Acabou-se a festa

Depois da festa de dinheiro grátis que catapultou os mercados acionistas para novos máximos, a Fed queria mandar toda a gente para casa.

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Por 4 de Fevereiro de 2016

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00:12 - Marcha-atrás

Fiquei intrigado com o que está a levar a esta subida nos mercados. Pouco mais de 0,5% nos principais índices europeus.

Será que os doutores que mandam na Reserva Federal Norte-Americana já tinham all figured out?

Nunca iremos saber…

Em Dezembro passado, a Fed anunciou um programa de subida gradual das taxas de juro, de forma a trazer as yields de curto-prazo para níveis “normais” até 2019.

Nota: dívida que paga zero, não é normal.

Divida US

Depois da festa de dinheiro grátis que catapultou os mercados acionistas para novos máximos, a Fed queria mandar toda a gente para casa.

Quem estava na festa não gostou: “Isto claramente vai provocar a crise que vocês tanto tentaram evitar!”

O truque na manga foi sempre: o encerramento da festa está dependente dos dados económicos.

Se estás vinculado aos números, o mais provável é aparecerem resultados de que não gostas.

01:12 - Enviesamento

Bem-dito, bem feito…

O presidente da Fed de Nova Iorque, William Dudley, comentou que as condições estão consideravelmente mais difíceis e que o Outlook para a economia global tem de ser levado em conta…

Estas declarações vieram pôr novamente em causa todo o programa de subida de taxas nos EUA…

Ao primeiro sinal de abrandamento, a Fed está disposta a desviar-se do caminho para a normalidade para salvar o mercado…

Ou para destruí-lo?

Se uma correção de 6,5% no S&P os faz repensar em tudo, imagina se tivessem na Alemanha onde o DAX destrui 12% da capitalização desde o início do ano, ou na China, onde o SCI perde mais de 20%…

Uma coisa é certa: no EUR/USD começa-se a acreditar num after-hours. O EUR rompeu a barreira do $1,10 para um máximo de 3 meses…

eurousd

02:21 - Floresta a arder

Se um banco central está a ligar a torneira para apagar o fogo, isso coloca pressão no resto dos bancos para ligarem a mangueira…

Esse é o paradigma do bombeiro do ECB, Draghi.

O Japão já ligou à Yellen a pedir a impressora de notas…

Dos EUA já lhes responderam a dizer que provavelmente vão precisar dela…

O Super-Mario tem agora que responder à letra.

A alta do EUR/USD mina o objetivo de aumentar a inflação na zona Euro.

Super-Mario vai ter de chamar os canadairs.

canadairs

03:10 - Winners & Losers

Quem ganha com isto?

Por um lado, os ativos de risco, por outro os governos desleixados…

Enquanto estes programas de compra de dívida e liquidez infinita estão em funcionamento as taxas de juro vão se manter baixas.

Que preocupação tinha o nosso ministro das Finanças quando elaborou o Orçamento de estado?

Não é com certeza agradar aos mercados, a único receio são as autoridades europeias, mas até estas já têm tanta dívida portuguesa em carteira…

Que teriam muito a perder se a coisa corre mal…

É como na relação com o banco: se deve o seu crédito à habitação e não paga, tiram-lhe a casa. Se deve milhões e não paga, eles dão-lhe mais uns milhões para ir pagando…

 

04:02 - Nota de crédito

Os bancos também não são malucos (depois de ver a Queda de Wall Street, fica difícil acreditar eu sei), neste caso a Comissão Europeia…

Este empréstimo via BCE, vem com uma exigência: cumprimento de regras orçamentais.

Que ao contrário do que é insinuado pela bancada do PS, não foram criadas exclusivamente para Portugal. Vinculam todos os estados membros da moeda única.

Os outros também têm de cumprir…

Eu quero pertencer ao euro e quero cumprir as regras.

O governo quer pertencer ao euro (com todos os benefícios que lhe dá) e não cumprir as regras. Se não quer obedecer, pode sempre deixar o euro.

Não lhe dá jeito?

Então cumpra.

 

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Pedro Gonçalves, Editor-chefe

Pedro Gonçalves foi Portfolio Manager no Millennium Investment Banking. É licenciado em Finanças pelo ISCTE – Business School e mestre em Gestão pela Universidade Católica Portuguesa. Atualmente, é editor-chefe da Empiricus Portugal.