As dúvidas dos nossos leitores

Aproveito este dia mais fraco em termos de noticiário económico para responder à duvida de uma leitora.

Maior Menor
Por 1 de Março de 2017

.: Longo e fino
.: Siga para bingo
.: Distrações à portuguesa
.: Risco de colapso
.: Respondendo a dúvidas

00:12 - Longo e fino

Como esperávamos, o discurso do presidente norte-americano foi fraco no conteúdo, mas surpreendentemente afável na forma.

Transformou-se num verdadeiro político: muita retórica e pouca clareza.

Falou da revogação do Obamacare, deu-nos um cheirinho do plano de infraestruturas, mostrou-se intransigente com a imigração e assegurou mais dinheiro para reformar as forças armadas.

Como? Não explicou.

É uma questão de traduzir esta poesia em prosa legislativa.

01:09 - Siga para bingo

Quem não parece minimamente incomodado com isso são as bolsas, que seguem a sua caminhada em direção ao infinito…

Deste lado do Atlântico, os investidores acordaram especialmente bem-dispostos; por conseguinte, os principais índices europeus arrancam o dia em forte alta.

A ajudar ao sentimento, dados na Alemanha mostram que a maior economia da zona Euro está bem e recomenda-se.

O desemprego continua a baixar e está no nível mais baixo desde a reunificação.

Conclusão: não é difícil perceber onde “as suas fichas” devem estar.

02:01 - Distrações à portuguesa

Por aqui, está tudo com os olhos no Q&A no Parlamento por causa do caso das offshores.

Interessante como já não se fala tanto do caso CGD.

distrações-portuguesa

Já me safei.

Se o meu desprezo pela política fosse maior até diria: está tudo a mandar areia para os olhos dos eleitores (de um lado e do outro).

Como não é, peço apenas que se apurem responsabilidades (nas duas situações) e faço votos para que se foquem no futuro de Portugal.

03:15 - Risco de colapso

Quando dizemos aqui que o Estado corre risco de incumprimento, recebemos uma enxurrada de críticas.
Críticas ideológicas, mas nada técnicas.

Tecnicamente, não sobra muito espaço para debate.

O défice foi controlado à custa de muito artifício, a economia está estagnada, o malparado na banca continua por resolver e o custo da dívida continua a aumentar gradualmente.

Além disso, reitero: falar em risco de colapso é muito diferente de categorizar que Portugal vai, necessariamente, quebrar.

Uma coisa é certa: vai, necessariamente, ter de mudar.

 

04:02 - Respondendo a dúvidas

Aproveito este dia mais fraco em termos de noticiário económico para responder à duvida de uma leitora:

“Pedro (…) quando refere que deveremos abrir uma conta numa corretora (alternativa mais lucrativa às fantásticas opções dos bancos) sabe indicar-me se existe um valor mínimo? O vosso novo serviço (Carta Empiricus) contempla informação para “iniciantes”?”

Nas corretoras que analisamos o valor mínimo para abertura de conta são 250€. E não existe qualquer custo para fazê-la.

Em relação à segunda pergunta…

O Carta Empiricus não só contempla, como é precisamente escrito para o investidor iniciante.

Não estou a querer dizer com isto que também não deve ser lido pelo investidor sofisticado. Defendemos apenas que quem usa uma linguagem inteligível para o investidor que está a dar os primeiros passos, então certamente também será compreendido por aqueles que têm mais conhecimentos.

A Empiricus tem uma missão que eu acho particularmente nobre: ensinar os seus leitores a serem financeiramente livres. Isto significa que teremos de falar uma linguagem que os nossos leitores entendam.

Falar de economia para economistas é tautológico.

Por isso mesmo, a linguagem na série é exatamente aquela usada aqui no M5M (coloquial, divertida e descomprometida).

Pedro Gonçalves, Editor-chefe

Pedro Gonçalves foi Portfolio Manager no Millennium Investment Banking. É licenciado em Finanças pelo ISCTE – Business School e mestre em Gestão pela Universidade Católica Portuguesa. Atualmente, é editor-chefe da Empiricus Portugal.