Antítese do discernimento

Nos mercados, a semana começa de forma suave. Ligeiríssima retração nas principais praças, mas longe do stress sentido no pós-brexit. Peço por isso que esqueça as bolsas por um instante.

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Por 4 de Julho de 2016

.: Business friendly
.: Gestão de expetativas
.: Suave início de semana
.: O que não temos
.: A culpa é do Brexit

00:09 - Business friendly

O ministro das finanças britânico quer o baixar IRC de 20% para 15%.

Mais uma evidência de que o Brexit pode ser uma oportunidade para o Reino Unido…

Osborne diz que quer construir uma “economia super-competitiva”.

Sinal de que existe vontade política para reconstruir a terra arrasada, reconquistar a confiança e atrair investimento internacional.

Se feito rapidamente, pode sair melhor do que a encomenda.

01:12 - Gestão de expetativas

Escuto economistas pessimistas; investidores assustados.

Uma vez decretada a saída da União Europeia, todas as dúvidas acabariam para o mercado.

Isso é ingénuo – algumas dúvidas acabam, outras começam.

Não se trata de um problema per se.

Bolsa, juros e câmbio alimentam-se de dúvidas, elas constituem a própria razão de ser do financismo.

Todo o dilema da precificação está na qualidade dessas dúvidas, não na quantidade.

Depois da votação, que venham as soluções.

02:22 - Suave início de semana

Nos mercados, a semana começa de forma suave.

Ligeiríssima retração nas principais praças, mas longe do stress sentido no pós-brexit.

Peço por isso que esqueça as bolsas por um instante.

Atentemos ao estado da nação.

Tempos extraordinários exigem medidas extraordinárias.

Para isso precisamos de políticos realistas.

03:23 - O que não temos

É exatamente isso que não temos.

Rifamos um camaleão diplomático: mestre na arte política, péssimo na gestão do país.

Veja bem, a Comissão Europeia quer sancionar Portugal por violar a regra dos défices excessivos.

Alguma vez o fez? Nunca… Até quando falhámos por mais.

Então porque é que decide fazer agora? Será só má vontade?

Porque o Governo português já deixou bem claro que não está comprometido com as metas orçamentais e nem com as reformas estruturais.

A rigor, o que irrita Bruxelas é a falta de sensatez financeira.

04:20 - A culpa é do Brexit

Internamente, Costa desculpa-se com Bruxelas.

Externamente, diz que está comprometido.

Entretanto, empurra com a barriga, ensaiando as desculpas que irá utilizar quando a economia crescer menos que o esperado e quando o défice derrapar…

Centeno até já está pronto para assumir os erros no Orçamento (júnior na mestria política)…

Costa sabe que o momento ainda não é o melhor (para ele, não para o país).

Ou seja, lá para Setembro ou Outubro culpa-se o Brexit.

Pedro Gonçalves, Editor-chefe

Pedro Gonçalves foi Portfolio Manager no Millennium Investment Banking. É licenciado em Finanças pelo ISCTE – Business School e mestre em Gestão pela Universidade Católica Portuguesa. Atualmente, é editor-chefe da Empiricus Portugal.