Existe sorte nos investimentos?

No fundo, o que toda a gente quer saber é se existe sorte nos investimentos? Falo aqui, especificamente, do tipo de aleatoriedade capaz de definir vencedores e perdedores.

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Por 28 de novembro de 2017

.: A sorte protege os audazes
.: Milionários de lotaria
.: Outliers
.: Ingrediente poderoso
.: Predileção

00:12 - A sorte protege os audazes

Uma das questões mais recorrentes para quem investe nos mercados financeiros ou trabalha na área não tem nada a ver com projeções de fluxos de caixa ou política monetária…

No fundo, o que toda a gente quer saber é se existe sorte nos investimentos?

Falo aqui, especificamente, do tipo de aleatoriedade capaz de definir vencedores e perdedores.

Se eu trabalhasse num banco de investimento, que precisa de convencê-lo que tenho uma vantagem em relação aos outros profissionais, o meu discurso talvez indicasse uma resposta negativa.

Expressões como disciplina, trabalho e competência individual seriam aventadas no meio da elocução.

Por mais que a retórica fosse bonita, infelizmente seria incompleta.

Os elementos supracitados certamente são importantes.

Contudo, ficam longe de explicar 100 por cento do resultado.

Temos um livro só para si!

“Contra o Financismo”, o novo livro dos analistas Empiricus

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01:03 - Milionários de lotaria

Imagine dois milionários. O Filipe ganhou 1 milhão de euros na lotaria em 2007 e o João recolheu a mesma soma dois anos mais tarde.

Veja: é o mesmo valor, mas em timings diferentes.

Os dois têm exatamente a mesma competência em termos de gestão de património. Acreditam numa carteira diversificada com um mix bastante equilibrado entre ativos sem risco e com risco.

Olhando para o final do processo, é difícil ter essa noção.

Enquanto o Filipe começou a construir a sua carteira nos máximos da bolha imobiliária, o João investiu o seu capital na melhor época de saldos do mercado nos últimos 20 anos.

02:05 - Outliers

À mesma conclusão chegou Malcolm Gladwell, no livro Outliers.

Por que é que Bill Gates é o homem mais rico do mundo?

Ele é inteligente, óbvio, e tem uma tremenda ambição. Mas, provavelmente, não teria fundado a Microsoft se não tivesse nascido em 1955.

Isso fez com que Gates tivesse a idade certa para aproveitar as oportunidades que se abriram com a introdução, em 1975, do Altair 8800, o primeiro kit de informática do-it-yourself.

Coincidência?

O co-fundador da Microsoft, Paul Allen, nasceu em 1953, o fundador da Apple (AAPL), Steve Jobs, em 1955, e os fundadores da Sun Microsystems (SUNW), Bill Joy e Scott McNealy, em 1954.

Todos estes pioneiros de Silicon Valley não tinham apenas um talento extraordinário, também tiveram as oportunidades certas no momento certo.

03:10 - Ingrediente poderoso

Infelizmente ou felizmente, já não sei ao certo, o timing interessa e muito.

E por mais que o trabalho a dedicação possam ajudar na definição do melhor momento para investir, a sorte é um ingrediente muito poderoso.

Dado que não sabemos o dia de amanhã, nem se hoje é o melhor ou o pior timing, a única opção é uma estratégia antifrágil.

Como é impossível saber se vai sair cara (cenário positivo) ou coroa (negativo), opta pelo resultado que lhe oferece a melhor matriz de retornos potenciais, procurando uma assimetria favorável entre perdas e ganhos potenciais.

Vou preferir a estratégia X a Y porque se acontecer o cenário negativo ela garantir-me-á perdas menores, e se vier o bom, ganhos maiores.

Como explicamos no livro Contra o Financismo, que pode receber gratuitamente em sua casa.

04:09 - Predileção

Quem me acompanha aqui no M5M sabe a minha predileção pelo DAX, o principal índice alemão.

Constituído por algumas das maiores empresas exportadoras da zona Euro é um indicador muito sensível à cotação da moeda única.

 

Desde o início de outubro, o índice permanece teimosamente atrelado à marca dos 13.000 pontos.

O gatilho para nova alta será um acordo entre a CDU e os Sociais-Democratas.

Até agora, só temos negociações.

Veremos.

Pedro Gonçalves, Editor-chefe

Pedro Gonçalves foi Portfolio Manager no Millennium Investment Banking. É licenciado em Finanças pelo ISCTE – Business School e mestre em Gestão pela Universidade Católica Portuguesa. Atualmente, é editor-chefe da Empiricus Portugal.