Novo índice: Donald Jones

Investidores ignoram momentaneamente o bom senso (não o fazem sempre?). E face a um resultado eleitoral imprevisto, têm uma reação imprevista.

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Por 11 de Novembro de 2016

.: Tudo ou nada
.: É melhor não ignorar
.: De regresso à casa de apostas
.: Setores em análise
.: Não vejo a hora

00:09 - Tudo ou nada

Nunca gostei muito desta atitude de “tudo ou nada”. Analistas dividem-se entre “venda tudo, é o fim do mundo” e “está na hora de vender a casa e comprar ativos de risco”.

Sempre ouvi dizer que no meio é que está a virtude. Aproveitar desvalorizações para, gradualmente, aumentar a exposição a ativos de risco.

E vice-versa: servir-se de movimentos de forte e rápida valorização para, ponderadamente, diminuir a sua alocação a risco.

01:22 - É melhor não ignorar

Investidores ignoram momentaneamente o bom senso (não o fazem sempre?). E face a um resultado eleitoral imprevisto, têm uma reação imprevista.

Quem diria?

Dow Jones, o índice que congrega as 50 maiores empresas norte-americanas, fechou no máximo de todos tempos.

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Gráfico Dow Jones a 5 anos – Fonte: Bloomberg

Ia jurar que o Donald era contra o establishment (interesses instalados)…

No entanto, o mercado acha que as grandes empresas vão beneficiar de uma presidência republicana. De outra forma, porque estariam a subir?

Tenho de perguntar: quem estará errado – os eleitores ou os investidores?

Com relação às promessas face a resultados, os primeiros perdem sempre.

02:33 - De regresso à casa de apostas

Hoje e na ausência de indicadores muito relevantes, investidores debruçam-se sobre as mesmas questões dos últimos dias.

“A grande rotação de ativos Trumpiana”: gestores de ativos rearranjam as suas carteiras em prol das expetativas de favorecimento ou desfavorecimento da nova presidência.

Se alguma podemos entender no meio do discurso errático do magnata é que alguns setores, e algumas empresas, estão numa posição privilegiada para beneficiar dos esforços do novo presidente para fazer a “América Grande Outra Vez”.

Outras nem tanto…

Em meio de palpites, algumas empresas sobem 50%-100%. Outras, tombam pela mesma ordem de grandeza.

Os três setores onde este impacto is gonna be HUGE são: Energia, Tecnologia e Maquinaria…

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03:09 - Setores em análise

Na energia, o segundo mandato de Obama foi marcado por vigorosos esforços para combater as alterações climáticas. A administração iniciou o plano de energia limpa, um conjunto de regras destinadas a reduzir o impacto ambiental prejudicial.

Para quem esteve atento, Trump reivindicou a determinada altura que a teoria do aquecimento global foi inventada pelos chineses. Sendo assim, será que o Donald irá revogar os subsídios das energias renováveis? É possível.

Mas mesmo sem saber, o mercado vende para ter certezas depois. Veja, a EDP (via Renováveis) a ser castigada na bolsa por isso. Por oposição, as mineiras de carvão estão em alta…

Vejamos agora o setor da tecnologia. Hillary tinha declarado guerra às Bio Tech; com ela fora do quadro, os investidores podem ficar mais relaxados quanto à intervenção do governo em modelos de precificação de medicamentos.

Na maquinaria: Trump planeia gastar mais de US$ 1 trilião de dólares em infraestruturas como parte do seu plano para criar empregos para os cidadãos americanos, é fácil perceber quem vai sair beneficiado…

04:02 - Não vejo a hora

Enquanto o mercado se reajusta a uma nova realidade do outro lado do Atlântico, os juros portugueses a dez anos atingem máximos de um mês…

A yield associada às obrigações portuguesas a dez anos sobe 6,7 pontos para 3,464%, o valor mais alto desde 10 de outubro.

Não necessariamente pelas patacoadas do Orçamento e pela revisão em baixa das estimativas da economia portuguesa por parte da Comissão Europeia.

Apesar disso, obviamente, não ajudar.

Desta vez, apenas acompanha a tendência da generalidade dos países do Euro.

Com a manutenção do prémio de risco face aos juros da dívida alemã, quando o juro alemão aumenta, Portugal vai atrás…

Este é só mais um fator de risco para os juros da nossa dívida.

Já não basta termos de preocupar-nos connosco, ainda temos de olhar para os juros do outro…

Pedro Gonçalves, Editor-chefe

Pedro Gonçalves foi Portfolio Manager no Millennium Investment Banking. É licenciado em Finanças pelo ISCTE – Business School e mestre em Gestão pela Universidade Católica Portuguesa. Atualmente, é editor-chefe da Empiricus Portugal.