Draghi por um dia

Hoje é um dia calmo para os mercados europeus. Depois de uma das melhores semanas de sempre, esta promete ser mais relaxada.

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Por 3 de Novembro de 2015

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00:03 - Terça-feira santa

Hoje é um dia calmo para os mercados europeus.

Depois de uma das melhores semanas de sempre, esta promete ser mais relaxada.

Em Portugal, o PSI20 sobe 0,20% impulsionado pela apresentação dos resultados do BCP.

O banco nacional terminou os primeiros nove meses do ano com um lucro de 264 milhões de euros, o que compara com o prejuízo de 109,5 milhões de euros em igual período do ano passado.

Destaque ainda para a Altri que esta manhã atingiu um novo máximo histórico de €4,54.

Sinal de que ainda há algumas ações na bolsa portuguesa que valorizam contra a tendência.

01:13 - Super-Mario

Os números não mentem, pelo menos é o que garante a equipa do presidente italiano do BCE.

De acordo com um estudo assinado pelo executivo da autoridade monetária os programas de estímulos já estão a ter impacto na economia real.

Ao aliviar os custos de financiamento dos bancos, os pacotes têm incentivado a concessão de crédito às empresas.

Já são mais de 100 mil milhões de euros de crédito a instituições privadas.

Fica por explicar é o que é feito dos outros 300 mil milhões de euros.

É que os bancos já pediram cerca de 400 mil milhões ao banco central.

02:23 - Motivação económica

Eu explico-lhe. É simples, prometo.

Nós podemos contar sempre com as empresas.

Elas são previsíveis. Decidem sempre pela opção que lhes garante mais lucro.

Quando um banco central define políticas monetárias, e neste caso medidas “não convencionais” tem sempre de “descontar” este fator.

Vou tentar simplificar: o objetivo final destes planos são o financiamento da economia (crédito às empresas para investir e para as famílias consumirem), certo?

Na altura em que foram lançados estes programas, os juros da dívida pública estavam bastante atrativos (yields de 3% a 7%), naturalmente os bancos canalizaram esse dinheiro para estes ativos.

O Draghi contava que eles fizessem isso.

m5m-03novport

03:04 - CEO por um dia

Se fosse presidente do Banco YXP, a opção mais lógica tendo em conta o risco vs. retorno é pedir emprestado a 1% ao abrigo deste programa, e comprar dívida de um determinado estado que lhe paga 5%.

Sem suar muito lucra 4%.

O BCE matou dois coelhos de uma cajadada.

Primeiro, incentivou os bancos a comprarem dívida pública e assim diminuí o custo de financiamento dos Estados membros.

Segundo, aumentou o lucro das instituições financeiras. Bancos que dão lucro estão mais confiantes, e por isso emprestam mais.

Só quando já não há dinheiro a ser feito na dívida pública é estes começam a olhar para o consumidor (empresas e famílias).

04:44 - Quero resultados

Neste momento os juros da dívida soberana já estão tão baixos que o retorno sobre empréstimos a empresas ou às famílias começa a compensar face à aposta sobre a dívida do Estado.

Depois da contração na concessão de crédito verificada nos últimos anos.

Os bancos começam a olhar para o consumidor como forma de rentabilizar este dinheiro.

Não o fazem por um desejo altruísta de ajudar o país, a si ou mim. Fazem-no porque querem gerar lucros.

ricos

Pedro Gonçalves, Editor-chefe

Pedro Gonçalves foi Portfolio Manager no Millennium Investment Banking. É licenciado em Finanças pelo ISCTE – Business School e mestre em Gestão pela Universidade Católica Portuguesa. Atualmente, é editor-chefe da Empiricus Portugal.