Desabafo entre amigos

Tivemos vários anos de governação socialista que comprovam isso mesmo: os salários pagos à função pública não resultaram da criação de riqueza, mas de mais impostos ou dívida (impostos no futuro).

Maior Menor
Por 2 de Dezembro de 2015

.: Fim de Portugal
.: Care to explain...
.: Erros do passado
.: Oportunidade de uma vida
.: Vá lá fora cá dentro

00:06 - Fim de Portugal

Ontem à noite, em conversa com amigos, perguntaram-me:

Pedro, se o fim do Brasil foi a previsão que colocou definitivamente a Empiricus no mapa brasileiro, não achas que devias fazer o mesmo aqui na terra de Camões?

Algo do tipo, o “Pesadelo Luso”?

Já pensei nisso, vou ser sincero… Mas, na realidade, o Fim de Portugal (igual ao brasileiro) já aconteceu…

Descontrolo das contas públicas, endividamento, casos de corrupção, e a consequente perda da credibilidade internacional, explodiram em 2010…

Como diz a minha mãe: “não vale a pena chorar pelo leite derramado”.

Agora, o grande prejuízo resulta se não aproveitarmos esta lição.

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01:12 - Care to explain...

A grande oportunidade está em tornarmos esta adversidade em algo positivo.

O objetivo: alterarmos o fado português.

Deixarmos de ser uma nação de consumidores, e passarmos a ser um país de produtores (de ideias, de inovações e de riqueza).

No fundo, o risco é termos gasto estes últimos quatro anos para voltarmos ao ponto de partida.

Depois de décadas a viver na economia do cimento com os resultados que já conhecemos. O nosso Governo quer aplicar a mesma matriz.

02:01- Erros do passado

O Governo defende que deve estimular o mercado por via do consumo.

Com esse objetivo em mente, irá repor os salários da função pública, subir as pensões, e aumentar o ordenado mínimo.

Esquece-se é que na ótica do Estado, estes valores não representam rendimento, mas um custo.

Tivemos vários anos de governação socialista que comprovam isso mesmo: os salários pagos à função pública não resultaram da criação de riqueza, mas de mais impostos ou dívida (impostos no futuro).

Mais, o aumento do consumo é normalmente canalizado para as importações. Será que sou o único que não conheço uma marca portuguesa de automóveis?

E apesar do Porto, ficar tão perto da sede da Zara, como fica de Lisboa. O dinheiro gasto numa camisa da Massimo Dutti, não fica no país. Sai do nosso produto interno.

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02:51- Oportunidade de uma vida

Para o bem e para o mal, fazemos parte de um grupo económico bem maior do que estes 92 mil km² à beira-mar plantados.

Portanto, o custo destas políticas não se vai traduzir no imediato.

As yields nacionais vão ser manipuladas pelo banqueiro Mario Draghi.

Isto significa que, provavelmente, os indicadores económicos até vão dar sinais de melhorias.

O consumo vai animar. O mercado imobiliário até dará um ar da sua graça.

A balança comercial é que vai voltar ao mesmo.

E a dívida? Essa vai-se pagando…

04:02 - Vá lá fora cá dentro

Para o investidor, possivelmente, são boas notícias…

Os economistas de café, os treinadores de bancada, e as peixeiras no mercado, provavelmente nem vão sentir este evento.

No curto-prazo a volatilidade vai diminuir. Portanto as ações podem subir (Spoiler alert: isto se não houver uma crise política, entretanto).

Os bancos com necessidade de gerar rendimento, voltam a emprestar, o que deve provocar o aumento do preço das casas.

Mas o melhor mesmo é inverter a doutrina socialista. Ora se vamos voltar a comprar “BMWios” e “Mercedes-Benzes”.

Não acha que devia ser acionista destas empresas?

Pedro Gonçalves, Editor-chefe

Pedro Gonçalves foi Portfolio Manager no Millennium Investment Banking. É licenciado em Finanças pelo ISCTE – Business School e mestre em Gestão pela Universidade Católica Portuguesa. Atualmente, é editor-chefe da Empiricus Portugal.