Não adianta chorar sobre o leite derramado

Em traços gerais, acredito honestamente que esta correção resulta mais de um ajuste técnico depois de uma subida vertiginosa do que propriamente de uma alteração estrutural dos fundamentais.

Maior Menor
Por 9 de Fevereiro de 2018

.: Choque de vol
.: A priori
.: Subida das yields
.: Traços gerais
.: MAB

00:12 - Choque de vol

O choque de volatilidade que assolou o mercado de ações no início da semana ressurgiu ontem.

Num passe de mágica, as principais bolsas americanas derreteram para mínimos de dois meses. O Dow Jones tombou mais de 1.000 pontos e o S&P 500 afundou 3,75%.

Entretanto, o VIX – o índice do medo – duplicou no espaço de uma semana.

Desde os máximos alcançados a 26 de janeiro, os principais índices americanos já perderam mais de 10%.

Entrámos oficialmente numa correção.

01:03 - A priori

Deste lado do Atlântico, as bolsas negoceiam inalteradas ou ligeiramente negativas.

Depois de um início do ano em que os mercados atingiram máximos, as coisas viraram rapidamente, não foi?

Fomos do céu ao inferno enquanto o diabo esfrega um olho.

Mais um lembrete de que o mercado caminha aos saltos e os movimentos são sempre mais vigorosos que os estimados a priori.

02:40 - Subida das yields

A subida das yields norte-americanas continua a ser o argumento “fundamentalista” para as recentes quedas.

yield dos Treasuries americanos a 10 anos disparou para cima dos 2.80% e muitos questionam em que nível é que o aumento do custo de capital começa a ser efetivamente pernicioso às avaliações bolsistas.

Esta subida poderá levar os investidores a exigirem uma maior compensação para deterem ativos mais arriscados…

Falo, por exemplo, de dívida de outras economias menos robustas (que, neste momento, estão artificialmente baixas).

Como por exemplo, o nosso Portugal.

Em suma, um dos resultados da subida dos juros por lá, pode ser a subida dos juros aqui.

03:01 - Traços gerais

Em traços gerais, acredito honestamente que esta correção resulta mais de um ajuste técnico depois de uma subida vertiginosa do que propriamente de uma alteração estrutural dos fundamentais.

Repare que este aumento das yields globais acontece porque existe uma perspetiva de uma aceleração da inflação, que resulta de um crescimento mais robusto e sincronizado da economia mundial.

Isto são, nitidamente, bons indicadores para as empresas.

Não quer isto dizer que este aumento do custo da dívida não possa gerar bastante aversão a risco no curto prazo. Exatamente como tem acontecido.

 

04:12 - MAB

Isto não significa que deve perder a cabeça e vender tudo.

Pelo contrário.

Vínhamos insistindo fortemente na necessidade de manter alguma liquidez de lado, caso acontecesse alguma correção.

Agora é uma boa oportunidade para descobrir algumas bagatelas na bolsa.

Para quem está à procura de uma boa ideia, o Diogo acabou de recomendar a compra de uma nova ação lá n’As Melhores Ações da Bolsa.

Pedro Gonçalves, Editor-chefe

Pedro Gonçalves foi Portfolio Manager no Millennium Investment Banking. É licenciado em Finanças pelo ISCTE – Business School e mestre em Gestão pela Universidade Católica Portuguesa. Atualmente, é editor-chefe da Empiricus Portugal.