A economia não é uma ciência

A Economia, ao que parece, não é uma ciência social, antes exata, como a Física ou a Química – uma distinção que não só incentiva a arrogância entre os economistas, mas também adultera a forma como pensamos a disciplina.

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Por 12 de Março de 2018

.: Pseudociência
.: Prémio Nobel
.: Matemática na economia
.: Não existe segurança
.: Esperar para entrar

00:12 - Pseudociência

Não se deixe iludir pelo prémio Nobel: a Economia não é uma ciência.

O prémio glorifica os economistas como sábios de verdades intemporais, promovendo a arrogância e levando ao desastre.

O problema não é tanto se existe um prémio Nobel em Economia, mas o facto de não haver prémios equivalentes em psicologia, sociologia ou antropologia.

A Economia, ao que parece, não é uma ciência social, antes exata, como a Física ou a Química – uma distinção que não só incentiva a arrogância entre os economistas, mas também adultera a forma como pensamos a disciplina.

01:03 - Prémio Nobel

Um prémio Nobel de Economia implica que o mundo humano funcione muito como o mundo físico: que pode ser descrito e compreendido em termos neutros e que se presta à modelagem, como reações químicas ou o movimento das estrelas.

Isto cria a sensação de que os economistas não estão no negócio de construir teorias inerentemente imperfeitas, mas de descobrirem verdades atemporais.

Para ilustrar o quão perigoso este tipo de crença pode ser, basta lembrar o destino da Long Term Term Management, um hedge fund criado por, entre outros, os economistas Myron Scholes e Robert Merton em 1994.

Em 1997, a dupla foi premiada com o prémio Nobel.

Um ano depois, o fundo perdeu 4,6 biliões de dólares em menos de quatro meses e teve de ser resgatado para evitar um colapso do sistema financeiro global.

02:01 - Matemática na economia

Muitos economistas ainda pensam em termos científicos…

Nas últimas décadas, a economia geral nas universidades tornou-se cada vez mais matemática, com foco em análises estatísticas complexas e modelagem em detrimento da observação da realidade.

As consequências de confiarmos cegamente em folhas de excel deviam ter nos ensinado qualquer coisa (nunca se esqueça da crise financeira de 2008).

Eis que a indústria financeira resolve recorrer a modelos ainda mais complexos para gerir o seu risco. O problema era sempre do modelo, por ser pouco sofisticado.

Nada me tira da cabeça que isso está, simplesmente, errado.

 

03:04 - Não existe segurança

Claro que se a sua profissão passa por garantir segurança, num mundo inerentemente incerto, vai querer parecer o mais intrincado possível.

Sendo assim, constroem-se folhas de cálculo com milhares de linhas e colunas que não servem para nada…

…em vez de se promover o ensino de estratégias de investimento que não dependem de dotes de adivinhação.

Reforço: o seu único propósito é procurar assimetrias favoráveis que ganharão muito dinheiro num cenário bom e perderão pouco num cenário mau.

04:09 - Esperar para entrar

As bolsas pelo mundo fora estão hoje praticamente todas em alta.

Nos EUA, os dados da inflação vieram abaixo do esperado (o mercado laboral afinal não está assim tão quente, logo a Fed não terá de ser tão agressiva na subida dos juros – veremos).

Como resultado disso, os principais índices americanos encetaram uma forte valorização na sexta-feira, com o Nasdaq a fechar a sessão em máximos de todos os tempos. Os futuros também apontam para cima esta segunda-feira.

O sentimento positivo do outro lado do Atlântico também se alastrou para o velho continente e, por aqui, as principais praças seguem em forte alta. Apesar de ainda distantes dos máximos do ano.

Diante disto tudo, pergunto-lhe: ainda está à espera do quê para se posicionar n’As Melhores Ações?

Pedro Gonçalves, Editor-chefe

Pedro Gonçalves foi Portfolio Manager no Millennium Investment Banking. É licenciado em Finanças pelo ISCTE – Business School e mestre em Gestão pela Universidade Católica Portuguesa. Atualmente, é editor-chefe da Empiricus Portugal.