Crise para que te quero

Apesar de o outlook de longo-prazo do EUR/USD estar mais inclinado para o downside, os comentários podem levar a movimentos bruscos no par cambial, já que este tem estado a transacionar num range muito estreito (1,07 a 1,09).

Maior Menor
Por 21 de Janeiro de 2016

.: Não quero ouvir mais nada
.: Sempre ouvi dizer que a saúde é o mais importante
.: Boas novas são necessárias
.: Autoalimenta
.: Par famoso

00:10 - Não quero ouvir mais nada

Já desliguei a CNBC…

De um lado, escuto os pessimistas a falar: “eu bem avisei, isto ia cair tudo…”

Do outro, os otimistas asseguram: “esta correção é saudável, é importante relembrar aos intervenientes que no mercado não é sempre a subir…”

Em quem é que devemos acreditar?

Sempre ouvi dizer que no meio é que está a virtude:

Nesta fase, os ensinamentos estoicos de autocontrole e firmeza são provavelmente as únicas ferramentas disponíveis para superar as emoções destrutivas do seu património.

meditaçao

 

 

01:12 - Sempre ouvi dizer que a saúde é o mais importante

Sem dúvida que as correções no mercado são “saudáveis” (na falta de uma melhor expressão)…

O retorno deve estar ajustado ao risco. Quanto maior o risco, maior é o potencial de retorno, mas também aumenta a probabilidade de perda.

A intervenção dos bancos centrais criou graves desequilíbrios no binómio retorno/risco…

Ora, se eu compro uma empresa que não gera resultados, mas ela sobe porque tudo sobe, quando ela cai, eu não posso ficar admirado… mas fico…

Até revoltado.

A volatilidade é uma parte essencial dos investimentos em ações e não existe uma forma mágica para a ultrapassar.

Existe sim, definição de objetivos e consistência na estratégia.

02:32 - Boas novas são necessárias

Nesta fase e com grande parte dos mercados mundiais em “bear market” (20% abaixo dos últimos máximos).

Que tipo de notícias poderiam ajudar o mercado a revigorar?

1. Recuperarão dos resultados das empresas e dos dados económicos.

2. Estímulos monetários por parte dos bancos centrais.

3. As avaliações relativas das empresas já começam a ficar atrativas, mas quedas mais acentuadas poderão despertar ainda mais o interesse dos investidores.

4. Estabilização do preço do crude/brent.

Estão a demorar a chegar…

caracol

 

03:21 - Autoalimenta

Agradeço a todos os leitores que me enviaram emails e que me pediram para falar de diversas matérias como:

– melhores corretoras para operar em Portugal e, consequentemente, no resto da Europa.

– preço do m2 nas principais cidades portuguesas e análise ao arrendamento;

– análise técnica dos principais índices;

– e mercado forex.

Prometo falar sobre estes (e outros) assuntos quando o tema da desvalorização da bolsa não for tão urgente.

No entanto, está agendado para hoje um evento importante para quem negoceia divisas…

04:01 - Par famoso

Vamos ter mais Mario Draghi a partir das 13h30.

Logo a seguir ao anúncio das taxas, o italiano irá falar sobre a economia europeia e através do discurso do presidente do Banco Central Europeu os maníacos do câmbio vão fazer as suas apostas.

Duas opções para o Goldman-boy: “esperar para ver” ou “acena com mais estímulos”.

Os economistas entrevistados pela Bloomberg não acreditam que o líder da política monetária da zona Euro irá anunciar mais medidas para gerar inflação nesta conferência.

Mas a moeda única poderá sofrer outro short-squeeze caso o discurso indique que o BCE irá manter uma atitude de simples espetador na primeira metade de 2016.

Apesar de o outlook de longo-prazo do EUR/USD estar mais inclinado para o downside, os comentários podem levar a movimentos bruscos no par cambial, já que este tem estado a transacionar num range muito estreito (1,07 a 1,09).

Ou seja, se indicar mais estímulos a tendência de longo-prazo deve-se manter. Se ao invés, assinalar que vai ficar na bancada, os investidores curtos no EUR/USD poderão fechar as posições e impulsionar o câmbio para cima.

 

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Pedro Gonçalves, Editor-chefe

Pedro Gonçalves foi Portfolio Manager no Millennium Investment Banking. É licenciado em Finanças pelo ISCTE – Business School e mestre em Gestão pela Universidade Católica Portuguesa. Atualmente, é editor-chefe da Empiricus Portugal.