Expetativas em alta

Em Portugal, nós entendemos que existe espaço para ganhos acima do mercado…Nem sempre precisa acertar nos grandes vencedores…

Maior Menor
Por 9 de Março de 2016

.: Thug life
.: Aposta da vida
.: Sinfonia de Draghi
.: Análise técnica
.: Quero Estímulos

00:10 - Thug life

É ingrato ser gestor de um fundo…

Índice português fechou o mês com uma queda de quase 6% e os fundos de ações nacionais vieram atrás, em média, 4,5%.

Não há volta a dar, se as ações caem, o gestor no limite minimiza as perdas.

E no caso nacional o problema é ainda mais complicado.

Entre as 17 empresas que cotam no PSI20 é tentar evitar as piores.

Veja-se este mês, onde os gestores nacionais fugiram da EDP e do BCP, as piores ações do mês de fevereiro…

Serve o exemplo para explicar um dos grandes desafios dos investidores que geram o seu património por conta e risco…

Em Portugal, nós entendemos que existe espaço para ganhos acima do mercado…

Nem sempre precisa acertar nos grandes vencedores…

Se evitar os BES, Banif e Portugal Telecom da vida, já será meio caminho andado para o sucesso…

 

01:21 - Aposta da vida

Por outro lado, a aposta em rendimentos de mercado tem cada vez mais seguidores…

O Sr. Warren Buffett é conhecido pelo seu menosprezo pela indústria de hedge funds (fundos de cobertura altamente especulativos).

(Não confundir com os fundos nacionais).

Em 2008, apostou 1 milhão de dólares com um gestor que um fundo que imita o desempenho do S&P 500 (ou seja, os investimentos que o fundo detém são “exatamente” iguais à constituição do índice) conseguiria bater um portfolio de hedge funds num período de 10 anos.

A aposta reverteria para uma instituição de caridade.

Recentemente, na assembleia de acionista da Berkshire, o mega-investidor revelou que o Vanguard 500 (fundo que imita o maior índice americano) tem um ganho acumulado de 63,5%, enquanto o cabaz de fundos especulativos sobe apenas 19,6%…

É por estas e outras, que os investidores americanos procuram cada vez mais rendimentos de mercado.

Os génios que prometem bater a média, raramente o fazem.

02:12 - Sinfonia de Draghi

Amanhã vai ser o dia do tudo ou nada para as bolsas europeias…

Mario Draghi sobe ao palco e a música que cantar, vai definir o ritmo para os próximos meses…

Mais do que o tema escolhido, o presidente do BCE vai ter de surpreender o júri (leia-se o mercado).

Em análise vai estar a profundidade e a extensão dos estímulos.

Se o mercado gostar da composição, espera-se um rali.

Se, como em dezembro, ficar aquém… as bolsas podem ir procurar os mínimos já feitos este ano.

03:05 - Análise técnica

E não podíamos estar em níveis técnicos mais simbólicos.

Ligeiramente acima 3000 pontos no Eurostoxx 50.

Daqui podemos ir para qualquer lado (como sempre, diga-se).

Não queria pressionar muito o nosso Goldman-boy…

Mas está tudo de olhos postos na criatividade do presidente do BCE.

04:01 - Quero Estímulos

Uma das medidas em cima da mesa é aumentar o quantitive easing (criação de dinheiro novo) e expandir o programa de compra de dívida.

Hoje em dia, a maior economia (Alemanha) é a que recebe mais financiamento (através do programa de compras).

Parece lógico…

No entanto, a Alemanha (3º) não é o país da zona euro mais endividado em termos absolutos.

Os italianos, nesse domínio, estão estão na pole position.

A eventual flexibilização do programa visa permitir que o BCE compre mais a quem deve mais.

É claro que os alemães não vão achar muita piada.

No fundo, estamos a perpetuar o problema: os despesistas são os mais beneficiados.

P.S. Isto quando transpirou nas notícias que a Comissão vai exigir mais esforço orçamental a Portugal (€700 milhões). Dá com uma e tira com a outra.

 

Já leu o nosso Relatório de Imóveis? Leia, aqui:

 

Pedro Gonçalves, Editor-chefe

Pedro Gonçalves foi Portfolio Manager no Millennium Investment Banking. É licenciado em Finanças pelo ISCTE – Business School e mestre em Gestão pela Universidade Católica Portuguesa. Atualmente, é editor-chefe da Empiricus Portugal.