Diretamente de Paris

Vamos dar um breve passeio para fora do Euro 2016, até porque as lembranças da noite de ontem ecoarão para sempre na nossa memória…

Maior Menor
Por 11 de Julho de 2016

.: Campeões Europeus
.: Transalpino
.: Como se resolve o problema
.: Capitalismo
.: Então e agora?

00:09 - Campeões Europeus

Estou feliz! Escrevo este M5M diretamente de Paris com um sorriso nos lábios…

Finalmente, somos campeões europeus!

Se merecíamos?

Pouco importa, pouco importa.

Se jogamos bem ou mal.

Queremos é levar a taça, para o nosso Portugal.

m5m110716

01:33 - Transalpino

Vamos dar um breve passeio para fora do Euro 2016, até porque as lembranças da noite de ontem ecoarão para sempre na nossa memória…

Entretanto, uma ocorrência destaca-se como o maior perigo para os investidores (bem, deste o último perigo).

Estou a falar do setor bancário italiano….

Então, qual é o problema dos bancos italianos?

Basicamente, estão carregados de maus créditos, e por isso não estão a emprestar a ninguém…

O que está a atrasar, ainda mais, a economia italiana (além de tudo o resto).

02:12 - Como se resolve o problema

Ou seja, os bancos precisam de captar dinheiro, para poderem reconhecer estas dívidas incobráveis, expurgá-las do balanço (com perdas gigantescas), para começarem a emprestar novamente…

O problema é que ninguém no seu perfeito juízo quer pôr lá dinheiro… se olhar para o preço das ações percebe porquê…

Portanto, a resposta óbvia é que o Governo vai ter de intervir. É praticamente o playbook aceite para a resolução de uma crise bancária…

Seria simples se a Itália não pertencesse à Zona Euro…

Então qual é o problema?

No ano passado foram introduzidos novos regulamentos desenhados para combater o risco moral que criou a crise bancária em primeiro lugar…

Estas regras impedem a ajuda do governo, sem que algumas partes interessadas sejam dizimadas (acionistas e obrigacionistas).

03:10 - Capitalismo

Isto é perfeitamente razoável. Alguns até podem sugerir que é o capitalismo a funcionar.

Se fosse uma rede de supermercados nem estaríamos a ter esta conversa. Esses estão autorizados a ir à falência… Mas aqui estamos a falar de bancos.

O grande problema dos bancos é que os obrigacionistas são na sua maioria pessoas como eu e você… Por outras palavras, eleitores.

Quatro bancos pequenos foram tratados de acordo com as novas regras em novembro e as consequências políticas envolveram protestos generalizados, e até levou ao suicídio de um aforrador que perdeu as suas poupanças…

Deixar isto acontecer numa escala maior e o caos político iria acontecer.

04:21 - Então e agora?

Então qual é a resposta? Como sempre, os políticos preferem postergar…

Mas a bem ou a mal, pensar que uma crise bancária sistémica será permitida porque os políticos europeus não conseguem arranjar uma forma de deixar a Itália dobrar as regras… parece-me pouco provável…

Ou seja, esqueça o cenário Lehman Brothers versão II… a próxima crise que vai abalar o mundo não será igual à anterior.

O livro de regras de crise bancárias já foi escrito. Bancos entram em apuros. Alguém (contribuintes) paga por ele.

O banco central imprime dinheiro. Há momentos complicados, mas a estratégia geral é clara.

É claro que estas salvações serão a semente da próxima grande crise.

As medidas tomadas para salvar os bancos hoje e “estimular” a economia, será a génese do próximo desastre.

A ilusão de que a impressão de dinheiro não tem consequências já está a incentivar os decisores políticos no sentido de intervenções cada vez mais dramáticas… só pode correr mal…

Pedro Gonçalves, Editor-chefe

Pedro Gonçalves foi Portfolio Manager no Millennium Investment Banking. É licenciado em Finanças pelo ISCTE – Business School e mestre em Gestão pela Universidade Católica Portuguesa. Atualmente, é editor-chefe da Empiricus Portugal.