Hipótese remota

Recebemos um email de um leitor que nos perguntou: vale a pena investir em fundos alternativos? Para quem não sabe o que são fundos alternativos, vai aqui uma explicação básica:

Maior Menor
Por 23 de Março de 2016

.: Capitalismo insensível
.: Walking Dead
.: Private Dancer
.: Casas em Portugal
.: Investimentos alternativos

00:10 - Capitalismo insensível

O impacto económico do terror é sempre menor do que o custo humano.

Não é de admirar, portanto, que a mão invisível siga seu caminho imperturbável.

Mercados acionistas regressam a negociar no verde. DAX +1%, CAC +0,5% e até o BEL 20, principal índice da Bélgica, sobe 0,7%.

De onde é que sai o dinheiro que volta a entrar em ações?

Exatamente. Ativos refúgio.

Ouro e obrigações alemãs recuam, quando o apetite do investidor aumenta

00:58 - Walking Dead

De morta e enterrada, a banca portuguesa volta a fazer capas de jornal.

Tudo porque a exposição do BPI à Angola, obrigou os atuais acionistas a abanar com o status quo…

Da resolução de um problema nasce um conto de fadas:

Caixabank (o maior acionista do BPI) compra participação de Isabel dos Santos.

E esta, muito satisfeita com a mais-valia, quer comprar outra instituição financeira.

Como não há muito por onde escolher todos os dedos apontam para o BCP.

m5m23mar2

 

02:12 - Private Dancer

Não sendo o mais bonito na pista, é o único a dançar.

Nasce a dúvida… Se isso for mesmo verdade, (que Isabel dos Santos não tem nenhum par para dançar) como é que convida o BCP?

Exercício hipotético:

– Compra a participação a outros acionistas (i.e. bolsa de valores) …

– Via aumento de capital – BCP cria novas de ações e a filha da presidente compra na operação.

O que é que acontece ao banco:

– Capital reforçado e capacidade para reembolsar os CoCos (peso na rendibilidade do banco)

– Contraste ao plano inicial (pagar CoCos com resultados)

– Diluição do atual acionista. Como é puramente um exercício especulativo, não se saberia se o impacto positivo do pagamento dos CoCos anularia o efeito negativo da criação de novas ações…

Esta alta das ações leva-nos a acreditar que o mercado acha que sim, mas também já esteve errado antes…

03:23 - Casas em Portugal

Saíram os dados do índice de preços da habitação relativo ao último trimestre de 2015%…

Já podemos fazer um apanhado do ano.

Pois é, de acordo com o INE, o IPH apresentou uma variação média anual de 3,1%, inferior à registada em 2014 (de 4,3%), “ano em que se inverteu a redução dos preços das habitações em Portugal observada nos três anos anteriores”.

No entanto, o ano foi muito mais dinâmico em termos de operações:

registaram-se 107.302 transações de habitações, mais 27,4% do que em 2014, atingindo um valor próximo dos 12,5 mil milhões de euros, mais 30,8% do que o valor observado em 2014.

Não há dúvida que o paradigma mudou.

04:23 - Investimentos alternativos

Recebemos um email de um leitor que nos perguntou: vale a pena investir em fundos alternativos?

Para quem não sabe o que são fundos alternativos, vai aqui uma explicação básica:

São fundo que prometem entregar retornos positivos independentemente se o mercado vai para cima ou para baixo, ou seja, têm estratégias de investimento que não têm correlação com o desempenho dos benchmarks globais.

Decidimos investigar…

Fizemos uma filtragem, onde observámos a rendibilidade dos fundos que cabem dentro dessa categoria no Banco Big e observámos que no último ano, salvo raro exceções, a maior parte destes fundos perderia para a média dos depósitos a prazo.

Não quer dizer que não possam vir a ter um bom ano.

Mas tão longe de garantir retornos positivos “no matter what”…

M5M23mar

Pedro Gonçalves, Editor-chefe

Pedro Gonçalves foi Portfolio Manager no Millennium Investment Banking. É licenciado em Finanças pelo ISCTE – Business School e mestre em Gestão pela Universidade Católica Portuguesa. Atualmente, é editor-chefe da Empiricus Portugal.