Já comprou um seguro anti-Trump?

Face a um cenário de aumento de volatilidade, o investidor deveria defender a sua carteira com pequenos seguros.

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Por 9 de Novembro de 2016

.: Mr. President
.: Só não vê quem não quer
.: Ajustamento normal
.: Winners and loosers
.: Comprou um seguro?

00:09 - Mr. President

Todos, no fundo, desconfiavam que não seria um walk in the park para Hillary Clinton.

Afinal, a vantagem da Mrs. Clinton nas sondagens era escassa (1 a 3 pontos percentuais)…

Curiosamente, todos se mostram surpresos quando Donald Trump vence as eleições.

O mercado parece um filho mimado, incapaz de lidar adequadamente com a frustração.

Não importa que o tenha avisado 10x para não tocar na água do banho.

Ele é teimoso e queima-se!

A seguir vem a choradeira e o berreiro…

01:22 - Só não vê quem não quer

Num mundo altamente politizado, só quem ignorou os sinais é que pode estar completamente surpreendido…

Existe uma ânsia por mudança e, à falta de melhor, Trump personifica essa catarse…

Segundo Aristóteles, a catarse refere-se à purificação das almas por meio de uma descarga emocional provocada por um trauma.

Pois bem, a classe média norte-americana tem vivido em trauma.

É impossível ignorar a desilusão destas pessoas com o seu progresso económico e a crescente desigualdade entre os mais ricos e os mais pobres….

Trump é essa descarga emocional.

02:33 - Ajustamento normal

Índices derrapam pelo mundo fora… exatamente pelo que escrevi há poucos dias.

Este sell-off inicial sucede pelo compreensível aumento da incerteza. Com o incremento da aversão ao risco, os investidores tendem a reduzir a sua exposição e correm para a proteção dos ativos “seguros”…
Pense bem: se Hillary representava a continuidade e Trump a mudança, é perfeitamente normal que o mercado se tenha de ajustar nesta fase a uma alteração do paradigma…

De seguida, tentará encontrar um ponto de equilíbrio, onde aguardará por maior visibilidade em relação às políticas do novo morador da Casa Branca.

Este processo será tumultuoso e deve ser encarado por aqueles que estão investidos como um bom momento para proteger as suas carteiras. Mas apenas como uma medida tática.

No longo prazo, deve manter as suas convicções…

É impossível fazer timing de mercado, não vai zerar a sua carteira sem perceber as repercussões desta eleição.

Se tiver liquidez, até poderão despontar boas oportunidades. Fique atento.

03:10 - Winners and loosers

Assim de caras, o setor mais beneficiado é o setor de Healthcare (Saúde).

Hillary prometeu guerra às grandes farmacêuticas. Com ela fora do quadro, o setor pode ficar sossegado…

No extremo oposto, o peso mexicano (-8%) afunda com a eleição de Trump.

Tenho as minhas dúvidas em relação à construção do muro, mas as medidas protecionistas alvitradas por Donald podem ter um impacto relevante na economia mexicana…

Isto são movimentos de curto prazo: um de alívio e outro de especulação…

Na minha opinião, o que realmente importa para o mercado é perceber o que significa para a política monetária norte-americana a entrada de Trump.

Ele garantiu que seria mais hawkish (aceleraria o processo de normalização das taxas de juro). Mas será mesmo?

04:09 - Comprou um seguro?

Face a um cenário de aumento de volatilidade, o investidor deveria defender a sua carteira com pequenos seguros.

É neste tipo de eventos que uma parcela pequena, em ativos-seguro como ouro e/ou opções de venda fora-do-dinheiro (somente se souber como operar opções, sim?), pode fazer um grande diferencial na performance da sua carteira.

Ao alocar um pouco da sua carteira em ativos negativamente correlacionados com o “mercado”, diminui o risco (volatilidade) da sua carteira e permite-lhe uma melhor performance quando estes eventos disruptivos acontecem…

Quando nada de anormal acontece, perde um pouco de performance, mas ganha em noites bem dormidas… ou seja, abdica um pouco de retorno quando tudo parece bem, para proteger o seu património caso aconteça um evento negativo.

Captura de ecrã 2016-11-9, às 12.12.41

Fonte: Bloomberg

Pedro Gonçalves, Editor-chefe

Pedro Gonçalves foi Portfolio Manager no Millennium Investment Banking. É licenciado em Finanças pelo ISCTE – Business School e mestre em Gestão pela Universidade Católica Portuguesa. Atualmente, é editor-chefe da Empiricus Portugal.