Acabou-se a festa
Depois da festa de dinheiro grátis que catapultou os mercados acionistas para novos máximos, a Fed queria mandar toda a gente para casa.
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00:12 - Marcha-atrás
Fiquei intrigado com o que está a levar a esta subida nos mercados. Pouco mais de 0,5% nos principais índices europeus.
Será que os doutores que mandam na Reserva Federal Norte-Americana já tinham all figured out?
Nunca iremos saber…
Em Dezembro passado, a Fed anunciou um programa de subida gradual das taxas de juro, de forma a trazer as yields de curto-prazo para níveis “normais” até 2019.
Nota: dívida que paga zero, não é normal.

Depois da festa de dinheiro grátis que catapultou os mercados acionistas para novos máximos, a Fed queria mandar toda a gente para casa.
Quem estava na festa não gostou: “Isto claramente vai provocar a crise que vocês tanto tentaram evitar!”
O truque na manga foi sempre: o encerramento da festa está dependente dos dados económicos.
Se estás vinculado aos números, o mais provável é aparecerem resultados de que não gostas.
01:12 - Enviesamento
Bem-dito, bem feito…
O presidente da Fed de Nova Iorque, William Dudley, comentou que as condições estão consideravelmente mais difíceis e que o Outlook para a economia global tem de ser levado em conta…
Estas declarações vieram pôr novamente em causa todo o programa de subida de taxas nos EUA…
Ao primeiro sinal de abrandamento, a Fed está disposta a desviar-se do caminho para a normalidade para salvar o mercado…
Ou para destruí-lo?
Se uma correção de 6,5% no S&P os faz repensar em tudo, imagina se tivessem na Alemanha onde o DAX destrui 12% da capitalização desde o início do ano, ou na China, onde o SCI perde mais de 20%…
Uma coisa é certa: no EUR/USD começa-se a acreditar num after-hours. O EUR rompeu a barreira do $1,10 para um máximo de 3 meses…

02:21 - Floresta a arder
Se um banco central está a ligar a torneira para apagar o fogo, isso coloca pressão no resto dos bancos para ligarem a mangueira…
Esse é o paradigma do bombeiro do ECB, Draghi.
O Japão já ligou à Yellen a pedir a impressora de notas…
Dos EUA já lhes responderam a dizer que provavelmente vão precisar dela…
O Super-Mario tem agora que responder à letra.
A alta do EUR/USD mina o objetivo de aumentar a inflação na zona Euro.
Super-Mario vai ter de chamar os canadairs.

03:10 - Winners & Losers
Quem ganha com isto?
Por um lado, os ativos de risco, por outro os governos desleixados…
Enquanto estes programas de compra de dívida e liquidez infinita estão em funcionamento as taxas de juro vão se manter baixas.
Que preocupação tinha o nosso ministro das Finanças quando elaborou o Orçamento de estado?
Não é com certeza agradar aos mercados, a único receio são as autoridades europeias, mas até estas já têm tanta dívida portuguesa em carteira…
Que teriam muito a perder se a coisa corre mal…
É como na relação com o banco: se deve o seu crédito à habitação e não paga, tiram-lhe a casa. Se deve milhões e não paga, eles dão-lhe mais uns milhões para ir pagando…
04:02 - Nota de crédito
Os bancos também não são malucos (depois de ver a Queda de Wall Street, fica difícil acreditar eu sei), neste caso a Comissão Europeia…
Este empréstimo via BCE, vem com uma exigência: cumprimento de regras orçamentais.
Que ao contrário do que é insinuado pela bancada do PS, não foram criadas exclusivamente para Portugal. Vinculam todos os estados membros da moeda única.
Os outros também têm de cumprir…
Eu quero pertencer ao euro e quero cumprir as regras.
O governo quer pertencer ao euro (com todos os benefícios que lhe dá) e não cumprir as regras. Se não quer obedecer, pode sempre deixar o euro.
Não lhe dá jeito?
Então cumpra.
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Pedro Gonçalves, Editor-chefe
Pedro Gonçalves foi Portfolio Manager no Millennium Investment Banking. É licenciado em Finanças pelo ISCTE – Business School e mestre em Gestão pela Universidade Católica Portuguesa. Atualmente, é editor-chefe da Empiricus Portugal.
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