Como ganhar com a doutrina socialista

O melhor mesmo é inverter a doutrina socialista. Ora, se vamos voltar a comprar “BMW” e “Mercedes”, não seria melhor ser acionista destas empresas?

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Por 17 de novembro de 2017

.: Fim de Portugal
.: Desvio de trajetória
.: Reposição salarial
.: Matriz económica
.: Não é para já

00:12 - Fim de Portugal

Em 2015, quando a Empiricus chegou a Lisboa, os sócios do Brasil perguntaram-me:

“Pedro, a tese do Fim do Brasil (que previa o colapso da economia brasileira) colocou definitivamente a empresa no mapa, não achas que devias fazer o mesmo em Portugal?”

Algo do tipo, “o pesadelo lusitano”?

Pensei nisso…

Mas, em termos de cronologia, o Fim de Portugal (o fim aqui é metafórico) já tinha acontecido antes de 2011…

… ou assim pensava eu.

Descontrolo das contas públicas, endividamento, casos de corrupção e a consequente perda da credibilidade internacional.

Como diz o ditado: “não vale a pena chorar sobre o leite derramado”.

Na altura convenci-me que o grande estrago resultaria se não aproveitássemos a oportunidade para mudar.

01:30 - Desvio de trajetória

Com a entrada do governo socialista em funções, e depois de um 2016 completamente à deriva, em que os juros das obrigações do tesouro a 10 anos chegaram a negociar acima dos 4%…

…O executivo mudou a trajetória e focou-se no cumprimento das metas.

Muito à custa de cativações, mas isso é outra história.

O facto é que os receios do mercado amainaram e a economia deu uma ajuda.

Parecia que podíamos respirar de alívio outra vez.

02:05 - Reposição salarial

A sensação que tenho agora, com a forma como este governo está a gerir a negociação sobre a reposição salarial relativa à progressão nas carreiras é outra…

Temos um governo completamente domesticado por um líder sindical, que põe o erário público a pagar os interesses de uma classe privilegiada.

Engraçado como a narrativa é a de que os professores foram lesados pelo colapso das finanças públicas, como se tivessem sido os únicos.

Aliás, os trabalhadores do privado foram muito mais afetados, porque não perderam apenas a possibilidade de subir na carreira, milhares perderam mesmo o emprego.

Agora, esta fatura, tendo em conta o que sabemos, custará 650 milhões de euros.

Que o Orçamento de 2018 não cortava em nada e só aproveitava a boleia da economia para cumprir as metas já se sabia…

Agora falta conhecer qual será o subterfúgio que vai ser apresentado para explicar que este “arranjinho” não terá impacto nas contas públicas.

03:02 - Matriz económica

No fundo, o risco em 2015 era que voltássemos a aplicar a matriz que tão mau resultado deu no passado…

A velha máxima: toca de distribuir umas benesses aos grupos que fazem muito barulho, para garantir alguns votos.

É uma pena como os contribuintes não se organizam numa “espécie de sindicato” para exigir um melhor uso do dinheiro que lhes é retirado via impostos e lhes custa tanto a ganhar.

04:01 - Não é para já

Claro que o custo destas políticas não se vai traduzir no imediato.

As yields nacionais vão continuar a ser manipuladas pelo banco central.

O crescimento europeu continua robusto…

Isto significa que, provavelmente, os indicadores económicos vão manter-se positivos. Mesmo que abaixo da média europeia (bye bye, convergência).

A volatilidade deve permanecer baixa. Portanto as ações podem subir (spoiler alert: isto se não houver uma crise, entretanto).

Os bancos com necessidade de gerar rendimento voltam a emprestar, o que deve provocar o aumento do preço das casas e do consumo.

E a dívida? Essa vai-se pagando…

Mas o melhor mesmo é inverter a doutrina socialista. Ora, se vamos voltar a comprar “BMW” e “Mercedes”, não seria melhor ser acionista destas empresas?

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Pedro Gonçalves, Editor-chefe

Pedro Gonçalves foi Portfolio Manager no Millennium Investment Banking. É licenciado em Finanças pelo ISCTE – Business School e mestre em Gestão pela Universidade Católica Portuguesa. Atualmente, é editor-chefe da Empiricus Portugal.