Negócio arriscado

Imagine que o Banco Y paga 0,1% no depósito de €100.000 do Sr. Manuel. Em teoria o gestor do Banco só tem de emprestá-lo com uma yield superior a 0,1% para fazer lucro. Parece fácil. Bem, não é!

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Por 10 de Fevereiro de 2016

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.: Incertezas que matam

00:10 - Atualidade

O mercado acionista está finalmente positivo e com subidas bastante fortes um pouco por toda a Europa.

DAX + 2%, IBEX +3% e o OMX, principal índice dinamarquês, a subir 5%.

Até em Portugal, a bolsa dá um ar da sua graça (+2%).

Se perguntar a alguém porquê, ninguém vai lhe conseguir dar uma straight answer.

Aquilo que lhe posso garantir é que as incertezas se mantêm…

As petrolíferas acabam de reportar os piores resultados dos últimos anos e o setor bancário continua envolto num nevoeiro cerrado…

01:04 - Esfarrapado

O setor bancário está um farrapo…

Emprestar dinheiro, simplesmente, já não é um bom negócio.

Ok… Talvez esteja a ser um pouco dramático. Digamos que já não é uma atividade tão lucrativa como foi…

Os bancos têm custos fixos elevados: milhares de colaboradores, centenas de balcões, operações, administração, enfim… um sem número de contas para pagar.

E no final, têm dificuldades cada vez maiores em transformar o seu (do leitor) depósito em lucro.

É do conhecimento geral, que o setor fez um grande trabalho na redução dos gastos, mas há um limite onde cortar mais põe em causa o funcionamento de atividades vitais.

02:23 - Negócio bancário for dummies

Em tese, as instituições financeiras têm um negócio simples.

Precisam de receber um juro maior dos empréstimos que concedem do que o montante que pagam pelos depósitos. Certo?

Aqui é que está o problema…

Imagine que o Banco Y paga 0,1% no depósito de €100.000 do Sr. Manuel. Em teoria o gestor do Banco só tem de emprestá-lo com uma yield superior a 0,1% para fazer lucro.

Parece fácil. Bem, não é!

Ora vejamos:

– As economias europeias mais confiáveis financiam-se a juros negativos a médio prazo. (Leia-se, Alemanha, França, Suíça, Dinamarca, Suécia, etc…)

– A Euribor está negativa e os spreads bancários estão cada vez mais comprimidos devido à concorrência. Em Espanha fala-se em adotar outro indexante (um que esteja positivo…)

– As boas empresas não pedem dinheiro emprestado.

Restam as más (menos boas) empresas e os estados mais desleixados.

03:19 - Necessidade

Voltas e voltas e regressámos à casa de partida.

A crise dos EUA começou porque os bancos começaram a oferecer crédito a quem não deviam (pessoas sem capacidade de pagar o empréstimo).

Resumindo: Ganância.

Neste momento, emprestam porque não têm alternativa. Isto se quiserem continuar a funcionar (ou seja, pagar contas) e gerar lucro.

O Estado português agradece.

04:18 - Incertezas que matam

Fast forward para o dia de hoje:

Juros periféricos a subir e malparado continua em níveis elevados.

Analistas continuam com receios que os bancos não consigam ser rentáveis sem incorrerem em riscos demasiado altos.

Essas dúvidas levam o índice bancário da zona do euro (gráfico abaixo) para a sua sétima semana consecutiva de perdas – pior série semanal desde 1998.

Não é um bom sítio para se estar neste momento.

Stoxx

Performance dos últimos 6 meses do STOXX® Europe 600 Banks

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Pedro Gonçalves, Editor-chefe

Pedro Gonçalves foi Portfolio Manager no Millennium Investment Banking. É licenciado em Finanças pelo ISCTE – Business School e mestre em Gestão pela Universidade Católica Portuguesa. Atualmente, é editor-chefe da Empiricus Portugal.