Interesse mútuo

Quem não parece estar muito preocupado com o que se passa cá dentro é a Jerónimo Martins. Cada vez mais uma empresa polaca, revelou ontem as vendas do ano passado. Em suma, o topline do ano de 2015 cresceu 8,3% face ao ano passado para 13 mil milhões de euros.

Maior Menor
Por 13 de Janeiro de 2016

.: Mergulhadores
.: Investigar os números
.: Headlines não vão faltar
.: Deixa o carro em casa
.: Qualquer dia também sai do índice

00:04 - Mergulhadores

Ontem falei em pôr o dedo na água.

Hoje os investidores mergulham de cabeça.

Os dados divulgados na China mostram que o arrefecimento da segunda maior economia do mundo afinal não vai acontecer de forma tão abrupta.

As estatísticas das importações e exportações do gigante com olhos em bico foram melhor que o estimado, o que sugere uma desaceleração, mas a um ritmo mais lento do que o previsto.

Apesar de nem isso ter feito as bolsas locais valorizarem.

Foi o suficiente para os europeus desligarem o feed de notícias asiáticas e voltarem à procura do valor nas empresas do velhinho continente.

01:09 - Investigar os números

Depois do rebound de ontem, as principais bolsas europeias voltam a subir mais de 1%…

Nos EUA, é hora de olhar para os resultados das empresas.

Ainda esta semana vamos ter os números do 4º trimestre de 2015 da JP Morgan, Intel, Blackrock, Citigroup e Wells Fargo…

Bastante para manter entretido o investidor que adora escarafunchar os balanços e demonstrações de resultados das multinacionais norte-americanas.

O consenso de mercado é que o crescimento dos números vai ser anémico. As surpresas vão acontecer na Europa (época começa no final de janeiro e só aquece durante fevereiro) …

02:23 - Headlines não vão faltar

Até lá há muito com que o investidor se entreter por território nacional…

O governo está numa cruzada: reverter todas as medidas do anterior executivo (no menor tempo possível).

Até parece um concurso de popularidade. PS agrada cá dentro, virando as costas lá para fora…

Mas nem só de críticas externas vive o primeiro-ministro.

O Financial Times já deu razão a Portugal na resolução encontrada para o Novo Banco (decisão tomada pelo BdP).

Não sem antes a PIMCO (credora de 10% da dívida que passou do NB para o BES) nos ter chamado de Venezuela da Europa…

A reversão das concessões de transporte metropolitano e privatização da TAP prometem não ter tanto apoio da comunidade internacional.

03:15 - Deixa o carro em casa

O tema dos transportes é sintomático da política socialista.

Durante o processo que atribui a concessão do Metro de Lisboa e da Carris aos espanhóis da Avenza, António Costa como presidente da Câmara de Lisboa poderia ter concorrido.

Mas preferiu ganhar na secretaria.

Agora como PM, entregou a empresa que gere a rede de transportes lisboeta à câmara municipal.

O problema: os privados estavam obrigados a investir na renovação da frota, ora com esta “solução” essa responsabilidade passa para a mão do Estado.

Como o município alfacinha tem uma capacidade de investimento limitada, a solução parece óbvia: mais endividamento.

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04:06 - Qualquer dia também sai do índice

Quem não parece estar muito preocupado com o que se passa cá dentro é a Jerónimo Martins.

Cada vez mais uma empresa polaca, revelou ontem as vendas do ano passado.

Em suma, o topline do ano de 2015 cresceu 8,3% face ao ano passado para 13 mil milhões de euros.

A Polónia representa 70% da faturação total do grupo, que conta com a cadeia Pingo Doce (detida em 49% pelos holandeses da Ahold) e uma operação na Colômbia (representa menos de 1% das vendas).

Para 2016, a cadeia nacional de supermercados deverá beneficiar do aumento do rendimento dos portugueses e da manutenção da vantagem competitiva que tem relativamente aos concorrentes polacos.

Sem o crescimento exuberante que apresentou no início da operação polaca, a mudança do mindset dos investidores relativamente à ação – de growth stock para value play – ajudou à recuperação do título em bolsa nos últimos 12 meses.

Jeronimo Martins

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Pedro Gonçalves, Editor-chefe

Pedro Gonçalves foi Portfolio Manager no Millennium Investment Banking. É licenciado em Finanças pelo ISCTE – Business School e mestre em Gestão pela Universidade Católica Portuguesa. Atualmente, é editor-chefe da Empiricus Portugal.