A República parte III

Desde 1143, data de independência do reino de Portugal, apenas 5% da nossa história foi vivida em democracia (ou algo que o valha).

Maior Menor
Por 22 de Abril de 2016

.: Herança cultural
.: Reality check
.: Mais do mesmo
.: Chinatroubles
.: Perigo eminente

00:10 - Herança cultural

Próxima segunda-feira teremos o feriado do “25 de Abril”.

Pequena recordação que a nossa Segunda República tem apenas 42 anos.

Alguns cabelos brancos, mas ainda com uma vida inteira pela frente.

Se também contar com os sweet sixteen da instável Primeira República…

Desde 1143, data de independência do reino de Portugal, apenas 5% da nossa história foi vivida em democracia (ou algo que o valha).

Os outros 95% foram em tirania.

Talvez por isso, Governo atrás de Governo continua a lidar com os portugueses como se estes se tratassem de crianças…

01:12 - Reality check

Este “decide tudo”, vai desde o simples limite de velocidade, até aonde nós devemos gastar o dinheiro…

Para isso, usa os impostos de uns para beneficiar outros.

Durante este processo burocrático, algum desse dinheiro é perdido no caminho. Que rapidamente é compensado através de endividamento.

É, pois, natural que quem nos empresta dinheiro, exija que façamos reformas à forma como o gastamos…

Ao contrário do propagado pelo Governo, as verdadeiras reformas visam flexibilizar a economia, dando mais poder à iniciativa privada (ao indivíduo), a quem cria emprego…

O problema, outra vez, é que o Estado quer fazer tudo! E como não cede poder, o caminho mais fácil para manter as contas “equilibradas” é via impostos…

Impostos esses que o atual executivo não quer cobrar…

02:13 - Mais do mesmo

António Costa garante que: “Não serão necessárias medidas extraordinárias. Nem hoje, nem amanhã”.

Isto quando o objetivo de défice orçamental de médio prazo traçado para Portugal pelas regras europeias tornou-se mais exigente.

Jean-Claude Juncker, presidente da Comissão Europeia, já não aceita um défice estrutural de 0,5% do PIB até 2019 como assumido em Fevereiro.

Agora o país tem de garantir um excedente de 0,25% do PIB!

Foi também revelado um cenário assumido pelo próprio Governo no PEC.

Se o preço do petróleo subir 20% ou houver uma diminuição de de 2 p.p.

da procura externa, Portugal entra em recessão.

Mais! A criação de 207 mil empregos prevista no programa do PS está reduzida a 162 mil.

Centeno, prepara já as desculpas e diz que as políticas e envolvente externa são diferentes.

03:03 - Chinatroubles

Mas como nem só de Portugal vive o investidor.

Hoje quero me debruçar sobre aquele que acho ser o maior risco para economia global neste momento.

George Soros afirmou que economia chinesa o faz lembrar os EUA em 2007-08, antes do colapso no mercado de dívida hipotecária ter originado a crise mundial.

De acordo com as últimas estatísticas chinesas, a medida mais ampla de crédito novo foi de 2,34 trilhões de yuans (US $ 362 bilhões) no mês passado, ultrapassando a previsão média de 1,4 trilhões de yuan.

Se a isto juntarmos que a maior parte do dinheiro que os bancos estão a fornecer é para manter o malparado vivo e empresas deficitárias a respirar…

O stock de dívida continua a acumular-se em empresas que não têm capacidade de pagar… tem tudo para correr mal.

Nada que já não tivesse sido dito aqui.

04:00 - Perigo eminente

Isso não quer dizer que deve fechar as trancas e ficar em casa.

O mesmo bilionário que está a pensar que a China vai rebentar…

Está a pensar investir no IPO da Telepizza e já participou em força numa das últimas entradas em bolsa do país vizinho, a da gestora aeroportuária Aena, e no aumento de capital do Santander.

As boas oportunidades existem sempre.

Num cenário de sobrevalorização dos ativos, só tem de procurar melhor.

Pedro Gonçalves, Editor-chefe

Pedro Gonçalves foi Portfolio Manager no Millennium Investment Banking. É licenciado em Finanças pelo ISCTE – Business School e mestre em Gestão pela Universidade Católica Portuguesa. Atualmente, é editor-chefe da Empiricus Portugal.