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Que a bolsa portuguesa é um terreno fértil em situações caricatas já toda a gente sabia… O que ainda não tínhamos visto era um acionista – em evidentes dificuldades – lançar uma OPA com um prémio que é mais do dobro do valor de cada título no fecho do dia anterior…
.: Só mais um dia na praça nacional
.: A bola de cristal
.: Aumento de capital
.: O jogo das cadeiras
.: Especialmente para si
00:10 - Só mais um dia na praça nacional
Que a bolsa portuguesa é um terreno fértil em situações caricatas já toda a gente sabia…
O que ainda não tínhamos visto era um acionista – em evidentes dificuldades – lançar uma OPA com um prémio que é mais do dobro do valor de cada título no fecho do dia anterior…
Agora já vimos de tudo.
Ontem, a Associação Mutualista anunciou preliminarmente a oferta a um euro por cada uma das 106 milhões de unidades de participação que ainda não detinha do Montepio, quando os títulos negociavam abaixo dos €0,50…
Curioso, como o valor da oferta é muito semelhante ao alcançado pelo título a 31 de maio, quando supostamente ninguém sabia de nada….

Fica aqui a reflexão para as partes interessadas.
01:33 - A bola de cristal
“Pedro, mas como é que não antecipaste este negócio?”
Primeiro, porque a minha bola de cristal simplesmente não funciona. Os valores desta operação são tão bizarros que desconfio que – sem ser o tipo que comprou em maio – ninguém tenha sonhado com este deal alguma vez.
Segundo, porque não recomendamos este tipo de empresas aos nossos clientes. Não encaramos o investimento em bolsa como um casino.
N’As Melhores Ações da Bolsa preferimos focar a nossa atenção em empresas com um governance robusto, que sejam rentáveis e previsíveis.
Exatamente o oposto do Montepio.
02:29 - Aumento de capital
A operação de recompra evidencia mais um passo na estratégia para capitalizar o banco com capital fresco.
E seria bastante oportuna, não fosse a forma como foi feita…
Além disso, ainda há a questão do novo sócio.
A Santa Casa da Misericórdia de Lisboa tem uma responsabilidade social e vai empregar recursos que deviam ser usados para ajudar os mais necessitados para salvar uma instituição financeira.
Já vale tudo, não é?
03:06 - O jogo das cadeiras
Na verdade, já ninguém fica surpreendido com estes arranjinhos.
No jogo das cadeiras dos órgãos reguladores a situação é bem pior.
Dos 33 cargos de administração nos reguladores setoriais, o atual governo já conseguiu nomear 14, sendo cinco presidentes.
Algumas das escolhas têm manifestas ligações políticas ou a empresas do setor que “supostamente” vão regular.
Só para dar um exemplo, dos novos administradores indicados para a Anacom, dois têm um passado ligado à PT/Altice e dois têm antigas ligações ao PS.
Enfim…
Não admira que, num estudo publicado no The Journal of Finance em 2010 sobre quem denuncia as fraudes corporativas…
… os reguladores apareçam em 4º lugar, quando consideramos o número de casos.
Se tivermos em conta o tamanho dessas fraudes, estas agências caem para a 5º posição.
Os empregados das próprias empresas fraudulentas, os analistas financeiros externos que as seguem e os media fazem muito mais pelos interesses dos acionistas do que estes órgãos que, ainda por cima, têm um custo elevado para o contribuinte (e consumidor)…
Dadas estas nomeações fica fácil perceber porquê.
04:37 - Especialmente para si
O mercado local recupera um pouco do fôlego, instigado pela OPA ao Montepio.
Lá fora o dia é chatíssimo, com as bolsas europeias à espera da abertura dos mercados norte-americanos (que estiveram encerrados) ante uma agenda económica deserta, enquanto investidores ainda ruminam sobre a endurecimento do discurso de Draghi.
Boa oportunidade para ler a oferta que preparamos para si.
Pedro Gonçalves, Editor-chefe
Pedro Gonçalves foi Portfolio Manager no Millennium Investment Banking. É licenciado em Finanças pelo ISCTE – Business School e mestre em Gestão pela Universidade Católica Portuguesa. Atualmente, é editor-chefe da Empiricus Portugal.
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