Capitão América
As principais bolsas norte-americanas continuam a sua caminhada para o infinito e mais além… Dia após dia, o S&P 500 e o Dow Jones estabelecem novos máximos históricos.
.: Sempre a subir
.: Força na economia
.: Twilight zone
.: Mercados acionistas
.: Juros atrativos
00:12 - Sempre a subir
As principais bolsas norte-americanas continuam a sua caminhada para o infinito e mais além…
Dia após dia, o S&P 500 e o Dow Jones estabelecem novos máximos históricos.
A retoma das bolsas do outro lado do Atlântico, após o forte movimento de quedas que se seguiu ao plebiscito britânico, está a atingir proporções memoráveis.
Na sessão desta quarta-feira, as subidas foram menos expressivas, mas a valorização acumulada e os sucessivos máximos estão a chamar todas as atenções.
Desde Maio do ano passado – mês em que foram batidos sucessivos recordes – que os principais índices de Wall Street não chegavam a estes patamares.

Gráfico S&P – Fonte: Bloomberg
01:34 - Força na economia
Esta última perna da subida ganhou força com o relatório de emprego…
Na última sexta-feira, o ministério do trabalho norte-americano anunciou que a economia americana criou 287.000 postos de trabalho em junho – um grande salto comparado com os 11.000 que tinham sido adicionados em maio.
Recordo que foram estes números de maio que ajudaram a persuadir o Federal Reserve a manter as taxas de juro inalteradas na sua última reunião…
Isso e o medo do que poderia acontecer se a Grã-Bretanha votasse para deixar a União Europeia (o que acabou por acontecer, logo após a reunião do Fed).
Mas com a renovada vontade das empresas em contratar, a vida está difícil para quem desconfia da vitalidade da economia americana.
02:12 - Twilight zone
Com efeito, há poucas evidências do agravamento das condições do mercado de trabalho que muitos temiam – ou esperavam – e que iria manter o Fed na sala de espera.
A perspetiva de taxas de juro mais elevadas, normalmente, seria uma notícia negativa para as ações e definitivamente para as obrigações do tesouro…
Então como é que, agora, ambos estão em/ou perto de níveis recorde?
Isto é completamente anormal.
Na verdade, de acordo com a Bloomberg, esta semana, o mundo está a assistir a uma estreia nos mercados norte-americanos.
“Em nenhum momento da história os títulos de dívida pública e as ações americanas… negociaram tão perto dos seus respetivos máximos.”
Aqui é que começa a parecer estranho.
Porque se o crescimento económico parece saudável, então, com tudo o resto constante, isso é necessariamente uma excelente notícia para as ações.
Uma economia em crescimento significa mais pessoas a trabalhar, maior consumo e mais lucros para as empresas.
Mas, tecnicamente, também significa o aumento das pressões inflacionistas e, portanto, das taxas de juros, logo não deveria ser uma boa notícia para os títulos de dívida.
03:12 - Mercados acionistas
Então o que é que se passa?
Parece que os investidores ficaram aliviados ao ver que os EUA ainda têm um batimento cardíaco saudável, como o relatório de emprego sugere.
Essa é principal razão porque os mercados de ações continuam a subir.
No entanto, parecem igualmente convencidos de que este dinamismo na economia não vai resultar no aumento das taxas de juro ou inflação…
Daí os baixos rendimentos dos títulos de dívida (o que significa os preços recorde).
Ou seja, o dinamismo da economia é um win-win para os investidores.
A atividade continua forte, mas ao mesmo tempo os investidores atribuem poucas probabilidades a um aumento das taxas…
Então está tudo bem – temos um crescimento decente e taxas baixas também.
04:18 - Juros atrativos
Por agora…
Em segundo lugar, para os investidores que querem exposição a uma economia sólida, os EUA são um dos poucos mercados disponíveis neste momento.
O dólar norte-americano não é tão forte como era, mas continua a ser atraente em relação à maioria das outras moedas.
E os rendimentos dos títulos do tesouro (+1,5%) – apesar de estarem em níveis recorde – ainda parecem muito generosos em comparação ao retorno das obrigações da zona euro e do Japão (yields negativas).
Então, se está à procura de um lugar “seguro” para estacionar o seu dinheiro, o Tesouro dos EUA, pelo menos, ainda oferece um rendimento positivo, com o potencial de valorização da moeda.

Gráfico Obrigações a 10 anos EUA – Fonte: Bloomberg
Pedro Gonçalves, Editor-chefe
Pedro Gonçalves foi Portfolio Manager no Millennium Investment Banking. É licenciado em Finanças pelo ISCTE – Business School e mestre em Gestão pela Universidade Católica Portuguesa. Atualmente, é editor-chefe da Empiricus Portugal.
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