Nos idos de junho

Últimas sondagens no Reino-Unido dão vitória à saída da União Europeia…. As polls apontam para uma votação renhida o que despoleta toda uma overdose de informação e abuso de contrainformação.

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Por 14 de Junho de 2016

.: Sobejo
.: Cainofobia
.: Não está nada fácil
.: Pior de dois mundos
.: Na praça da tristeza

00:09 - Sobejo

Jamais subestime o peso da incerteza no mercado de ações, que se faz de morto até que acorde.

Em que se pese a influência interna, esta semana comemora eventos tipicamente externos.

Últimas sondagens no Reino-Unido dão vitória à saída da União Europeia….

As polls apontam para uma votação renhida o que despoleta toda uma overdose de informação e abuso de contrainformação.

O melhor mesmo é fazer ouvidos moucos ao ruído despejado pela comunicação social.

Não o vai ajudar nas suas decisões de investimento.

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01:33 - Cainofobia

A marcar a agenda está também a reunião da Reserva Federal dos EUA, que terá lugar hoje e amanhã.

Daqui não se esperam novidades.

É opinião consensual do mercado que a Fed não vai tocar nas taxas. Por duas razões:

– modesto crescimento registado no primeiro trimestre (0,8%);

– fragilidade no mercado de trabalho americano, que acrescentou apenas 38.000 novos postos de trabalho em Maio.

Estes serão argumentos muito fortes a favor da manutenção do status quo…

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02:22 - Não está nada fácil

Ambos – Fed ou Brexit – podem atestar a dificuldade de obter retornos extraordinários neste tipo de mercado.

Eu não sou “cientista” político, nem cartomante.

Sou analista financeiro.

Nesta condição singela, limito-me a constatar o óbvio.

Qualquer mínimo reforço da tese de Brexit ou aumento de taxas nos US acarreta um enorme impacto sobre os ativos de risco.

Os investidores estão nevosos por não vislumbrarem, na opacidade do futuro, para que lado pende a balança.

Por outro lado, este pânico poderá ser um promotor de oportunidades.

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03:44 - Pior de dois mundos

Veja bem, as ações europeias, como um todo, caíram pelo quinto dia consecutivo nesta terça-feira.

Estão neste momento em mínimos dos últimos 3 meses…

Por exemplo, o índice bancário europeu estava a cair 0,7%, sendo as perdas totais de mais de 26% este ano. É o sector com o pior desempenho na Europa em 2016.

Acredito que os mercados vão continuar a precificar um worst-case scenario.

Isto significa que novos declínios são prováveis nos próximos dias (até à data do plebiscito).

Exceto se houver uma mudança substancial na opinião pública ou algum tipo de intervenção verbal por parte de políticos e banqueiros centrais para trazer de volta a calma aos mercados…

Aguarde na bancada até ao sinal…

04:09 - Na praça da tristeza

Aqui no burgo, o pior representante da elite bancária europeia (BCP), continua a ser fustigado na bolsa, com receios em relação a um eventual aumento de capital.

A administração de Nuno Amado já garantiu que essa operação não está nos seus planos, mas mesmo assim o papel negoceia abaixo dos 2 cêntimos…

O facto de a proibição das vendas a descoberto (‘short selling’) ter sido levantada pela CMVM não será, também, alheia a esta descida.

Mesmo assim, perguntavam-me no outro dia: “até para que valor pode ir o BCP?”

Em teoria, pode ir para €0.00 (qualquer um pode).

A perda de referências em termos de cotação funciona como um catalisador para a queda.

Em termos fundamentais, parece-nos que a avaliação já está bastante deprimida. Dessa forma poderia ser só o mercado a gritar “NÃO” a uma fusão com o Novo Banco (e o consequente aumento de capital).

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Pedro Gonçalves, Editor-chefe

Pedro Gonçalves foi Portfolio Manager no Millennium Investment Banking. É licenciado em Finanças pelo ISCTE – Business School e mestre em Gestão pela Universidade Católica Portuguesa. Atualmente, é editor-chefe da Empiricus Portugal.