Chateado com o mundo

Donald Trump – investidor imobiliário, personalidade televisiva e full-time douchebag – foi formalmente nomeado como o candidato republicano para as presidenciais norte-americanas de 2016.

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Por 20 de Julho de 2016

.: O nosso candidato republicano
.: Vira o disco e toca o mesmo
.: Poupança negativa
.: Blame it on the boogie
.: Destituições financeiras

00:09 - O nosso candidato republicano

Donald Trump – investidor imobiliário, personalidade televisiva e full-time douchebag – foi formalmente nomeado como o candidato republicano para as presidenciais norte-americanas de 2016.

Não deve ser fácil digerir um candidato que durante a campanha pediu uma suspensão temporária à imigração islâmica, fez comentários ácidos sobre as minorias e as mulheres e carece de competências mínimas (bom-senso) para ocupar o cargo político mais importante do mundo…

Mas, enfim, a vida de cromo estadista nunca é fácil.

Percebemos isso quando olhamos para as elocuções do nosso primeiro-ministro.

A novela “Anjo Selvagem”, que de acordo com o Wikipédia durou uns incríveis 603 episódios, arrisca-se a ser ultrapassada pela nova adaptação política do clássico “Virar de página”, que retrata a história de um político sem ideias, que na incapacidade de cumprir o que prometeu, culpa este mundo e outro…

Desejamos, o quanto antes, uma abordagem realista, sem fait-divers que só servem para confundir os eleitores.

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01:12 - Vira o disco e toca o mesmo

Na nova ronda de negociações com Bruxelas, a dupla sertaneja Costa & Centeno, mantém o ritmo de troca de galhardetes…

Atira-se a culpa de um lado para o outro, pedem-se recomendações ao povo português, encolhem-se os ombros, estica-se o dedo a Bruxelas, põe-se um cachecol da seleção, visita-se uma sardinhada no Algarve, tudo menos seguir as recomendações propostas pelos líderes europeus…

Já toda a gente percebeu que vamos ter de taxar, cortar ou poupar…

Não há volta a dar!

Os verbos devolver, gastar e consumir são perigosos e enganadores. Servem só uma agenda política de quem quer se manter a todo o custo no poleiro…

E os resultados dessa experiência já são bem visíveis…

02:22 - Poupança negativa

A Gerigonça, com a sua ingenuidade (ou não), prometeu uma viragem de página. Prometeu um novo Portugal. Um Portugal onde haveria crescimento e anunciou para quem quisesse ouvir o fim da austeridade.

Não menos importante, preparou os portugueses para uma espécie de sebastianismo de um modelo económico há muito ultrapassado… a aparição do consumo interno.

Na sua inocência (ou não) os portugueses, sedentos de consumir, desapertaram o cinto e voltaram à Zara, H&M e à BMW… mas com dinheiro dos outros (os tais credores que tentam incutir algum juízo aos nossos governantes).

E resultou? Se resultou!

Com efeito, a poupança das famílias foi negativa no primeiro trimestre de 2016, um caso inédito, quer nas novas contas nacionais do Instituto Nacional de Estatística (INE), que recuam até ao primeiro trimestre de 1999, quer nas séries longas do Banco de Portugal (BP), que recuam até 1977.

A economia já por si tem dificuldade em financiar o investimento e garantir a sustentabilidade da dívida… com poupança negativa, significa que gastámos mais do que o rendimento disponível para gastar ou poupar.

Parabéns! Revigoramos a fórmula que nos levou ao desastre.

03:15 - Blame it on the boogie

No meio deste ambiente de dados económicos desencorajadores, possibilidade de sanções e derrapagem das metas orçamentais… o governo prepara-se para utilizar todos os argumentos à sua disposição para tirar a água do capote…

O mais fácil é culpar o Brexit.

Metade dos eleitores não compreenderão as ramificações da saída do RU da UE e depois da campanha do Remain se ter baseado na premonição do armagedão… agora o governo português pode cavalgar nessa propaganda.

Mesmo que o Wells Fargo tenha comprado uma nova sede em Londres e a taxa de desemprego no Reino Unido tenha caído para o mínimo dos últimos anos.

Problema?

“As últimas estimativas dos técnicos de Bruxelas apontavam para um crescimento de 1,6% da economia da Zona Euro em 2016. Agora, segundo os primeiros cálculos que a Comissão faz sobre o impacto do Brexit, antecipa-se um desvio negativo de 0,1 pontos percentuais, caso os efeitos da saída sejam moderados ou -0,2 pontos caso sejam severos”.

Nada propriamente dramático.

04:02 - Destituições financeiras

O que é realmente dramático é o alerta do FMI em relação à banca portuguesa. A ferida está aberta e agora vão escarafunchar.

Tudo porque não existe clareza suficiente acerca dos planos do Governo para estabilizar o sistema…

Pense na mudança de administração na Caixa…

Além disso, há ainda o plano de recapitalização da CGD, que poderá atingir os cinco mil milhões de euros, e o processo de venda do Novo Banco.

Como o meu mau humor já vai longo, prometemos, aqui, enviar um relatório especial este domingo sobre o tema da banca.

Fique atento.

Pedro Gonçalves, Editor-chefe

Pedro Gonçalves foi Portfolio Manager no Millennium Investment Banking. É licenciado em Finanças pelo ISCTE – Business School e mestre em Gestão pela Universidade Católica Portuguesa. Atualmente, é editor-chefe da Empiricus Portugal.