A nossa ilusão aumenta com a facilidade

À entrada para o segundo trimestre do ano, importa lembrar que a arte de investir não está em não correr riscos. Pelo contrário, trata-se do exercício de ponderar os riscos certos a serem incorridos.

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Por 2 de Abril de 2018

.: Dia de folga
.: Resumo trimestral
.: Horizonte longínquo
.: Já entramos em campanha
.: Contribuintes

00:12 - Dia de folga

Lá fora, o dia nas bolsas é de completa calmaria.

As principais praças europeias estão encerradas esta segunda-feira, logo não tem como ficar angustiado com as cotações da sua carteira.

Vai ter de esperar mais um dia para vender aquela posição que lhe tem tirado o sono.

Feitas bem as contas, talvez seja melhor assim.

É caso para dizer que “o que não tem remédio, remediado está”.

01:30 - Resumo trimestral

À entrada para o segundo trimestre do ano, importa lembrar que a arte de investir não está em não correr riscos.

Pelo contrário, trata-se do exercício de ponderar os riscos certos a serem incorridos.

Foi exatamente assim nos primeiros três meses do ano, quando o mercado desabou por conta do regresso da volatilidade e da retórica protecionista.

Caso tenha sobrevivido aos abanões do mercado, partimos para o que sobra do ano com uma lição importante:

A incerteza fará sempre parte do processo, assim a sua única missão é procurar assimetrias favoráveis.

02:06 - Horizonte longínquo

Os riscos de pensar linearmente já foram abordados por aqui, mas vale sempre a pena recordá-los:

“Se a economia está forte, então devo comprar na bolsa” – oiço alguns dizerem por aí.

Sim e não.

Efetivamente, os bons dados económicos devem traduzir-se em melhores resultados do lado corporativo, o que naturalmente deve ajudar na valorização dos ativos de risco.

Por outro lado, a qualquer momento pode sair uma notícia que abala com a expetativa dos investidores.

Daí que pensar a longo prazo seja fundamental: se reage a todas as notícias com o coração, provavelmente a melhoria da atividade terá pouca relevância no desempenho do seu portfólio.

03:10 - Já entramos em campanha

O que nos traz de volta ao lar.

Numa entrevista ao Público, a secretária-geral do PS garante: “Nunca tivemos um ministro das Finanças tão bem aceite pelos portugueses”.

Num passe de mágica, o sapo virou príncipe.

Calma lá, minha cara.

Não é apenas o défice que interessa, vamos raciocinar de maneira ampla.

Diria, inclusive, que as contas públicas são apenas um detalhe.

O nosso principal problema económico – a falta de competitividade – continua por resolver.

04:15 - Contribuintes

O mesmo ministro que o obteve o défice mais baixo da democracia (isto se ignorarmos a injeção na CGD), também alcançou em 2017 a carga fiscal mais alta de sempre.

“Assim também eu” diria Vítor Gaspar.

Prometeu não aumentar impostos, mas como o peso do Estado não diminui, alguém tem de pagar a conta.

Infelizmente, são sempre aos mesmos.

Pedro Gonçalves, Editor-chefe

Pedro Gonçalves foi Portfolio Manager no Millennium Investment Banking. É licenciado em Finanças pelo ISCTE – Business School e mestre em Gestão pela Universidade Católica Portuguesa. Atualmente, é editor-chefe da Empiricus Portugal.