Este é para quem tem dúvidas
Uma vez que os mercados brincam com a estabilidade, vou aproveitar a calmaria para responder a algumas dúvidas que recebemos nos últimos dias.
.: Caixa de e-mail
.: Investimento em ações
.: Biggest risk
.: Procura de yield
.: Armas do BCE
00:22 - Caixa de e-mail
Uma vez que os mercados brincam com a estabilidade, vou aproveitar a calmaria para responder a algumas dúvidas que recebemos nos últimos dias.
Ainda ontem o Filipe me perguntava se ainda vai a tempo de aproveitar o rally de final do ano.
Esta pergunta é recorrente na minha caixa de e-mail.
Quem é que não gostaria de saber se ainda dá para ganhar umas massas até ao Natal, não é verdade?
01:23 - Investimento em ações
Se por um lado, nos últimos anos verificou-se que entre setembro e janeiro o mercado costuma ter um bom desempenho; por outro, o axioma do mercado é que retornos passados não são garantia de lucros futuros.
Por esta razão a minha resposta é muito simples:
Páre de tentar prever o comportamento do mercado no curto prazo.
Considere apenas a possibilidade de incluir o investimento em ações europeias se estiver disposto a esperar no mínimo dois a três anos.
Menos do que isso é casino.
02:34 - Biggest risk
Neste caso vou transcrever a pergunta do nosso estimado leitor:
“Pedro, qual é o principal risco para a Europa no próximo ano?”
Muito sinceramente: Itália.
A quarta maior economia da zona Euro atravessa um período conturbado de crescimento anémico, bancos endividados e instabilidade social.
No meio disto tudo ainda terá de realizar eleições até maio de 2018.
Alguns dos partidos são extremistas, o que poderá abanar com os mercados.
Apesar de ser um tema que está presente na cabeça de todos os europeus, considero que o impacto económico ainda não está refletido no preço dos índices.
03:22 - Procura de yield
Esta é bem genérica: qual é a grande sacada de 2018?
Considero que o tema dos bancos centrais será esquecido na primeira metade do ano, voltando a ser market mover depois das férias.
Por ora, acho que toda a gente já percebeu que eles irão subir as taxas de juro gradualmente e o mercado já desconta essa alteração na política monetária.
Além disso, o crescimento mundial vai continuar robusto, o que vai aumentar o apetite por ativos com maior retorno.
As obrigações de baixo risco que foram compradas antes da crise financeira estão perto da maturidade. Por exemplo, as 10y Treasury Bondscompradas em 2007 ou as bunds da mesma colheita.
Na altura, as taxas de cupão eram muito atrativas. Esses investidores vão voltar a ter liquidez e no mercado já não existem este tipo de ativos.
Por outras palavras, esse dinheiro deverá ser redirecionado para o mercado acionista ou ativos mais arriscados. Quem souber posicionar-se poderá beneficiar-se enormemente.
Isto não quer dizer que não possam existir cisnes negros pelo caminho. Por isso, lembre-se sempre dos seus seguros.
04:11 - Armas do BCE
Que armas é que Mario Draghi ainda tem no arsenal?
Atualmente, o BCE compra 60 mil milhões de euros de ativos por mês, mas vai baixar para 30 mil milhões a partir de janeiro…
O ritmo cai pela metade, mas o prazo foi alargado.
Até agora está previsto que o programa termine em setembro de 2018, mas o banco central deixou em aberto a possibilidade de estendê-lo.
Ou seja, se os indicadores não melhorarem o programa é para continuar…
Se melhorarem é sinal que não precisamos dele.
Pedro Gonçalves, Editor-chefe
Pedro Gonçalves foi Portfolio Manager no Millennium Investment Banking. É licenciado em Finanças pelo ISCTE – Business School e mestre em Gestão pela Universidade Católica Portuguesa. Atualmente, é editor-chefe da Empiricus Portugal.
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