A retoma europeia

As bolsas voltam a respirar de alívio: a perceção de que a correção pode ter sido exagerada alimenta a alta dos ativos de risco pelo mundo fora, à medida que os investidores regressam amiúde à caça de bagatelas.

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Por 14 de Fevereiro de 2018

.: À caça de bagatelas
.: Para o resto da vida
.: Recuperação portuguesa
.: Mr. Market
.: Obsessão

00:12 - À caça de bagatelas

As bolsas voltam a respirar de alívio: a perceção de que a correção pode ter sido exagerada alimenta a alta dos ativos de risco pelo mundo fora, à medida que os investidores regressam amiúde à caça de bagatelas.

Após movimentos de quedas expressivos é perfeitamente normal haver um período de acalmia. Veremos, no curto prazo, para que lado pende a balança.

No longo, já sabe a minha opinião…

No noticiário europeu, destaque para o crescimento melhor que o estimado da maior economia do euro.

01:04 - Para o resto da vida

A economia alemã registou um crescimento de 0,6% no último trimestre de 2017, um ritmo que confirma a robustez da retoma europeia…

Mais importante do que o que já lá vai, estes números deixam um ótimo sinal para 2018.

Claro que há quem diga que este vigor irá obrigar, mais cedo ou mais tarde, a uma reversão da política monetária acomodatícia do BCE.

Sem dúvida.

Mas o objetivo não era esse?

Ou será que estavam a contar com juros baixos para o resto da vida?

 

02:01 - Recuperação portuguesa

Também por aqui se faz sentir o efeito positivo da recuperação europeia.

A economia portuguesa cresceu 2,7% no ano passado – o valor mais alto do século XXI.

O registo supera largamente as estimativas que os analistas estimavam no início do ano.

Mais um lembrete de que a realidade não cabe numa folha de excel.

Importante agora é perceber se o bom momento é para continuar.

03:22 - Mr. Market

Lembra-se quando, do último anúncio da inflação americana, o mercado torceu o nariz e as yields dispararam nos EUA?

Pois bem, hoje à tarde serão divulgados os novos dados da inflação respeitantes ao mês de fevereiro e podem acalmar ou inflamar os temores de uma nova alta dos juros.

O motivo é elementar: se a inflação disparar, a política monetária poderá ter de dar uma contração mais forte.

Há, no entanto, quem assuma que a Fed estará disposta a deixar a inflação sair das marcas…

As previsões do Fed seguem consistentemente inconsistentes.

04:10 - Obsessão

Esta obsessão com os dados da inflação, não apenas nos EUA, mas a nível global, tem suscitado alguns receios de que os bancos centrais podem estar um pouco atrás da curva.

O medo aqui é que a inflação dispare e que os bancos centrais se vejam obrigados a elevar muito rapidamente os juros…

O que, naturalmente, provocaria uma recessão económica.

Para hoje, no entanto, o que interessa são os números de fevereiro.

Se sair abaixo do estimado, então poderemos assistir a um “rally de alívio”.

Caso contrário, a coisa pode ficar momentaneamente negra.

Pedro Gonçalves, Editor-chefe

Pedro Gonçalves foi Portfolio Manager no Millennium Investment Banking. É licenciado em Finanças pelo ISCTE – Business School e mestre em Gestão pela Universidade Católica Portuguesa. Atualmente, é editor-chefe da Empiricus Portugal.