Lei de Murphy

A lei de Murphy é um epigrama que normalmente é mencionado como: “Qualquer coisa que possa correr mal, correrá mal no pior momento possível”.

Maior Menor
Por 9 de Janeiro de 2017

.: Tinha tudo
.: Para correr mal
.: Racional contra a nacionalização
.: May I leave now?
.: Trade do Século

00:11 - Tinha tudo

A lei de Murphy é um epigrama que normalmente é mencionado como: “Qualquer coisa que possa correr mal, correrá mal no pior momento possível”.

Normalmente abreviada para: “Se algo pode dar errado, dará.”

Dois anos e meio passaram desde a resolução do BES e ainda nenhum Governo encontrou uma solução para o suposto “banco bom” (renomeado, de forma pouco imaginativa, de Novo Banco).

Desde cedo se percebeu que a manta seria curta para tapar o buraco.

Já lá foram enterrados sete mil milhões de euros e a administração garante que precisa de mais 750 milhões até ao final do ano…

Tinha tudo para dar errado. E deu.

01:08 - Para correr mal

À primeira tentativa, o processo de venda não deu em nada.

E agora o melhor que se arranja é a proposta de um fundo que pede uma garantia contra a desvalorização de ativos do banco (vulgo, imparidades).

Convenhamos, um desfecho nada popular junto da opinião pública.

E se há veleidade que este Governo não concede é ficar mal na fotografia. Daí que a solução fomentada pela esquerda seja a nacionalização – como sempre, mete-se na conta dos contribuintes.

Pensarão: no meio de tantos milhões, quem é que anda realmente a fazer as contas?

Por ora, bate-se o pé ao capitalismo, mas deixa-se uma ferida aberta que ainda vai sangrar muito dinheiro ao erário público.

02:08 - Racional contra a nacionalização

Há várias razões por que esta decisão é obviamente perniciosa…

Primeiro, o Estado é genuinamente mau a arrumar a casa – veja-se o caso do BPN e da CGD. Por oposição, o Lone Star terá um incentivo óbvio em limpar o Banco e vender com lucro.

Pode argumentar-se que a garantia pedida é inaceitável, injusta, incomportável, etc. Sem dúvida. Por outro lado, ao menos define um limite nas perdas do Estado (entre 2 a 2,5 mil milhões, valores ainda não confirmados).

Francamente? Aposto que os investidores em dívida pública preferem saber que o Estado pode perder até 2,5 mil milhões… do que uma incógnita.

Deve ao menos ter-se essa discussão.

Além de que, se alguma coisa aprendemos com o sistema financeiro português, foi que os prejuízos são sempre maiores do que as piores estimativas… não é verdade CGD? BPN? BCP? Banif?

Assim sendo, eventuais custos ao longo do tempo com o Novo Banco vão colocar ainda mais pressão nas finanças públicas numa altura em que as taxas de juro da República começam a atingir patamares preocupantes…

Prepare-se.

03:01 - May I leave now?

Bolsas europeias iniciam o dia no vermelho, com os comentários de Theresa May a reacenderem preocupações: embora esquecido, o Brexit vai mesmo acontecer.

E pode ser mais feio que o antecipado.

A Primeira-ministra britânica alertou que não tem nenhuma intenção de continuar com alguns dos benefícios de ser membro da União Europeia. O que indica que uma saída do mercado único pode fazer parte da estratégia de saída do Reino Unido.

Pode ser só bluff. Mas será que está na hora de os mercados ficarem preocupados?

Acho que os investidores ainda vão ignorar o tema por um bom tempo.

Entretanto, temos o Inauguration Day de Trump (dia 20) já aqui à porta. Muito mais interessante.

04:09 - Trade do Século

Num tema que temos acompanhado aqui no M5M com alguma atenção…

O yuan voltou a cair contra o dólar esta segunda-feira, com o banco central da China a permitir uma correção mais acentuada do que o esperado.

Dados divulgados no fim de semana mostraram que as reservas cambiais da China caíram em dezembro para mínimos de seis anos (ainda cerca de 3,01 triliões de dólares)…

Paralelamente, as autoridades chinesas continuam a tentar “segurar” o yuan com outras medidas, por exemplo, elevando o juro interbancário – o que encarece as posições curtas na moeda.

Como o Ricardo, do outro lado do Atlântico, tão bem relembrou: “elevar juros contra a desvalorização do câmbio foi a receita do Banco de Inglaterra lá atrás, em 1992, no conhecido ‘Trade do Século’ de George Soros.”

P.S.: Em relação a Mário Soares, obrigado pela democracia. Em tudo o resto, existiriam contas a ser feitas.

Pedro Gonçalves, Editor-chefe

Pedro Gonçalves foi Portfolio Manager no Millennium Investment Banking. É licenciado em Finanças pelo ISCTE – Business School e mestre em Gestão pela Universidade Católica Portuguesa. Atualmente, é editor-chefe da Empiricus Portugal.