O dia de Portugal

Num golpe de teatro que surpreendeu meio mundo, a Standard & Poor’s reviu em alta o rating da república portuguesa. Deixámos, finalmente, de ser lixo para a agência mais importante do mundo.

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Por 18 de Setembro de 2017

.: Golpe de teatro
.: Subida de rating
.: 4 razões
.: Caminho estruturado
.: Agarre com as duas mãos

00:10 - Golpe de teatro

Num golpe de teatro que surpreendeu meio mundo, a Standard & Poor’s reviu em alta o rating da república portuguesa.

Deixámos, finalmente, de ser lixo para a agência mais importante do mundo.

Um ótimo catalisador para os ativos de risco nacionais:

As taxas de juro da dívida nacional estão a registar fortes descidas ao longo da curva;

E a bolsa portuguesa está em alvoroço com grande parte das cotadas em forte alta.

01:05 - Subida de rating

Num país que continua a ter a quarta maior dívida pública do mundo em percentagem da riqueza criada por ano, a notícia cai que nem uma bomba…

Esperava-se uma subida da perspetiva de “estável” para “positiva”…

… mas uma subida de rating consagra um significado muito maior.

Vale a pena lembrar que há fundos de obrigações que estão impedidos de alocar mais do que uma pequena percentagem da carteira a títulos de dívida classificados como “lixo”…

Esta subida permite que a nossa dívida entre no radar desses colossos e, portanto, é natural que, no mercado, esse efeito se traduza em juros mais baixos (tanto para o Estado como para as empresas).

02:06 - 4 razões

Mas voltemos à subida do rating.

De acordo com a agência de notação financeira, existem quatro razões que justificam a melhoria:

– Fortalecimento do crescimento
– Alargamento do prazo da dívida
– Apoio do BCE
– Diminuição prolongada do défice

Se as três primeiras são verdade (apesar de temporárias), a última deve ser digerida com algum ceticismo.

03:09 - Caminho estruturado

Grande parte da redução do défice foi alcançado através das cativações orçamentais e do aumento da receita fiscal motivada por um crescimento acima do estimado.

Na práxis, nada de estrutural foi feito para reduzir o défice.

Isto significa que caso a conjuntura inverta, Portugal estará novamente em maus lençóis.

Seria providencial que o governo aproveitasse o bom momento oferecido por este crescimento para reduzir a dívida e aplicar reformas que tornem a economia mais competitiva.

Mas não é esse o caminho escolhido.

04:22 - Agarre com as duas mãos

Mas isso será um problema lá mais à frente.

Por ora, deve aproveitar o bom momento para se expor a ativos de risco.

A melhoria do rating português é apenas um sintoma de uma transformação mais alargada e sustentada no espaço europeu.

Se ainda não ouviu falar da nova oportunidade…

… vale a pena ler este documento.

Pedro Gonçalves, Editor-chefe

Pedro Gonçalves foi Portfolio Manager no Millennium Investment Banking. É licenciado em Finanças pelo ISCTE – Business School e mestre em Gestão pela Universidade Católica Portuguesa. Atualmente, é editor-chefe da Empiricus Portugal.