Meu Portugal brasileiro

Vivemos demasiados anos a gastar acima das nossas possibilidades e a dependência do país ao financiamento externo tornou-se tão grande, que quando estes deixaram de confiar na nossa capacidade de devolver o dinheiro, fecharam-nos a torneira…

Maior Menor
Por 8 de Janeiro de 2016

.: Olá Brasil
.: Levámos um empurrão
.: Similaridades
.: Memória curta
.: Volta à estaca zero

00:03 - Olá Brasil

O M5M Brasil chega sempre a Portugal por volta das 15h00…

As dicas que o meu prezado colega Rodolfo Amstalden nos envia sobre o país irmão são inestimáveis.

Ainda mais, porque o paralelismo com a situação portuguesa é impressionante.

Mudam o nome das personagens, mas as histórias parecem desenhadas a papel químico.

Tenho, no entanto, um aviso a fazer aos nossos leitores em Vera Cruz:

Nós já vamos mais à frente na novela, por isso, o futuro do Brasil será igual ao presente de Portugal…

00:55 - Levámos um empurrão

Não quero dizer com isto que Portugal vive em 2020…

Parece-me é que a crise da dívida soberana acelerou a nossa derrocada… pode ser que agora a China faça o mesmo pelo Brasil…

Vivemos demasiados anos a gastar acima das nossas possibilidades e a dependência do país ao financiamento externo tornou-se tão grande, que quando estes deixaram de confiar na nossa capacidade de devolver o dinheiro, fecharam-nos a torneira…

O resultado já todos nós conhecemos:

Ajuda externa, ajuste fiscal, austeridade, recessão…

01:46 - Similaridades

Os casos de “alegada” corrupção aqui também são mais comuns que abelha à volta do mel… ou como mosca à volta da b***a, mas como é sexta-feira eu vou ser simpático…

Sim “alegada”, porque em Portugal, também ninguém é preso por enriquecimento injustificado.

Políticos sob suspeita, negócios manhosos entre o estado e alguns privados, enfim…

Questões que impactaram, inclusive, na destruição da bolsa portuguesa…

O povo aguenta tudo, enquanto o crescimento permite mascarar a gestão danosa.

O problema aparece quando se acaba o dinheiro.

CAma portugal

03:01 - Memória curta

É nessa altura que o povo exige mudança…

Nas eleições, políticos responsáveis conseguem vender a ideia de

ajustamento fiscal, de corte nos subsídios, da liberalização da economia…

Mas as costas do povo não são largas e a memória é, infelizmente, curta…

Depois de sentirem a dor de viverem com menos, habituados a ter mais, mesmo que essa dor temporária pudesse significar um ganho maior no futuro, esquecem os erros do passado…

Passaram-se quatros anos, e o povo votou naqueles que nos meteram nesta situação.

04:05 - Volta à estaca zero

Quando eles voltam para lá, destroem todos os sacrifícios num piscar de olhos…

O PS tem 40 dias de funções e já reverteu cortes de salários, pensões e apoios socias, reduziu a sobretaxa do IRS, revogou a concessão dos transportes de Lisboa e Porto e prepara-se para revocar a privatização da TAP…

Vai repor os feriados e o regresso aos 25 dias de férias fica em stand by…

O problema é que os erros do passado foram cometidos quando a dívida pública estava nos 60% do PIB, agora representa 130%…

A janela para fazer o ajustamento é pequena e o BCE não vai comprar dívida pública nacional para sempre… e quando deixarem de o fazer… o leitor já percebeu…

No curto-prazo as taxas de juros deverão manter-se baixas, o que pode alivar a pressão sobre a bolsa portuguesa, mas neste cenário, o investidor deve procurar alternativas de investimento fora de Portugal.

António Costa

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Pedro Gonçalves, Editor-chefe

Pedro Gonçalves foi Portfolio Manager no Millennium Investment Banking. É licenciado em Finanças pelo ISCTE – Business School e mestre em Gestão pela Universidade Católica Portuguesa. Atualmente, é editor-chefe da Empiricus Portugal.