Força da técnica

Na impossibilidade de adivinhar o futuro, olha-se para o passado à procura de decifração… A Morgan Stanley, um dos maiores intermediários financeiros do mundo, decidiu analisar os últimos bear markets (expressão utilizada para definir correções de mais de 20% desde os últimos máximos).

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Por 27 de Janeiro de 2016

.: Contra a técnica da força
.: Perguntas ingratas
.: Respostas ingratas
.: História nunca se repete
.: Em que ponto é que estamos?

00:05 - Contra a técnica da força

Amnésia ou esquecimento temporário?

O excesso de Xanax começa a fazer as suas primeiras vítimas (felizmente)…

Tudo começou com o petróleo. Excesso de oferta, preços a pique.

Em simultâneo o país dos pandas sinalizou um hard landing.

Meanwhile, nada mudou.

A cotação dos barris parece ter consolidado perto dos 30 dólares (mesmo que momentaneamente), mas ainda perde 18% no ano.

O Sr. Chen do restaurante “Delícias de Pequim”, continua a vender todas as ações que tem no seu país. Em 2016, a sua carteira já desvalorizou 23%…

Mas os índices ocidentais, já estão a olhar para outro lado…

01:23 - Perguntas ingratas

O americano DOW e o DAX alemão iniciaram uma recuperação desde os comentários de Mario Draghi (maís estímulos à zona Euro).

Para quem não percebe muito bem a dinâmica…

Tem aqui uma explicação muito básica. 

Nas últimas cinco sessões (gráfico abaixo) os dois mercados já recuperaram uma pequena parte do que perderam neste início de ano, mas as variações no ano continuam ainda muito deprimidas.

Isto leva a perguntas ingratas…

 

Down Jones e Dax

 

02:10 - Respostas ingratas

Se há um povo que tem dinheiro para investir é o português.

Depois de 4 anos a dizerem-lhe que a dívida era má e consumir faz mal à saúde…

O dinheiro vai ficando acumulado na conta ou se não gosta de pagar as comissões de manutenção já utiliza o velho colchão para esconder o seu pé-de-meia.

Os dados não mentem, de acordo com os dados do BdP, os portugueses nunca tiveram tanto dinheiro em depósitos à ordem…

A velha poupança não paga nada…

A curiosidade é, portanto, natural: depois destas quedas, faz sentido investir nos mercados financeiros?

03:01 - História nunca se repete

Na impossibilidade de adivinhar o futuro, olha-se para o passado à procura de decifração…

A Morgan Stanley, um dos maiores intermediários financeiros do mundo, decidiu analisar os últimos bear markets (expressão utilizada para definir correções de mais de 20% desde os últimos máximos).

Da análise, descobriu-se que em média as correções (definidas desde o ponto mais alto ao mais baixo) de mais de 20% nos EUA (S&P), demoram em média 272 dias. Além disso, a queda costuma ser na ordem dos 28%.

No velho continente, as crises na bolsa tendem a ser mais curtas (144 dias), mas mais violentas (-33%).

A surpresa deste diagnóstico são provavelmente os Mercados Emergentes (MSCI EM), os reis da volatilidade, caem o que tem a cair em 121 dias e as bolsas perdem em média nessas correções 31% do seu valor.

 

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04:07 - Em que ponto é que estamos?

As médias valem o que valem…

Mas se olharmos para o que se passa hoje nos mercados, podemos concluir que:

A Europa e os Emergentes estão atrasados na recuperação.

No caso Europeu a queda já leva 205 dias… A China, Rússia, Brasil e companhia já estão há um ano a deslizar…

 

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Mas a pergunta que vai na cabeça de toda a gente é: o que é que acontece depois destas quedas?

De acordo com o mesmo estudo, nos doze meses seguintes a uma correção deste tipo o mercado sobe 30%. Mas se só consideramos os primeiros 6 meses, essa subida já cai para 8%.

Em suma, olhando para o estado atual das coisas, os mercados emergentes e a Europa são os mais atrativos, quer em termos fundamentais, se olharmos para o PER e para as estimativas do crescimento dos resultados, quer em termos da lógica das correções.

A verdade é que só isso não basta e na prática ninguém consegue profetizar o fundo do poço.

 

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Pedro Gonçalves, Editor-chefe

Pedro Gonçalves foi Portfolio Manager no Millennium Investment Banking. É licenciado em Finanças pelo ISCTE – Business School e mestre em Gestão pela Universidade Católica Portuguesa. Atualmente, é editor-chefe da Empiricus Portugal.