Em direção ao desconhecido

O raciocínio probabilístico é a melhor maneira de pensar sobre os mercados, mas é muito difícil executá-lo na prática, porque temos uma propensão elevada para nos envolvermos emocionalmente com posições individuais.

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Por 10 de Abril de 2018

.: Matematicamente falando
.: Estratégia inteligente
.: Lei dos grandes números
.: Private equity
.: The long game

00:12 - Matematicamente falando

“Enquanto um homem sozinho é um quebra-cabeças insolúvel, num grupo ele torna-se uma certeza matemática.

É impossível, por exemplo, prever o que qualquer homem fará, mas pode dizer-se com precisão o que a média irá fazer.

Os indivíduos variam, mas os percentuais permanecem constantes.

Assim diz o estatístico.”

01:30 - Estratégia inteligente

O excerto acima foi retirado do livro “O signo dos quatro”, escrito por Sir Arthur Conan Doyle, a segunda história da saga do detetive mais famoso de todos os tempos: Sherlock Holmes.

Substitua a palavra “homem” pela palavra “ação” e estará no caminho certo para uma estratégia inteligente de investimento.

O raciocínio probabilístico é a melhor maneira de pensar sobre os mercados, mas é muito difícil executá-lo na prática, porque temos uma propensão elevada para nos envolvermos emocionalmente com posições individuais.

02:04 - Lei dos grandes números

Construir um processo de investimento dependente de probabilidades exige uma disciplina firme, porque as probabilidades só funcionam se estiver disposto a manter-se fiel ao seu método (o investimento em valor é um ótimo exemplo).

Se precisar de uma analogia pense no negócio dos casinos.

The house always wins.

As probabilidades estão do lado deles e, depois, os lucros aperecem por mera aplicação da lei dos grandes números.

 

03:01 - Private equity

Caso esteja posicionado em estratégias chamadas long gamma, o investidor beneficia diretamente desta realização…

Para um fundo de private equity ou venture capital focado em start ups, por exemplo, a possibilidade de ganhos aumenta conforme cresce o número de empresas no portfólio – justamente porque não conhecemos o futuro e precisamos que apenas uma delas saia do zero e vire uma mini Amazon.

Por conta da responsabilidade limitada (o acionista nunca responde com mais do que o seu capital investido, limitando a sua perda a 100 por cento), as ações desfrutam justamente das características supracitadas.

É impossível prever o que qualquer ação fará, mas pode dizer-se com precisão que um conjunto inteligentemente diversificado – por conta da sua distribuição assimétrica à direita – devolverá na média retornos positivos.

É isto tipo de noções que precisa de aprender se quiser ser um investidor essencial.

04:03 - The long game

O investidor erra, necessariamente, mas só precisa de se preocupar com isso se for um erro grande e frequente. Ninguém acerta sempre.

No fundo, quanto é que os seus desacertos representam do seu portfólio como um todo e da sua construção de património a longo prazo?

Por isso é tão importante “manter-se vivo” ao longo do processo.

Esqueça excesso de concentração, exposições de curto prazo, aplicações de dinheiro que não pode perder em ativos de risco, fuja do fundo mais rentável do ano (provavelmente correu mais risco do que o leitor – e o próprio gestor – supõem).

Pedro Gonçalves, Editor-chefe

Pedro Gonçalves foi Portfolio Manager no Millennium Investment Banking. É licenciado em Finanças pelo ISCTE – Business School e mestre em Gestão pela Universidade Católica Portuguesa. Atualmente, é editor-chefe da Empiricus Portugal.