Na eventualidade de não saber

As operações de refinação (transformar crude em combustível), que beneficiam de custos mais baixos quando o petróleo desvaloriza, aliviou a dor, mas não conseguem compensar totalmente as perdas gigantescas nas unidades de exploração.

Maior Menor
Por 5 de Fevereiro de 2016

.: Cruzada contra a assimetria
.: Crocodilos
.: Petrodólares
.: Alguns valem mais que outros
.: Porque cais tu?

00:05 - Cruzada contra a assimetria

Comentário de uma leitora:

“Acompanho a tua newsletter e adoro a maneira como consegues explicar coisas complexas de maneira compreensível, até para mim que sou iniciante nestas ciências que são a economia e as finanças”.

Este é o melhor elogio que podemos receber aqui na Empiricus.

Tentamos ao máximo desembaraçar o novelo de nós que é o mundo das finanças.

Para isso usamos uma linguagem informal e descomplicada.

Isto, de embrulhar as finanças com linguagem incompreensível só beneficia o seu banco (gestor de investimentos, broker, etc…), que pode aproveitar da assimetria de informação.

Acreditamos nós, que se entender o que ele lhe diz, estará melhor preparado para os desafios da sua vida financeira.

01:12 - Crocodilos

Mercados mundiais continuam a rastejar…

Apesar da adoção da tanga como farda oficial dos bancos centrais, sinal de que a folia de liquidez não vai acabar tão cedo, as performances continuam a ser pouco carnavalescas…

Esse é o problema da tanga… Tapa de um lado, destapa do outro…

Mais quantitative easing no Japão, abrandamento da subida das taxas nos EUA, EUR a subir… e Draghi preocupado com ausência de inflação.

A ajudar a este sentimento, está a cotação do petróleo:

As maiores petrolíferas do mundo Total, Exxon, Shell, Chevron, BP e Conoco-Philips tiveram um ano para esquecer…

O setor perdeu mais de 40%, desde os máximos do ano passado, como podemos verificar no gráfico abaixo.

ftse Global Energy

As operações de refinação (transformar crude em combustível), que beneficiam de custos mais baixos quando o petróleo desvaloriza, aliviou a dor, mas não conseguem compensar totalmente as perdas gigantescas nas unidades de exploração.

 

02:01 - Petrodólares

Que o preço do petróleo não pára de cair, toda a gente sabe. Já sentiu na bomba, pelo menos…

No meio desses, alguns sabem que o preço cai porque existe um excesso de oferta. (demasiados produtores para pouco consumo).

Talvez não saiba que os especialistas já demonstraram que a cotação do petróleo torna a exploração do ouro negro incomportável para alguns produtores (mais caro produzir que o preço de venda).

Ninguém consegue é estar de acordo com o estudo da Wood Mackenzie que mostra que apesar do tombo na cotação a produção caiu uns míseros 0,1% em 2015.

O mesmo relatório sugere, ainda, que os níveis de produção vão se manter resilientes apesar da cotação estar $32.

Se o problema está na produção e esta não vai cair. Como é que o preço sobe?

03:11 - Alguns valem mais que outros

Em todos os índices, umas empresas valem mais do que outras.

É o velho ditado: somos todos iguais, mas uns são mais “iguais” que outros.

Pelo seu tamanho em capitalização (preço x número de ações), as maiores representam mais no índice.

Em Portugal, esse efeito tem funcionado a favor do investidor que evita o stock picking (a arte de escolher investimentos específicos) em favor de um investimento mais diversificado no índice.

Isto porque, o PSI 20 cai 6,5% desde o início do ano.

No entanto, a média das variações de todas as ações que o constituem é de -10,5% (seria como se no índice todas as empresas tivessem o mesmo peso).

Esta diferença de desempenho entre a realidade (as maiores pesam mais) e a hipótese (pesam todas o mesmo) deve-se a duas das maiores (e mais representativas) empresas da nossa praça: Jerónimo Martins (+7,5%) e Galp (+2%).

Apesar de tudo o que aconteceu lá fora (preço do petróleo e quedas generalizadas) e cá dentro (arrufo Lisboa-Bruxelas).

As duas estão positivas, quando tudo o resto está negativo.

biggestloser

04:03 - Porque cais tu?

Por curiosidade, quais são as que estão no outro extremo?

Num snapshot à nossa bolsa verificámos que as três piores ações da bolsa este ano são de setores completamente distintos:

A industrial Altri, o Banco Comercial Português e a construtora Mota-Engil.

As três caiem mais de 20% em pouco mais de um mês de negociação.

A Altri sofre da gripe chinesa. O preço da pasta de papel (nada mais que uma commodity como o petróleo ou o ferro) é determinantemente afetado pelo momento da segunda maior economia do mundo. Se esta fraqueja, os preços também, logo os lucros da Altri…

BCP leva pancada de todos os lados. O setor financeiro europeu voltou à ribalta pelos piores motivos.

Os gigantes da indústria acabam de apresentar enormes prejuízos e na Itália o malparado continua a ser um tema na ordem do dia.

Além disso, o banco volta a ser vítima da vilificação do setor. Governos socialistas acenam com mais impostos para a indústria (tanto em Portugal, como na Polónia).

A Mota-Engil que baseia o seu crescimento em países emergentes (muy dependentes da cotação das matérias primas) vê a sua rentabilidade em causa, quando estes países atravessam graves crises económicas.

 

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Pedro Gonçalves, Editor-chefe

Pedro Gonçalves foi Portfolio Manager no Millennium Investment Banking. É licenciado em Finanças pelo ISCTE – Business School e mestre em Gestão pela Universidade Católica Portuguesa. Atualmente, é editor-chefe da Empiricus Portugal.