A indefinição italiana

Tivemos o Brexit e a vitória de Trump como estandarte do ressurgimento do populismo. Agora, as eleições italianas mostram que os partidos antissistema “estão bem e recomendam-se”.

Maior Menor
Por 5 de Março de 2018

.: Negócio das notícias
.: Antissistema
.: Maioria absoluta
.: Especialmente positiva
.: Principais bolsas

00:12 - Negócio das notícias

Todas as manhãs, passeio pelos diários matutinos à procura de insights que tenham impacto na sua carteira. Sejam eles riscos ou oportunidades.

Entenda-me, não é que exista uma escassez de notícias.

Essa fonte é inesgotável.

Há uma indústria inteira focada na sua produção, disseminação e monetização.

Simplesmente nenhuma delas irá impactar o mercado a curto prazo como as legislativas italianas, mas, por agora, ninguém consegue fazer sentido dos resultados.

01:03 - Antissistema

Tivemos o Brexit e a vitória de Trump como estandarte do ressurgimento do populismo.

Agora, as eleições italianas mostram que os partidos antissistema “estão bem e recomendam-se”.

As primeiras projeções apontam o Movimento 5 Estrelas como o partido mais votado, que conquista assim 30% do eleitorado italiano.

Já a aliança de direita (a solução preferida pelo mercado) terá obtido mais lugares no parlamento, mas fica longe da maioria.

Sendo assim, com estes resultados, não existe uma solução imediata para a formação de um Governo e, para não variar, as próximas semanas serão decisivas.

02:01 - Maioria absoluta

Não havendo maioria absoluta em nenhum dos partidos, terão de ser negociadas alianças.

E neste campo as combinações possíveis são variadas, mas com programas políticos tão díspares, qualquer acordo entre as grandes forças políticas será sempre complicado e, em última análise, precário.

Basicamente é tudo uma grande salganhada.

Por último, se não houver nenhum pacto governativo, então provavelmente o presidente pedirá ao atual primeiro-ministro Gentiloni que continue a chefiar um governo provisório…

… o que seria uma solução temporária até ao anúncio de novas eleições.

03:40 - Especialmente positiva

Apear de a incerteza política não ser especialmente positiva para o bloco europeu…

… a ausência de um vencedor claro e um parlamento italiano divido é um “mal conhecido”.

A Itália é ingovernável há vários anos e parece que vai continuar assim.

Talvez, por isso, a reação do mercado aos resultados tenha sido de completa indiferença.

04:01 - Principais bolsas

As principais bolsas europeias seguem ligeiramente positivas, com destaque para a bolsa alemã que valoriza fortemente depois de na sexta-feira ter caído mais de 2%.

Ao mesmo tempo, a cotação do EUR/USD que funciona, normalmente, como um barómetro da perceção de risco dentro da área do euro, também segue inalterada…

Estes dois movimentos parecem sugerir que o mercado como um todo decidiu ignorar o tema e opera como se nada de relevante tivesse acontecido.

Vivemos tempos invulgares.

Pedro Gonçalves, Editor-chefe

Pedro Gonçalves foi Portfolio Manager no Millennium Investment Banking. É licenciado em Finanças pelo ISCTE – Business School e mestre em Gestão pela Universidade Católica Portuguesa. Atualmente, é editor-chefe da Empiricus Portugal.