Na falta de recessões

Não gostaria de perder a oportunidade de responder a todos os leitores não residentes, que me perguntam como investir em Portugal, seja em ativos líquidos ou investimento imobiliário.

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Por 21 de Abril de 2016

.: Ciclo económico
.: Conceito enganador
.: David e Golias
.: Once in a lifetime
.: Abertura de conta

00:03 - Ciclo económico

As recessões não são más.

Elas são o mecanismo que a natureza inventou para limpar as imperfeições.

As recessões são, quando a parte da transfiguração do economista Joseph Schumpeter “destruição criativa” entra em jogo.

“Processo de mutação industrial que revoluciona incessantemente a estrutura económica a partir de dentro, incessantemente destruindo o antigo, criando incessantemente uma nova.”

Mas não pode haver uma sem a outra.

Empresas marginais, maus investimentos, concorrentes fracos – eles todos precisam de ir à falência para libertar capital para os bons investimentos.

Acredite ou não, o capital é limitado.

01:11 - Conceito enganador

Usá-lo para projetos ineficientes, e fica-se mais pobre, não mais rico.

De que forma sabemos quais são os bons projetos?

Normalmente, um aumento das taxas de juro reais (custo de financiamento) é a forma mais fácil de descobrir.

Taxas mais elevadas provocam angústia nas finanças das empresas. As mais fracas não aguentam.

Não quero com isto dizer que as recessões são agradáveis.

Mas são tão necessárias como dores de crescimento e discussões sobre o orçamento familiar.

02:01 - David e Golias

Na luta contra a recessão, os bancos centrais ligaram as impressoras e injetam doses cavalares de liquidez na veia dos mercados.

Dessa forma mantêm o custo do dinheiro (juros) artificialmente baixos e perpetuam a existência das empresas zombies.

As boas, ou não precisam de financiamento ou simplesmente não têm espaço no mercado para aparecerem (está lá um mamarracho que já devia ter falido).

Por falar nisso, o Risbank (Banco Central Sueco) vai comprar mais obrigações para reduzir as yields de longo prazo.

Tentam combater os ganhos cambiais que ameaçam minar os seus esforços para reacender a inflação.

Irá adicionar 45 mil milhões de coroas suecas (US$ 5,6 bilhões) ao seu programa de flexibilização quantitativa.

03:20 - Once in a lifetime

O volume de liquidez na economia global não tem paralelo na história mundial.

Na Europa, colocou países como Portugal a emitir dívida a juros negativos (no curto-prazo).

Na Alemanha, França e Holanda (entre outros), os investidores pagam pelo “privilégio” de comprar obrigações do estado a longo prazo.

Nos EUA, criou um bull market que dura há 7 anos… e que muito provavelmente irá renovar máximos este ano.

A história dos bancos centrais modernos é demasiado curta para encontrarmos exemplos de tanta histeria.

Mas uma coisa é certa, quando algo parece que está errado, normalmente, é porque está mesmo…

04:10 - Abertura de conta

Não gostaria de perder a oportunidade de responder a todos os leitores não residentes, que me perguntam como investir em Portugal, seja em ativos líquidos ou investimento imobiliário.

São normalmente brasileiros, angolanos e até portugueses que deram saída fiscal do país…

A forma mais fácil é através de uma corretora (broker) aqui em Portugal, mesmo para não residentes.

Não poderia ser de outra forma, afinal Portugal é um dos países com maior número de cidadãos a morar fora do país, ou seja, o sistema financeiro está preparado para abertura de contas com esse propósito.

Entretanto, a instituição financeira deverá solicitar comprovativos autenticados dos rendimentos e património no país de origem, mas todo o processo de abertura pode ser feito através da internet.

A grande vantagem dos brokers nacionais é que estes dão-lhe acesso aos principais mercados europeus e à bolsa nova-iorquina.

Estamos a preparar um relatório com os melhores Brokers para residentes e não residentes.

Pedro Gonçalves, Editor-chefe

Pedro Gonçalves foi Portfolio Manager no Millennium Investment Banking. É licenciado em Finanças pelo ISCTE – Business School e mestre em Gestão pela Universidade Católica Portuguesa. Atualmente, é editor-chefe da Empiricus Portugal.