Mais vale estar quieto

Resumindo: sempre vi tudo a correr mal. Acho que já me acostumei a isso. Na dúvida, é só apostar contra, que vai dar certo.

Maior Menor
Por 10 de Novembro de 2016

.: Para baixo é o caminho
.: Imunidade noticiosa
.: Regressemos ao tema do momento
.: Aqui vamos nós
.: Seguindo com os olhos postos no horizonte

00:09 - Para baixo é o caminho

Sentei-me pela primeira vez numa mesa de operações em 2010. O mundo tinha acabado de sair de uma grande crise e parecia que esta ia passar ao lado de Portugal.

Como estávamos enganados… Foi o ponto alto do PSI20.

De lá para cá, as coisas só pioraram. Veio a crise da dívida soberana logo de seguida, que culminou com a entrada da Troika em 2011. No meio deste tumulto, grandes símbolos empresariais portugueses faliram. Fortunas foram destruídas com eles.

Quando achávamos que íamos a caminho da recuperação, depois de um doloroso processo de ajustamento, o país dá uma guinada à esquerda.

Resumindo: sempre vi tudo a correr mal. Acho que já me acostumei a isso. Na dúvida, é só apostar contra, que vai dar certo.

01:22 - Imunidade noticiosa

Face a este cenário, os novos comentários da Comissão já não causam estranheza. Acho que estou a ficar imune às más notícias.

Talvez você não esteja… Então aqui vai:

Bruxelas corta as previsões para a economia portuguesa e mostra-se, como vem sendo habitual, mais pessimista (eu diria realista) que o Executivo.

Além disso, não vê esforço de consolidação orçamental e acrescenta que o cenário macroeconómico pode piorar…

Ou seja, os riscos são de revisão em baixa.

Se houver surpresas, é para pior.

imunidade-noticiosa

Fonte: Comissão Europeia e Orçamento

02:03 - Regressemos ao tema do momento

Afinal, foi com ele que hoje decidi abrir o M5M.

Então não é que ontem os mercados pregaram uma partida aos “especialistas”?

Os segundos anunciaram aos sete ventos que a eleição de Donald Trump seria o “the end of the world as we know it”. Provavelmente, inspirados pela letra dos REM.

Os primeiros, após uma reação inicial de pânico, obraram uma das maiores recuperações intradiárias da história.

Desta vez, ninguém quis ficar com as calças na mão.

regressemos-ao-tema-do-momento

Fonte: ZeroHedge

03:04 - Aqui vamos nós

Na incapacidade de prever o que vai na cabeça de Trump, investidores tentaram antecipar o que ia na cabeça dos outros operadores de mercado.

A verdade é: após o Brexit (evento que também se dava como apocalíptico), a bolsa inglesa acabou mais tarde por fazer máximos… não sem antes terem realizado uma correção fortíssima…

Só que desta vez ninguém esperou pela estabilidade para comprar.

Ao primeiro sinal de que havia compradores, tudo correu para a porta de entrada.

Como uma imagem vale mais do que mil palavras, segue um cartoon que explica o fenómeno:

aqui-vamos-nós

04:05 - Seguindo com os olhos postos no horizonte

Hoje, os especialistas voltam à carga com todo o tipo de explicações para comentar o sucedido.

Para alguns, the Donald até vai ser “favorável” para a economia. Para outros, o mercado já teria descontado este cenário.

Para mim, é só mais um atestado à impossibilidade de prever o futuro.

Enfim…

Tudo isto remete para o que eu disse ontem:

“No longo prazo, deve manter as suas convicções… É impossível fazer timing de mercado, portanto não vai zerar a sua carteira sem perceber as repercussões desta eleição”.

Ou até seguindo o conselho de terça-feira: o melhor é ignorar as eleições!

Pedro Gonçalves, Editor-chefe

Pedro Gonçalves foi Portfolio Manager no Millennium Investment Banking. É licenciado em Finanças pelo ISCTE – Business School e mestre em Gestão pela Universidade Católica Portuguesa. Atualmente, é editor-chefe da Empiricus Portugal.