Depois não diga que eu não o avisei

O aviso é claro: Costa parece ter pouca vontade para reduzir a dívida e manter Portugal a salvo de novo resgate. Razão perfeita para novo puxão de orelhas ao executivo.

Maior Menor
Por 31 de Janeiro de 2017

.: Vórtex da dívida
.: Sinal amarelo
.: Assim vai parar
.: Economia europeia
.: Já não há pachorra

00:08 - Vórtex da dívida

Leio no monitor da Bloomberg: “Portugal está num vórtex de dívida excessiva e o Governo não se está a ajudar ao reverter as políticas da troika”.

Em entrevista ao Observador, economistas do Commerzbank dizem “Países da zona euro a salvo de juros mais elevados (exceto Portugal)”.

Quem acompanha o M5M sabe que estamos a falar disso desde que as yields ainda estavam na casa dos 2%… caso queiram recordar, vejam aqui e aqui.

Hoje, vemos novamente a tocar os 4,2%.

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O aviso é claro: Costa parece ter pouca vontade para reduzir a dívida e manter Portugal a salvo de novo resgate.

Razão perfeita para novo puxão de orelhas ao executivo. Ou vão querer convencer-me de que está tudo bem e no mercado são todos especuladores?

01:22 - Sinal amarelo

Os cães ladram e a caravana passa.

Esse parece ser o mote do Governo neste momento.

À exceção de alguns comentários inusitados de Centeno, pouco ou nada de estrutural está a ser feito para inverter a escalada dos juros.

Enquanto isso, Portugal caminha gradualmente para uma situação desesperante que terá um impacto extremamente importante na sua carteira e no seu modo de vida.

O leitor pode até não querer ver e, claro, eu entendo… Ninguém gosta de más notícias…

Tenho a convicção de que ao ler os jornais, os portugueses fecham os olhos nas páginas com este tipo de notícia.

A nossa missão não é oferecer um conteúdo confortante. Estamos preocupados e queremos que o nosso leitor saiba, antes que seja tarde, o que pode fazer para se proteger.

Se tem pelo menos alguma preocupação com o seu património, recomendo que leia este documento, fruto de um ano de estudo da nossa equipa económica.

02:10 - Assim vai parar

Passei os olhos hoje, pelo relatório de inflação da zona Euro.

E os números divulgados foram surpreendentes…

O índice de preços ao consumidor saltou em janeiro para um máximo de quatro anos (+1,8%), aproximando-se do alvo de 2% do BCE.

Paralelamente, o produto interno bruto (PIB) da Zona Euro cresceu +0,5%, no quarto trimestre do ano quando comparado com os três meses anteriores…

Em termos homólogos, significa que a economia do bloco monetário aumentou 1,8%, o que também superou as estimativas…

A combinação destes dois fatores coloca cada vez mais pressão no BCE para pôr fim ao programa de compras de dívida soberana (vulgo, QE).

Sim! Refiro-me ao mesmo programa que ainda mantém as taxas de juro portuguesas numa banda confortável…

 

03:01 - Economia europeia

Apesar das boas novas da economia europeia, investidores acordaram pouco animados, com as principais praças europeias a negociar no zero a zero…

Cá dentro, bolsa ligeiramente no verde, com os nomes mais castigados dos últimos dias a darem alguns sinais de vida…

No Estados Unidos, os principais índices recuaram, com o Dow Jones a baixar novamente para baixo da marca histórica dos 20.000 pontos…

Interessante que no mercado das commodities, o preço do petróleo está prestes a terminar janeiro com uma perda de cerca de 4%…

Aparentemente, a recuperação do preço levou os produtores norte-americanos de shale oil a ligarem novamente as perfuradoras… (alguém pensou realmente que eles iam ficar quietos?)

Há quem diga que os cortes de produção anunciados pelos principais produtores mundiais não serão suficientes para cobrir esta nova oferta…

Será que está de volta o tema “excesso de petróleo” ou os sauditas vão acenar com mais um corte?

04:23 - Já não há pachorra

Numa história que deixou de merecer a atenção do mercado… admito, já não há pachorra.

Yields da dívida grega a dois anos saltam acima dos 9%…

O desempenho dos juros gregos no mercado secundário é uma mera indicação da incapacidade dos gregos de regressar ao mercado pelo seu próprio pé…

Em causa está o incumprimento de quase dois terços das medidas exigidas para o desembolso da próxima parcela de empréstimos de emergência… sem austeridade, os credores não libertam o financiamento…

Por cá, não estará na hora de aprendermos com os gregos?

Pedro Gonçalves, Editor-chefe

Pedro Gonçalves foi Portfolio Manager no Millennium Investment Banking. É licenciado em Finanças pelo ISCTE – Business School e mestre em Gestão pela Universidade Católica Portuguesa. Atualmente, é editor-chefe da Empiricus Portugal.