Momento da verdade

O tema continua a ser o crescimento. Ou neste caso, a falta dele. Sem o aumento da atividade económica, Portugal não vai conseguir resolver o problema do desemprego.

Maior Menor
Por 5 de Novembro de 2015

.: Números do desemprego
.: Vamos gastar mais?
.: Risco Moral
.: Caminho mais fácil
.: Aguenta coração

00:06 - Números do desemprego

O tema continua a ser o crescimento. Ou neste caso, a falta dele.

Sem o aumento da atividade económica, Portugal não vai conseguir resolver o problema do desemprego.

Os dados do INE, mostram que dos 600 mil desempregados que existem no país, um terço está sem trabalho há mais de três anos.

Hoje a comissão Europeia subiu as estimativas de crescimento económico de Portugal para 2015 e baixou de 2016. Os crescimentos projetados são de 1,7% para este ano, e de 1,5% para o próximo ano.

De acordo com o mesmo estudo, esta ligeira aceleração vai permitir uma redução do desemprego para uma taxa de 10,6% em 2016.

Mesmo assim as pessoas à procura de emprego vão continuar acima dos 500 mil no próximo ano.

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01:26 - Vamos gastar mais?

Uma das soluções postas em cima da mesa (pelo quadrante político mais à esquerda) é o aumento da despesa.

Uma vez que os privados não contratam, defendem que o Governo deve criar postos de trabalho.

Isto significa única e exclusivamente aumentar os custos com pessoal, que já representam 30% dos gastos globais do Estado Português.

Depois do ajustamento fiscal feito, a comissão Europeia estima que Portugal irá manter os défices dos próximos anos abaixo dos 3%.

Estas projeções foram feitas com o pressuposto que o Estado vai manter a sua política de contenção de custos.

02:23 - Risco Moral

Este é o grande desafio da Comissão Europeia e do Banco Central Europeu.

Resolver os problemas estruturais das economias dos Estados membros, ao mesmo tempo que os incentiva a cometer os erros do passado.

Através do plano de compra de ativos o BCE manipula os custos de financiamento dos estados membros. Isso oferece uma ideia de falso conforto aos Governos nacionais.

Vamos ser realistas. Portugal devia pagar mais do que 2,5% nos empréstimos a 10 anos.

Você emprestaria dinheiro a uma pessoa que gasta mais do que o que recebe há vários anos consecutivos, e que já tem dívidas de 120% de toda a riqueza que produz durante um ano?

Também acho que não. E se o fizesse exigiria um retorno maior no seu capital.

Aqui é que está o cerne da questão.

03:50 - Caminho mais fácil

Por um lado, existe uma necessidade tremenda de gerar emprego.

Por outro, os juros que o Estado paga na sua dívida nunca estiveram tão baixos.

A solução mais fácil é pedir emprestado para resolver os problemas atuais, e resolver o problema da dívida depois (ou não a pagamos como alguns apregoam por aí).

O problema é que já temos a terceira maior dívida relativa da zona Euro.

A solução de curto-prazo parece ser a mais fácil de implementar. Mas não estaremos a hipotecar o futuro da próxima geração?

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04:26 - Aguenta coração

Portanto, o que a Comissão pede é que os Estados cumpram com as metas orçamentais.

Ao mesmo tempo, que tenta, através dos programas que falamos no outro dia injetar liquidez na economia e incentivar o consumo e o investimento privado.

Mas a opinião pública está cansada.

E os políticos são cataventos humanos. Viram-se para onde o sopra o vento.

Haverá vontade política para fazer continuar o bom trabalho feito até aqui?

Pedro Gonçalves, Editor-chefe

Pedro Gonçalves foi Portfolio Manager no Millennium Investment Banking. É licenciado em Finanças pelo ISCTE – Business School e mestre em Gestão pela Universidade Católica Portuguesa. Atualmente, é editor-chefe da Empiricus Portugal.