceitação. As pessoas odeiam pensar sobre coisas más que estão a acontecer, como tal subestimam sempre essa probabilidade.

“Ah mas vocês são muito catastróficos às vezes!”. Quer ler algo confortante e aceitável, ok. A televisão, o rádio, as revistas servem para isso. As pessoas só comprarão o que está nos reclames se estiverem numa good vibe.

Aqui falaremos de ideias para ganhar dinheiro. Abra apenas o seu e-mail, se estiver preparado para isso.

Mas para já, aí vai uma paisagem do Gerês, das mais incríveis de Portugal, para deixar o nosso papo mais agradável.

pensando-com-as-proprias-maos

03:00 - Ajudinha

A CMVM proibiu ontem a venda a descoberto das ações do BCP…

Para quem não está habituado, essa é uma operação de venda dos títulos de um investidor sem que este os possua na realidade.

Na prática, essa estratégia faz sentido para aqueles que querem apostar na baixa dos títulos. O seu ganho está precisamente na diferença entre a quanto vendeu e a quanto recomprou no mercado.

Com essa ajudinha as ações sobem 3%, enquanto o PSI20 está praticamente no 0 x 0.

Ai que bom seria se proibissem para todas as ações. Acho que assim não sofreríamos a perseguição dos investidores ao redor do mundo e o PSI20 já lá ia mais acima.

ajudinha

 

04:00 - Ouro com Trump ou sem Trump

Alguns investidores não gostam de ouro porque “não tem yield”. Verdade. Mas num mundo de taxas de juros negativas, zero é um ativo de alto yield.

O ouro detém características que fazem dele uma reserva de valor clássica: fácil divisão, escassez (ao contrário das moedas, não há como imprimir-se uma maior quantidade) e perenidade (não corrói ou deteriora).

Em 2016, a valorização do ouro foi de 8%, e desde o início desse ano, subiu mais 4,5%.

ouro-com-trump

Num cenário de alta incerteza em relação aos impactos da desaceleração da economia chinesa, turbulências políticas na zona Euro e as guerras cambiais, vemos isto apenas como o início do que pode ser uma grande valorização.
Como a cereja no topo do bolo, a maioria dos anos da entrada de um novo presidente nos EUA o ouro sobe quase sempre.

Devido às políticas a que o Trump se compromete, a volatilidade nos mercados poderá levar a uma corrida ao ouro como ativo de refúgio.

ou-sem-trump

Para o investidor que deseja proteger-se de um cenário de crise global, o ativo recomendado para se ter em carteira é o ouro. How much? Algo em torno de 5-10% do património líquido pessoal parece-nos bastante adequado.

Renato Breia, CFP®, Analista-Chefe de Investimentos

Formado em Economia pela PUC-SP e Planejador Financeiro certificado pelo IBCPF. Iniciou a sua carreira como analista de ações na Link Corretora e tem experiência de mais de 12 anos em mesa de operações, gestão de fundos, relações com investidores e alocação de patrimônio.